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Rebele-se Contra o Racismo!

terça-feira, 31 de maio de 2016

Analizando como silenciamos o estupro:A culpa é da vitima assim pensam os brasileiros sobre a violência contra a mulher

Todo mundo concorda que estupro é um dos piores crimes que existem. Ainda assim, 99% dos agressores sexuais estão soltos - e eles não são quem você imagina. Culpa de uma tradição milenar: o nosso hábito de abafar a violência sexual a qualquer custo. Entenda aqui por que é tão difícil falar de estupro.
Quase que pior que as histórias de estupro foi o que a ONU fez com o relatório que continha essas denúncias. O documento foi encaminhado de funcionário a funcionário a funcionário - sem que ninguém tomasse nenhuma providência. Repetidamente, o caso foi sendo abafado. Foi apenas quando a papelada caiu nas mãos de Anders Kompass, um oficial de direitos humanos da ONU na Suíça, que alguém agiu. Kompass vazou as informações para o governo francês, que finalmente abriu uma investigação na República Centro-Africana. Aí, sim, a ONU se viu obrigada a tomar uma atitude: afastou Kompass do cargo.


Para a maioria dos brasileiros, a mulher deve “dar-se ao respeito”. Ela deve obediência ao marido e só se sente realizada ao ter filhos e constituir família. A maioria ainda acredita que, “se a mulher soubesse se comportar melhor, haveria menos estupros”. Mais que isso: para a maioria dos brasileiros, “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser estupradas”.
Mulher com roupa curta merece ser atacada...
Um estudo divulgado  pelo Ipea revela que a maioria da população brasileira acredita que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas” e que “se as

mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”.[...]
A pesquisa [...] sobre a tolerância social à violência contra as mulheres, entrevistou 3.810

pessoas em todas as unidades da federação durante os meses de maio e junho de 2013, sendo que as próprias mulheres representaram 66,5% do universo de entrevistados.[...]

Na pesquisa do Ipea, os entrevistados foram questionados se concordavam ou não com frases sobre o tema. Nada menos que 26% concordaram que a mulher que usa roupa que mostra o corpo merece ser atacada. [UOL Cotidiano]A carne mais barata, estuprada e morta é da mulher negra

Os dados revelados pelo estudo dão ao movimento feminista, negro e de mulheres negras ferramentas importantes para o combate ao racismo e machismo na sociedade. Vamos lá, nós mulheres negras somos 25% da população brasileira sozinhas, ou seja, somos metade da população que sofre com machismo e metade da população que sofre com o racismo. Esse dado é importante, pois quando pensamos o que significa a violência contra mulher e a desigualdade de gênero a questão racial está profundamente correlacionada e não visibilizar este dado é não querer lidar com o problema da violência contra mulher de forma concreta (o mesmo deve ser dito sobre a dificuldade de termos dados sobre violência contra mulheres trans e travestis e qual a sua raça).

Segundo o Mapa da Violência, em 10 anos o número de mulheres negras mortas aumentou em 54%, no mesmo período o número de assassinatos de mulheres brancas caíram 9,8%. Isso não quer dizer que as mulheres brancas não sofram diretamente com a violência 
machista, só lembrarmos da semana passada quando sites, páginas de jornais e matérias de TV noticiaram a história de Ana Carolina Souza Vieira morta por causa do machismo da nossa sociedade. Esse dados demonstram o quanto o debate racial não pode ser dissociado do debate de gênero. É, praticamente, um desenho macabro para entendermos a necessidade da interseccionalidade dos debates.

Além disso, o documento também revela que 55,3% desses crimes aconteceram no ambiente doméstico, sendo 33,2% cometidos pelos parceiros ou ex-parceiros das vítimas. Neste segundo semestre, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou o 9º Anuário sobre o tema, apresentando que no Brasil uma mulher é estuprada a cada 11 minutos e em nota técnica publicada pelo IPEA em março de 2014 foi apresentado que 70% dos estupros contra mulheres adultas são cometidos por parentes, namorados ou amigos das vítima,

neste mesmo documento do IPEA é apresentado que 51% das vítimas de violência sexual eram mulheres negras.
”O racismo permite que a sociedade entenda que essas mulheres [negras] podem ser violentadas”
Perfil das vítimas
Os registros demonstram que 89% das vítimas são do sexo feminino e possuem, em geral, baixa escolaridade. Do total, 70% são crianças e adolescentes. “As consequências, em termos psicológicos, para esses garotos e garotas são devastadoras, uma vez que o processo de formação da autoestima - que se dá exatamente nessa fase - estará comprometido, ocasionando inúmeras vicissitudes nos relacionamentos sociais desses indivíduos”, aponta a pesquisa.

Em metade das ocorrências envolvendo menores, há um histórico de estupros anteriores. Para o diretor do Ipea, “o estudo reflete uma ideologia patriarcal e machista que coloca a mulher como objeto de desejo e propriedade”.[Ipea]


Apesar destes dados porque nos chocamos com mais este caso...
"Acordei com 33 caras em cima de mim", diz garota de 16 anos vítima de estupro
De acordo com o pai dela, muito abalado, a agressão ocorreu no Morro São João, em Praça Seca, Rio de Janeiro: "Ela foi num baile, prenderam ela lá e fizeram essa covardia. Bagunçaram minha filha. Quase mataram ela. Estava gemendo de dor".
O crime foi colocado por um dos envolvidos um vídeo no Twitter. Nas imagens, o homem exibe o órgão genital da garota todo machucado e diz que ela teve relações sexuais com mais de 30, não aguentando o sofrimento. Ele se vangloria do sofrimento da moça, o que causou enorme revolta. No entanto, muitos internautas chegaram a fazer piada com o episódio, enquanto instituições de todo planeta soltavam notas repudiando o que já é chamado de "barbárie".


-Outro fato que vem chamando a atenção de algumas internautas - se é que toda essa história pode ficar ainda pior -, é que a indignação maior está vindo por parte das mulheres, enquanto a maioria dos homens permanece calada. "Quase todas as mulheres que encontrei falaram do ocorrido com indiguinação mais algumas também acharam que ela deve ter culpa"...  -Nenhum homem,no primeiro momento...
Seculo XI ainda tudo igual...
A maneira como leis e culturas lidam com o estupro mudou pouquíssimo nos últimos 4 mil anos
O Código de Hamurabi
Um dos primeiros códigos de leis conhecidos, de 4 mil anos, já falava emestupro. A peculiaridade é que, no caso de uma virgem, o ato era considerado um crime contra a

propriedade - do pai dela. Já as mulheres casadas eram executadas junto com seus estupradores, pois tinham cometido adultério.
Estupro bíblico - e o do Brasil
O Velho Testamento deixa claro: estuprar uma virgem só era crime se o homem não se casava com ela depois. Assim como no Brasil até 2002 - até essa data, estupradores podiam escapar da prisão caso se casassem com suas vítimas.
Roma antiga e Game of Thrones

Em Roma, ao final de um casamento, o casal passava por um pequeno ritual: a mulher fingia ter muito medo e se agarrava à mãe, enquanto os amigos do noivo a arrastavam à força até os aposentos do marido. É um ritual que lembra a época em que mulheres eram

sequestradas por invasores - e que George R. R. Martin reproduz em Game of Thrones.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

fonte: UNEGRO- MULHER/https://vk.com/topic-73685647_31926732/https://hebreuisraelita.wordpress.com/tag/brasil.elpais.com › Brasil/fotos net

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Panteras Negras

Um dos grupos mais radicais na luta contra o preconceito racial nos EUA durante o século
XX foi o Partido dos Panteras Negras (Black Panthers Party). Formado na década de 1960 por Huey Newton e Bobby Seale, na cidade de Oakland, na Califórnia, os Panteras Negras diferenciavam-se das ações pacifistas pregadas por Martin Luther King e do caráter religioso islâmico dado à luta dos negros por Malcom X.

Denominados inicialmente de Partido dos Panteras Negras para a Autodefesa, o grupo passou a adotar o marxismo como orientação política, buscando interligar a perspectiva da luta de classes entre burguesia e trabalhadores articulada com o contexto da luta racial nos EUA. Isso levou inclusive à reivindicação de uma indenização por parte dos capitalistas e do Estado dos EUA pelos séculos de escravidão a que os africanos estiveram submetidos.

Dessa forma, os Panteras Negras entendiam a mão de obra escrava como formadora da riqueza do principal país capitalista do século XX. Por isso, também divulgavam a necessidade de realizar a expropriação dos meios de produção dos capitalistas brancos. O contato com as posições políticas defendidas por Mao Tsé-tung em seu Livro Vermelho serviram ainda para o grupo se ver como uma vanguarda na luta do movimento negro estadunidense.

Uma das formas de ação dos Panteras Negras era o armamento das comunidades negras. Tal posicionamento era decorrente dos constantes atos de violência e brutalidade policial a que estavam submetidos cotidianamente. Por isso, a ação inicial do grupo era contra uma das principais instituições repressivas do Estado: a polícia. Inúmeros foram os casos de confrontos armados entre os Panteras Negras e as forças policiais, resultando em mortes tanto entre os militantes quanto de policiais.

Um exemplo foi o de Huey Newton que foi preso em 1967 pelo assassinato de um policial

em Oakland. A prisão resultou em um movimento para sua libertação chamado por seu camarada Eldridge Cleaver. Essas medidas objetivavam também apontar o que os Panteras Negras consideravam como injustiça, pois quando eram julgados, a maioria dos jurados era formada por pessoas brancas. Frente a isso, reivindicavam que os processos contra membros da comunidade negra fossem julgados por pessoas da mesma cor de pele.

Com o passar dos anos, o grupo conseguiu projeção nacional. Ações assistenciais eram realizadas, como a criação de escolas comunitárias, distribuição gratuita de alimentação, bem como a criação de centros médicos destinados a atender a comunidade negra.

O objetivo do partido era também organizar as comunidades negras dos EUA para a defesa de seus próprios interesses, além de construir uma consciência própria desse setor da sociedade, o que passava ainda por uma educação de seus membros, com o objetivo de contar a história da população negra nos EUA de acordo com suas próprias perspectivas.

Os Panteras Negras são frequentemente associados com seus integrantes do sexo masculino, mas as mulheres desempenharam um papel fundamental no partido. No começo dos anos 70, o partido Panteras Negras era formado em sua maioria por mulheres.

"Mulheres como Kathleen Cleaver (na imagem), Assata Shakur, Elaine Brown e Angela Davis — que não era filiada — assumiram funções de liderança e tinham uma enorme influência na direção do partido." 

A radicalização das ações, o fortalecimento dos Panteras Negras, inclusive com a compra de armas, e a unidade de ação conseguida com outros grupos levaram o FBI a intensificar a perseguição ao partido. J. Edgar Hoover, chefe do FBI à época, chegou a apontar os Panteras Negras como a principal ameaça à segurança interna dos EUA.

Mas a repressão teve resultado. Ao longo das décadas de 1970 e 1980 várias prisões de membros dos Panteras Negras foram realizadas, encarcerando-os durante vários anos. Problemas internos, como disputas políticas e o uso de drogas, também contribuíram para

o enfraquecimento do partido. Após a década de 1990, os Panteras Negras perderam expressão política e organizacional.
O Programa dos dez pontos (maio de 1967)

Protesto nas Olimpíadas de 1968
Na Olimpíada da Cidade do México, Tommie Smith e John Carlos, dois atletas afro-americanos, medalhistas dos EUA, fizeram a saudação do black power (braço estendido com o punho enluvado e fechado) durante a cerimônia de premiação da modalidade, após vencerem os 200 metros rasos. Por seu gesto, uma clara manifestação política, os dois atletas foram banidos dos Jogos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

O punho erguido (raised fist) é um símbolo do Black Panther Party. Reinaldo, Eusébio e Sócrates (futebolista), todos ex-jogadores de futebol, também comemoravam seus gols com o braço erguido e o punho fechado.


O QUE QUEREMOS AGORA! EM QUE ACREDITAMOS

Para aquelas pobres almas que não conhecem a história dos negros, as crenças e os desejos do Partido Pantera Negra
para Auto-defesa podem parecer absurdos. Para o povo negro, os dez pontos são absolutamente essenciais para a sua sobrevivência. Temos ouvido a frase revoltante "essas coisas levam tempo" por 400 anos. O Partido Pantera Negra sabe o que o povo negro quer e precisa. A unidade negra e a auto-defesa tornarão essas demandas uma realidade.


O Manifesto - O QUE QUEREMOS
1.Nós queremos liberdade. Queremos poder para determinar o destino de nossa comunidade negra.
2.Queremos desemprego zero para nosso povo.
3.Queremos o fim da ladroagem dos capitalistas brancos contra a comunidade negra.
4.Queremos casas decentes para abrigar seres humanos.
5.Queremos educação para nosso povo! Uma educação que exponha a verdadeira natureza da decadência da sociedade americana. Queremos que seja ensinada a nossa verdadeira história e nosso papel na sociedade atual.
6.Queremos que todos os homens negros sejam isentos do serviço militar.
7.Queremos um fim imediato da brutalidade policial e dos assassinatos de pessoas negras.
8.Queremos liberdade para todos os negros que estejam em prisões e cadeias federais, estaduais, distritais ou municipais.
9.Queremos que todas as pessoas negras levadas a julgamento sejam julgadas por seus pares ou por pessoas das suas comunidades negras, tal como definido pela Constituição dos Estados Unidos.
10.Queremos terra, pão, moradia, educação, roupas, justiça e paz.

PANTERAS NEGRAS- PRINCIPAIS LÍDERES - Huey Newton e Bobby Seale

PROPOSTAS - Defendendo o fornecimento de armas a todos os negros, os militantes

desse grupo radical pediam ainda a libertação de todos os negros das penitenciárias americanas e o pagamento de indenizações às famílias negras pelo período da escravidão

RESULTADOS - Os métodos considerados violentos geraram feroz perseguição pela polícia e pelo FBI. Esvaziada, a organização foi dissolvida na década de 1980.

Após a década de 1990, os Panteras Negras perderam expressão política e organizacional.

Um afro abraço.

Claudia Vitalino.

fonte: enciclopédia livre/mundoestranho.abril.com.br/www.brasilpost.com.br/

sexta-feira, 27 de maio de 2016

CRIMES VIRTUAIS:Na Mira dos racistas e homofóbicos...

A prática de atitudes racistas deve ser punida sempre, mas com a modernização da
tecnologia, algumas pessoas arranjaram outras formas de expressar o preconceito: pela internet.
Muitas redes de relacionamento virtual tem sofrido com isso, onde alguns usuários usam de forma revoltante esse espaço para soltar comentários discriminatórios.
Segundo a legislação brasileira, crime de racismo é uma coisa e injúria racial é outra. Racismo é ofender e discriminar toda uma coletividade ou grupo de indivíduos. Preconceito contra a coletividade dos judeus ou dos umbandistas, por exemplo, é um crime de racismo, como define a Lei nº 7.716/1989.

Os crimes na internet causam anualmente um prejuízo de R$ 16 bilhões no Brasil. A estimativa é de um estudo recente da Norton/Symantec, empresa líder mundial em soluções de segurança para computação, que ouviu 13 mil internautas no mundo, com idade entre 18 e 64 anos. A pesquisa, publicada em outubro, revela que a cada segundo 18 pessoas são vítimas de algum tipo de crime na rede – no ano passado, 556 milhões de pessoas teriam sido afetadas.

Os levantamentos têm mostrado ainda que os ataques virtuais são cada vez mais frequentes, sofisticados e difíceis de combater. Não à toa, governos e empresas têm investido mais em ações de prevenção e combate. Mas é o usuário comum quem mais

precisa se proteger. 

 - As denúncias de casos de intolerância no Facebook são as mais numerosas, seguidas por Twitter e Instagram. "Não digo que o problema é o Facebook, é quem usa o Facebook",
Investigação digital -A investigação de crimes pela internet difere da tradicional por ser feita basicamente na delegacia. Inclui pesquisa do perfil da pessoa, confronto dessas informações com sistemas policiais, eventual requisição de informações ao juiz para conseguir dados sigilosos e rastreamento de quem é o responsável por aquela conta ou postagem criminosa.

"O caminho é um pouco mais longo", diz, "mas não menos eficiente". "As pessoas acham que, por ser na internet, [a investigação] não vai chegar [até a elas], mas, pela nossa experiência aqui, a investigação chega, sim, mais não e fácil."

O setor de inteligência para rastrear novos grupos, quem os integra, onde se concentram, que lugares frequentam, que roupas usam, que tipo de tatuagem, qual a ideologia", descreve a delegada. "A intolerância deles não é só contra homossexual e negro. Ultimamente, os casos mais graves que temos são de confrontos entre os próprios grupos por ideologia diferente."

Sobre a falta de recursos, relatada em delegacias contra crimes raciais no Pará e no Piauí,

a delegada diz estar bem atendida. "Recebemos carros novos neste mês, temos computadores, o número de policiais é suficiente para nossa demanda."Contudo, o que falta é ter continuidade do caso, após o registro do boletim de ocorrência. Mas muitas
vítimas não vão adiante com a abertura do inquérito (o BO, sozinho, não basta para abrir investigação). A consequência disso, segundo ele, é que não se muda a cultura da população.
Cabe destacar que não foi a internet que causou isso, mas ela serve apenas como um meio para determinadas pessoas atacarem as outras. Se o racismo vêm da pessoa, ela arranjará outra forma de expressar isso. E que fique claro que o racismo é crime em qualquer lugar que for expressado, seja pessoalmente ou por meios de comunicação.

"Com o número crescente de crimes informáticos, golpes e casos graves de racismo, pedofilia e violência virtual, reunimos os nossos artigos de como proceder e denunciar estes atos ilícitos".

Se liga:Injúria-O crime de injúria está previsto no artigo 140 do Código Penal e consiste em ofender a dignidade ou o decoro de alguém “na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.
-A pena pode chegar a três anos de reclusão. 

-Racismo é ofender e discriminar toda uma coletividade ou grupo de indivíduos. Preconceito contra a coletividade dos judeus ou dos umbandistas (exemplo).Se o promotor entender que houve racismo, os acusados podem responder pelos crimes previstos na Lei 7.716, de 1989.
-Há várias penas possíveis para racismo, entre elas prisão e multa. O crime de racismo não prescreve e também não tem direito à fiança.

- Os crimes mais graves, como pedofilia e tráfico de drogas, têm utilizado uma rede paralela na internet, fechada e com o uso de informações criptografadas. “Porém, ainda é preciso ficar de olho ao que crianças e adolescentes fazem no mundo virtual, pois elas são

os principais alvos desse tipo de criminoso on-line”,

-Uma lei que criminalize a homofobia, especificamente, ainda não existe no Brasil.

“Procure sempre seu nome em sites de busca para ver se alguém está usando suas informações”, aconselha o especialista.

Um afro abraço.

Claudia Vitalino.

fonte:racismo-no-brasil.info/racismo-virtual.htm/noticias.bol.uol.com.br/fotos net

quarta-feira, 25 de maio de 2016

25 DE MAIO: DIA DE ÁFRICA

Comemora-se a 25 de Maio, o Dia de África, a data foi instituída pela “Organização da
Unidade Africana” em 1963. Em Julho de 2002, esta organização foi substituída pela “União Africana”. A União Africana (UA) foi fundada em 2002 e é a organização que sucedeu a Organização da Unidade Africana. Baseada no modelo da União Europeia (mas actualmente com actuação mais próxima à da Comunidade das Nações), ajuda na promoção da democracia, direitos humanos e desenvolvimento na África, especialmente no aumento dos investimentos estrangeiros por meio do programa Nova Parceria para o Desenvolvimento da África. Seu primeiro presidente foi o presidente sul-africano Thabo Mbeki.

"Objectivos da União Africana -A União Africana tem como objectivos a unidade e a solidariedade africana. Defende a eliminação do colonialismo, a soberania dos Estados africanos e a integração económica, além da cooperação política e cultural no continente".

O secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, aproveitou este dia para se exprimir
acerca de África. Sublinhou nomeadamente que o continente tem que continuar a industrializar-se mas de uma maneira mais ecológica ao promover as energias renováveis e ao travar a de florestação
Além disso, reiterou que África tem tido um bom crescimento econômico (em 2016 a taxa de crescimento situou-se nos 4,4% contra os 3,7% de 2015) o que, no entanto, não deve impedir os dirigentes africanos de trabalhar para travar o aumento das desigualdades sociais. Finalmente, sublinhou também que incitava todos a aliar-se ao desenvolvimento durável do continente e que o que "é benéfico para África, é benéfico para o mundo inteiro".

Membros- A União Africana possui 53 membros, cobrindo quase todo o continente africano
África do Sul, Argélia, Angola, Benim, Botswana, Burkina Faso, Burundi, Cabo Verde, Camarões, Chade, Congo Brazaville, Costa do Marfim, Djibouti, Egito, Eritreia, Etiópia, Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Lesoto, Libéria, Líbia, Malawi, Mali, Maurícias, Mauritânia, Moçambique, Namíbia, Nigéria, Quênia, Rep. Centro-Africana, Rep. Dem. Do Congo, Ruanda, Saara Ocidental, São Tomé e Príncipe, Senegal, Serra Leoa, Seychelles, Somália, Suazilândia, Sudão, Tanzânia, Togo, Tunísia, Uganda, Zâmbia, Zimbabwe.

Membros suspensos
Guiné - suspenso depois do Golpe de Estado de 2008.
Madagáscar - suspenso depois do Golpe de Estado de 2008.
Níger - suspenso depois do Golpe de Estado de 2010.A história dos países africanos é marcada por luta e preconceito. O apartheid, por exemplo, foi o regime de segregação racial
que vigorou na África do Sul, entre os anos de 1948 e 1990. Hoje, a África conseguiu a independência de seu continente, mas ainda assiste aos desentendimentos políticos em muitos paíse

Membros suspensos
Guiné - suspenso depois do Golpe de Estado de 2008.
Madagáscar - suspenso depois do Golpe de Estado de 2008.
Níger - suspenso depois do Golpe de Estado de 2010.

O actual presidente da União Africana é O presidente Líbio, Muammar Kadhafi, mentor da ideia da criação do governo federal da UA.

No Brasil, o Programa Brasil-África: Histórias Cruzadas celebra esse dia para promover o reconhecimento da importância da interseção da história e da cultura africana com a história e a cultura brasileira, buscando transformar as relações entre os diversos grupos étnico-raciais que formam o país.

Esta celebração é uma oportunidade para se organizar festividades culturais como, exposições artísticas, filmes, apresentações, exposições gastronômicas e noites de gala. É
também uma ocasião para se organizar conferências e debates sobre várias questões importantes a respeito do continente africano e das influências desse continente na história e na cultura brasileira.

Um afro abraço.

fonte:www.melhorenaescola.r7.com/biblioteca/www.unesco.org/new/pt/brasilia/

terça-feira, 24 de maio de 2016

Rio Rumo ao Congresso Nacional da UNEGRO será realizado na cidade universitária, em junho-2016

"Negros e negras no poder e em defesa da vida"
SÃO LUÍS - A Universidade Federal do Maranhão sediará, de 10 a 12 de junho, o 5º Congresso Nacional da UNEGRO – União de Negros Pela Igualdade. O anúncio foi feito hoje pela reitora, Nair Portela, ao receber o presidente nacional da UNEGRO, Edson França, e o secretário de Igualdade Racial do Estado, Gérson Pinheiro.

Documento Guia do 5º Congresso Nacional da UNEGRO
"Negros e negras no poder e em defesa da vida"
Crise e racismo
1. A crise econômica é o principal impasse imposto à humanidade atualmente, dela decorrem e recrudescem outras crises (ambiental, energética, ética e política) e fenômenos sócios políticos negativos direcionados contra populações politicamente minorizadas como: o racismo, xenofobia, nacionalismo reacionário, ascensão de ideários nazifascistas, ultradireitiação da política e demais extremismos ideológicos baseados nas diferenças humanas.
2. Na crise aumenta a agressão e espoliação sobre nações e povos, ataques beligerantes torna-se um recurso político comum para as grandes potências, populações civis são brutalmente vitimadas, exemplos dessa lógica são as desintegrações de Estados Nacionais através da guerra imperialista - contra a Líbia, Iraque e Síria. Intensificam os saques de recursos naturais atentando contra soberania econômica de países em desenvolvimento. Cresce a brutal concentração de riqueza, sempre privilegiando o centro do capitalismo e empobrecendo ainda mais os mais pobres. Vemos com maior nitidez a relação entre crise e empobrecimento na África e América Latina.
3. Outros fatos como o crescimento da onda de violência contra negros nos Estados Unidos, conflitos raciais e étnicos na França. Assim como os graves problemas ocasionados pelo êxodo desordenado de africanos e árabes para a Europa, a fim de escaparem da morte nas guerras promovidas em seus respectivos países. A proliferação de leis anti-imigratórias draconianas, crescente islamofobia nos países centrais e a iminência de acirrar choques culturais e civilizatórios. O endurecimento do sionismo e da violência de Israel contra os palestinos, ganhando contorno de um holocausto de um povo. O extermínio da juventude negra brasileira e a condição de vulnerabilidade social, econômica e política dos povos afrodescendentes em todo planeta. Esses fenômenos somados afirmam a assertiva da UNEGRO: há uma umbilical intersecção entre crise e racismo, na medida em que a crise agrava o racismo recrudesce. Isso porque o racismo tem objetivos políticos e econômicos, gera cenários materiais e políticos favoráveis para alguns em detrimentos de outros, por isso seu combate se insere na luta de classe luta, seu sucesso fere privilégios e se desenvolve com maior desenvoltura em ambientes democráticos e de prosperidade coletiva.
Crise na América Latina
4. A crise econômica e política chegam com força em toda América Latina, com ela emergem ideários conservadores, reacionários, racistas e golpistas varrendo e comprometendo a onda progressista que caracterizou a região nos últimos quinze anos. Há um quadro perigoso que ronda toda América Latina, colocando em risco a prosperidade regional e a condição de se manter como uma região global de paz e sem conflito.
5. Essa perigosa direitização é percebida nos resultados imediatos da queda das forças progressistas na presidência da Argentina, com a agenda pró imperialista de Maurício Macri. No golpe parlamentar no Paraguai e em Honduras e os consequentes ataques desses ilegítimos governos aos trabalhadores e sindicatos nesses países. O recrudescimento da agressão neoconservadora na Venezuela, a crise de abastecimento não superada pelo Governo Bolivariano, dado o boicote imposto pela classe dominante e a possibilidade de intervenção dos EUA no país vizinho. O conflito armado ainda insolúvel na Colômbia, apesar de se constituir no principal clamor do povo colombiano. A ininterrupta agenda do golpe promovido pelo sistema de oposição no Brasil (grande mídia, setores do judiciário, setores da política federal e partidos de oposição). Ocorre que esse quadro se constitui em terreno infértil para políticas que emancipam os trabalhadores da pobreza. Povos indígenas e afrodescendentes das garras do racismo, violência e abandono. Mulheres do machismo, especialmente as não brancas.
6. Para a UNEGRO somente uma aliança que envolva amplamente setor o produtivo, partidos de centro e de esquerda com interesses nacionais, movimentos sociais, trabalhadores, povos indígenas, negros e populares será capaz de estancar o avanço reacionário na América Latina, está patente que só o voto não sustenta governos e projetos, é necessário constante mobilizações de massa, unidade programática e pressão com capacidade de impulsionar a agenda progressista.
Crise no Brasil
7. No Brasil, principal potência regional, a gravidade da crise política e econômica ameaçando importantes conquistas e direitos consolidados dos trabalhadores. Estamos sob um processo de deterioração da qualidade de vida do povo (colocar alguns índices da macroeconomia). As saídas apresentadas pela Presidenta Dilma esse momento de grande pressão e reação conservadora – alta taxa de juros, aumento de preços controláveis, contingenciamento dos recursos da educação e saúde, proposta de reforma previdenciária e trabalhista, privatizações - se distanciam do projeto que a elegeu e vão ao encontro do rentismo, ou seja, atende aos interesses dos banqueiros, do mercado financeiro, do capital especulativo internacional, logo são saídas de caráter neoliberal.
8. Vários fatores conjugados derrotaram a tentativa de Dilma implantar um projeto desenvolvimentista com forte conteúdo social: a crise mundial não arrefeceu e desembarcou com força no Brasil; o volume de incentivos à produção e desonerações fiscais para manter salários, empregos e desenvolvimento criaram um rombo no Tesouro; forte desindustrialização do Brasil; consolidou uma aliança entre o setor produtivo e rentista contra a intervenção do Estado na economia, fato que amedronta o pensamento liberal; a Operação Lavajato jogou desconfiança de ampla parcela da população no governo e no principal partido de sustentação, o PT; dispersão da base parlamentar; e a opção da oposição pela política do quanto pior é melhor. Não há dúvida que Dilma está enfraquecida e será necessário retomar a iniciativa perdida para que novamente o projeto vitorioso na eleição se realize.
9. A democracia no Brasil sangra, um ilegítimo sistema de oposição aparelhada em importantes nichos do Judiciário, Ministério Público e na Polícia Federal, utilizando concessão pública para explorar sinais de TV e rádio e atuando no Congresso Nacional desferem ataques sistemáticos para interromper o mandato de Dilma, desmoralizar Lula e inviabilizá-lo para eleições presidenciais de 2018, varrer o PT do mapa político, liquidar toda a esquerda, silenciar o movimento social e implantar um projeto conservador no Brasil.
10. Nesse momento de dificuldade e perda de esperança, a UNEGRO reitera a confiança em Dilma Rousseff e no projeto que a elegeu. Rechaça com veemência qualquer tentativa de golpe. Considerando que não há base legal ou política para o impedimento do mandato presidencial de Dilma Rousseff, a UNEGRO estará nas ruas e em outros espaços de sociabilidade defendendo a legitimidade de seu mandato e denunciando o golpismo atávico da reacionária elite brasileira. No entanto, reivindica que o combate ao racismo seja uma sincera determinação de seu governo e reivindica também a retomada de uma política de desenvolvimento nacional com distribuição de riquezas.
11. Como saída para a crise e retomada do desenvolvimento a UNEGRO defende um profundo mergulho do Governo na pauta dos movimentos sociais e em caráter imediato: redução da taxa de juros, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, taxação das grandes fortunas e heranças, superávit zero, fortalecimento das estatais ampliando os investimentos, avançar na reforma agrária e na regularização das terras quilombolas, acelerar o PAC principalmente em habitação, saneamento e mobilidade urbana, criminalização da sonegação de imposto e viabilizar os acordos de leniência com as empresas denunciadas pela operação Lavajato.
Contexto luta contra o racismo
12. Nos últimos anos houve importantes avanços na luta contra o racismo, inegavelmente há novos fatores contribuindo com a melhoria da qualidade de vida de expressiva parcela da população negra para além das políticas sociais de transferência de renda, os principais destaques são: conquista da lei das cotas nas universidades púbicas federais e no serviço público; obrigatoriedade de revisão do currículo escolar a fim de mitigar o excessivo eurocentrismo que sempre caracterizou as bases curriculares brasileiras; aperfeiçoamento do ordenamento jurídico e institucional dado pelo Estatuto da Igualdade Racial e pela proliferação de órgãos para implantação de políticas de igualdade racial nos âmbitos dos estados e municípios.
13. No entanto, há muitas lacunas. Os avanços registrados são insuficientes diante do abissal fosso socioeconômico que historicamente separa pobres e ricos, negros e brancos. Tímidos diante das mazelas decorrentes do racismo que impacta sobre a população negra, com agravantes específicos sobre mulheres e jovens negros.
Desigualdade
14. O fortalecimento do poder aquisitivo do salario mínimo e as políticas de transferências de rendas adotadas nos últimos 13 anos têm sido fundamental para melhoria da qualidade de vida da população negra, por isso a UNEGRO defende sua manutenção e atualização do valor dos benefícios, no entanto, temos que transitar para medidas governamentais que gerem autonomia e ascensão permanente aos beneficiários. Além das políticas de ações afirmativas, a UNEGRO aposta na educação, trabalho e em fomento de iniciativas empreendedoras para mitigar as históricas desigualdades social, econômica e política entre brancos e negros, que persistem no Brasil.

Sub-representação política
15. O movimento negro não conseguiu elaborar estratégias para minorar a sub-representação negra nos espaços de poder e decisão - apesar da constatação de que a cara do poder político e econômico no Brasil é branca. A UNEGRO defende uma reforma política que amplia a democracia, desmobiliza a influência do poder econômico sobre o resultado das eleições e estabeleça mecanismos que supere a sub-representação de mulheres, negros e jovens nas casas legislativas e no executivo. Consideramos que a correlação de forças no Congresso Nacional impossibilita uma reforma que democratize o sistema político, somente a elevação da consciência das massas e o voto responsável pode corrigir as principais debilidades da representação, por isso propomos que o movimento negro invista no estimulo ao voto em candidaturas negras a partir de critérios políticos que atendam os mais legítimos interesses do país e do povo brasileiro.
16. Consideramos negativa a perda do status de ministério da SEPPIR, o modelo estrutural não está superado, o racismo institucional ainda contamina o Estado, a gestão e a política pública. Seu enfraquecimento não deu resposta aos objetivos que impuseram a reforma ministerial realizada em 2015 por Dilma: corte de gasto e recomposição da base parlamentar. Defendemos a garantia da política, apesar da perda de protagonismo institucional e em período breve, avaliaremos os resultados a partir da nova estrutura ministerial.
17. A UNEGRO defende que as cotas nos serviços públicos se estendam aos cargos comissionados, não podemos ver com naturalidade a sub-representação de negros nos ministérios e nos altos escalões do governo. Não há negros no Supremo Tribunal Federal – STF, mais Alta Corte da nação, fato inaceitável, pois caracteriza uma flagrante insensibilidade e atraso do Governo atual em matéria de representação de negros em espaços de poder e decisão, considerando que havíamos avançado nessa matéria durante o governo Lula.
Políticas de Igualdade Racial (PIR)
18. A UNEGRO está entre os principais artífices das políticas de igualdade racial, participou de todo processo de estruturação da SEPPIR, entre 2003 a 2015 teve quadros unegrinos contribuindo com a gestão, compõe o Conselho Nacional de Igualdade Racial desde sua instalação. Essa experiência acumulada permite dizer que a PIR está em crise. Os principais fatores são: crise econômica e política, sub-financiamento da PIR, falta de efetividade, não legitimação da necessidade da PIR por parcela dos operadores decorrente do racismo institucional, banalização dos instrumentos legais que promovem a igualdade racial (Constituição Federal, Lei Caó, Lei 10.639/03 e Estatuto da Igualdade Racial). Hoje o único instrumento que dispõe de efetivo funcionamento é a cota nas universidades públicas, ainda assim, não são direitos universalizados em todas as instâncias federativas, e sofrem boicotes através de autodeclarações falsas.
19. Para a UNEGRO a falta de defesa efetiva dos instrumentos legais que a dão suporte a PIR fragiliza politicamente sua efetiva implantação. Excetuando a Lei 10.639/03, as outras matérias tem habitado pouco o cotidiano do movimento negro. A ausência de atores sociais comprometidos com a defesa de conquistas gera vulnerabilidade e esquecimento.
20. Consideramos que a PIR tem limites objetivos, 500 anos de marginalidade construída pela escravidão e o racismo não se supera em 15 anos apenas com ações afirmativas. Por isso o movimento negro precisa de projeto político para o Brasil, sair do isolamento nos movimentos sociais, superar a subestimação, no campo progressista, sobre o impacto do racismo na luta de classe e vençam a constante relativização do movimento em incorporar nas suas reivindicações pautas gerais estruturantes à nação.
Violência contra mulheres e jovens
21. O Estado e os governantes têm dado respostas insuficientes sobre a violência policial e as sucessivas chacinas (a maioria envolvendo agente policial) que impactam sobre a juventude negra em todo país, somado ao criminoso silêncio diante do crescimento da violência contra as mulheres negras, constatado no Mapa da Violência recém-divulgado. Há uma incômoda semelhança dessas respostas em governos de diferentes campos políticos, em especial quando a vítima é um jovem negro da periferia. Sugerindo autonomia das instituições policiais aos governos, ou uma aprovação inconsciente e silenciosa das práticas violentas, devido a existência no Brasil de um racismo atávico herdado de épocas que remontam a escravidão. Não há plano de redução da mortalidade da juventude negra, ainda que o Mapa da Violência constate que dos 56.337 assassinatos na última década, 30.072 foram jovens negros de 15 a 29 anos, não verificamos uma ampla comoção social e esforços governamentais para extinguir esse fenômeno que envergonha a nação. O racismo naturalizou secularmente o assassinato de jovens negros e a violência crescente contra as mulheres negras.
22. Diante do exposto, mesmo consciente de que o racismo é um oponente poderoso e ator fundamental das derrotas acumuladas na luta antirracismo, o movimento negro brasileiro terá que repensar sua ação. O contraponto à ofensiva racista pode e deve ser aperfeiçoado. Recrudesce o racismo, o ódio e a intolerância nas redes sociais, na televisão e no cotidiano social em geral. Para a UNEGRO, movimento negro deve, sem negar a especificidade, discutir as grandes pautas nacionais e a partir de um olhar negro propor um projeto para o país, que incorpora todos. Não podemos nos furtar da condição de falar como maioria populacional. Esse olhar negro mais estrutural sobre o Brasil não revoga as ações afirmativas, ao contrário, compreendemo-las como instrumento para acumulação de forças, não um fim estratégico suficiente, que ao ser implantado superará o racismo.
Convergência Negra
23. A necessidade de unidade na luta do negro contra o racismo e a desigualdade social está entre os mais consolidados consensos para as lideranças e militância negra, não há registro histórico em que a luta contra opressão racial tenha se desenvolvido positivamente ignorando a força da união. Aliás, o sucesso e fracasso de Palmares estão ligados a capacidade de manter ou não a unidade entre as várias comunidades que o compunha. A abertura dos principais ciclos de acumulação política do movimento negro teve como pano de fundo um processo de construção de convergência.
24. A fragmentação e o choque entre as diferentes táticas de combate ao racismo tem gerado confusão, desperdício de energia e talentos, subutilização de lideranças negras comprometidas com o antirracismo e com capacidade de dialogar mais amplamente com a sociedade brasileira. Mantendo a pulverização das ações, fica impraticável obter sucesso na mobilização e contato com as massas, enfraquecendo a legitimidade da representação e provocando descompassos, incompreensões e falta de adesão da população negra as propostas do movimento. Há um perigoso agravante gerado pela falta de coesão no movimento negro: distanciamento e autonomização de um amplo setor da juventude negra - especialmente entre os cotistas – dificultando a transmissão de acúmulos e legados.
25. A UNEGRO, desde sua gênese, tem compromisso com a unidade do movimento negro, por isso sempre nos somamos às ações comuns e compomos as estruturações de fóruns e outros processos de aglutinação e unidade na luta das organizações negras brasileiras. Em documentos congressuais temos reiterado o compromisso da unidade e nos esforçando cotidianamente nesse caminho, sem vaidade ou disputa de protagonismo. Compreendemos que a verdadeira disputa se dá na conquista de corações e mentes das massas com objetivo de posicioná-la em favor das teses de justiça social e compromisso com a luta pela superação do racismo.
26. A UNEGRO acredita na viabilidade de um espaço político capaz de galvanizar ideias, organizações e lideranças negras com representatividade e legitimidade para conduzir os rumos da luta contra o racismo, valorizando consensos, zelando pela unidade e formulando saídas para superação dos impasses econômicos, sociais e políticos que forçam a permanência da população negra nas franjas da sociedade.
27. Por isso, a UNEGRO assume o compromisso de envidar esforços na construção de um amplo processo de convergência das pautas políticas e das organizações do movimento negro, na perspectiva da consolidação de um polo hegemônico para impulsionar a luta política contra o racismo no Brasil, tal qual, ocorreu com a Frente Negra Brasileira/FNB (1932) e o Teatro Experimental do Negro/TEN (1945), Movimento Negro Unificado/MNU (1978) e a Coordenação Nacional de Entidade Negras/CONEN (1991) - em seus primórdios.
Balanço e perspectiva para UNEGRO
28. Do 4º Congresso Nacional da UNEGRO aos dias atuais foi um período de crescimento lento e gradual da Entidade, de modo que nos consolidamos como uma das maiores, mais coesas e influentes entidades do movimento negro brasileiro. Participamos entre os protagonistas das principais ações do movimento negro, respondemos adequadamente os desafios exigidos na luta contra o racismo, ampliamos nossa capacidade de interlocução no movimento negro e social, com o poder público e outras instituições politicas (partidos, fundações, organismos multilaterais, etc.).
29. Articulamos, com o movimento negro, audiências no Palácio do Planalto para defender reivindicações relacionadas à incorporação de negras e negros no altos cargos da gestão pública e nas estatais, além de levar medida para organizar o acompanhamento e controle da implantação das cotas no serviço público federal. Participamos das reuniões com a Presidenta Dilma e o movimento negro, bem como participamos de reuniões da Presidenta com os movimentos sociais em diferentes ocasiões. Sempre com pautas que enfrentam os principais gargalhos do racismo e atendam os interesses dos trabalhadores.
30. Articulamos setores expressivos do movimento negro para se posicionarem e agirem unitariamente contra a redução da maioridade penal, a perda do status de ministério da SEPPIR, fatos que produziram resultados positivos parciais, mas demonstraram que há maturidade no movimento negro para a construção de uma ampla convergência de agenda e pauta para ação unitária em 2016. Participamos da construção de duas reuniões, em Salvador e Porto Alegre onde balizaram os termos dessa ampla unidade. Há reconhecimento do papel fundamental que a UNEGRO joga para o sucesso desse delicado processo de costura de unidade em cenário histórico de diversidade, fato que aumenta nossa responsabilidade com os rumos da luta racial no Brasil.
31. Garantimos nossa participação nas grandes mobilizações nacionais provocadas pela tentativa de golpe à democracia e para exigir mais direitos aos trabalhadores e ao povo. Valorizando a compreensão de que é necessário o movimento negro incorporar bandeiras das lutas gerais dos movimentos sociais. Compomos o Conselho Deliberativo do Fórum Nacional de Democratização dos Meios de Comunicação – FNDC, principal espaço de luta contra o monopólio midiático. Compusemos, desde o inicio, o vitorioso processo de construção da Frente Brasil Popular, importante engenharia política responsável pela mais ampla unidade da esquerda brasileira desde a época de FHC. Além de acompanhar e compor a construção da Frente Povo Sem Medo, mais uma alternativa de articulação do movimento negro, nossa perspectiva nessas frentes é somar esforços para sedimentar uma sólida unidade dos movimentos sociais e suas frentes.
32. Reforçando nosso internacionalismo, participamos dos esforços dos movimentos sociais brasileiros na organização de todas as versões e atividades preparatórias do Fórum Social Mundial. Compomos os esforços da sociedade civil em incidir na integração continental, pressionamos o governo para garantir participação popular na consolidação do MERCOSUL e UNASUL, participamos das Cúpulas Sociais no Brasil, Venezuela, Uruguai e Paraguai dando um corte racial nas reivindicações da sociedade civil. Nossa participação assídua nas discussões sobre integração da América Latina resultou na eleição da UNEGRO para integrar o Fórum Permanente de Participação Popular da UNASUL, com isso, estamos entre as dez organizações nacionais que representam a sociedade civil brasileira nessa instância formal de participação da sociedade civil.
33. No diálogo com o poder público assumimos importantes conselhos de políticas públicas: Conselho Nacional de Igualdade Racial – CNPIR, Conselho Nacional de Juventude – CONJUVE, Conselho Nacional de Saúde – CNS, Conselho Nacional de Direitos Humanos – CNDH e Conselho Nacional de Política Cultural - CNPC. Compomos o Comitê Técnico de Saúde da População Negra, Comissão de Acompanhamento de Implantação das Cotas nas Universidades Públicas Federais do Ministério da Educação e a Comissão Nacional de Enfretamento do Tráfico de Pessoas – CONATRAP, do Ministério da Justiça. Consideramos relativo sucesso em nossa tática, visto que esses espaços formais de controle social aumentam o alcance, responsabilidades e protagonismo da UNEGRO.
34. Apesar de vários pontos positivos elencados, responsáveis pelo fortalecimento da Entidade no movimento negro e social, há desafios não superados. No plano político precisamos aproximar mais a Entidade da juventude periférica e dos cotistas; nos posicionar cotidianamente diante dos fatos envolvendo racismo ou outros temas de interesse da população em geral; aprimorar a participação da UNEGRO nos órgãos de controle social; ajustar nossa presença nas Operativas Estaduais da Frente Brasil Popular; dialogar, filiar e abrir a Entidade para incorporar amplamente mais lutadores sociais (sindicalistas, feministas, LGBTs, intelectuais, líderes partidários, etc.); nos apropriar da discussão sobre cultura e garantir a presença da UNEGRO e sua militância nos espaços de cultura negra (escolas de samba, afoxés, clubes negros, irmandades, casas de matriz africanas, grupos de capoeiras, posses de hip hop, et.); mergulhar nas massas com objetivo de criar sentimento de pertencimento em ambas as partes e engajá-las na luta politica contra o racismo e por um projeto nacional que incorpore o povo como prioridade.
35. No plano organizativo precisamos estruturar uma direção mais enxuta e coesa, com compromisso, disponibilidade e condições de assumir tarefas; fortalecer as coordenações nos estados e conectá-las às ações nacionais; investir na formação dos quadros dirigentes, intermediários e da militância; organizar as finanças da Entidade com vista a liberar quadro para cuidar exclusivamente da Entidade, ter uma sede e profissionalizar a comunicação; aprimorar o protagonismo jovem e feminino.

Esse documento esta sendo debatido pela UNEGRO em todo pais...

No RJ foi tema de nossos debates nos municípios e nos coletivos de base e formação...
Plano de luta 2016 / 2020
Essa parte será construída nas plenárias estaduais e finalizada nos grupos de trabalho durante o Congresso.

Um afro abraço.

A DIREÇÃO.

fonte:www.unegro.org.br

Movimento Black onde começou -Desarmado e perigoso!

O mais antigo conhecimento do uso da expressão "Black Power" veio de um livro de
Richard Wright de 1954 intitulado "Black Power". O primeiro uso da expressão em um sentido político pode ter sido por Robert F. Williams, presidente da NAACP, escritor e editor da década de 1950 e 1960.

- A expressão "Black Power" foi criada por Stokely Carmichael, militante radical do movimento negro nos Estados Unidos, após sua vigésima sétima detenção em 1966. "Estamos gritando liberdade há seis anos. O que vamos começar a dizer agora é poder preto".

Black Power (em português: Poder negro) foi um movimento entre pessoas negras no mundo ocidental, especialmente nos Estados Unidos. Mais proeminente no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, o movimento enfatizou o orgulho racial e a criação de instituições culturais e políticas negras para cultivar e promover interesses coletivos, valores antecipadamente, e segura autonomia para os negros.
Ainda no rock, o tecladista Billy Preston, famoso por ter tocado com os Beatles, também aderiu ao movimento e passou boa parte dos anos 70 excursionando com um black power de dar inveja. Por fim pinçamos o nome da sul-africana Miriam Makeba, carinhosamente chamada de Mama Africa, que durante seu exílio nos Estados Unidos, adotou o black power. Ainda em 1970, o fenômeno da disco music ganhou espaço e liderado pelos negros, surgiu com força total e logo caiu nas graças do público, tendo sido o black power um dos principais ícones do movimento, destacado na cabeça de membros de grupos como o Earth Wind and Fire.Apesar de sair de moda nos anos 80, o afro voltou com força total no começo do século 21, mais uma vez amplamente difundido na música. A partir de 2000, Lauryn Hill e Lenny Kravitz e um pouco antes, a cantora Erykah Badu repescaram o fluxo da estética como mensagem de afirmação. Com o avanço dos anos, o estilou ganhou ainda mais força, e nomes como a baixista Esperanza Spalding e a cantora brasileira Anelis Assumpção foram exemplos da preferência aos cabelos naturais.

Na política, o carisma de líderes como Martin Luther King e Malcom X arregimentavam multidões. Os cabelos black power ditavam a moda, não como um estilo puro e simples, mas como a maneira encontrada para demonstrar o orgulho e a união da raça em todo o planeta. Na seara musical, a soul music surge como uma autêntica manifestação da cultura

negra e um dos ritmos que mais influenciou a música brasileira no início dos 70s. Quase 40 anos depois, a Som Livre lança a coletânea Soul Brasil, um retrato fiel da soul music no País, com gravações originais de artistas que entraram para a história musical brasileira.

Enquanto isso nas terras tupiniquim ...

Os anos 60 foram marcados pelo sentimento libertário e pela luta do movimento negro, nascido na América, e que não demorou para desembarcar no Brasil. Provavelmente, foi nesta década que o mundo conheceu o verdadeiro sentido da palavra consciência negra.

Desarmado e perigoso...
O subúrbio do carioca ferveu ao balanço da música negra em 1977. O gênero que fundia a soul music ao samba ganhava uma projeção inédita e transbordava e importava idéias: os artistas burilavam suas canções, enquanto os adeptos em geral se espelhavam na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos para combater o preconceito racial. O assédio das gravadoras, que buscavam seu quinhão black, transformava a música negra em uma arma prestes a disparar.

Era nesse clima vitorioso que Gérson King Combo aguardava no camarim do clube Magnatas o início do que prometia ser “o lançamento do movimento Black Rio”.

No ano anterior, ele havia levado cerca de 30 mil pessoas ao Portelão para dançar as

músicas de Volume I. Como de costume, chegou com seu Dodge Dart com bancos de veludo e hipnotizou a platéia com uma performance incendiária, que incluía os músicos da União Black e um funcionário exclusivo para pôr e tirar sua capa de “rei”. Dessa vez, entretanto, o empregado não teria trabalho.

“Estava tudo bem organizado, todos pareciam unidos naquele ideal black, da vestimenta à posição de enfrentamento”, lembra Zé Rodrix, que esteve no show. “Mas quatro camburões da Polícia Federal chegaram e colocaram todo mundo para fora com truculência. Não fiquei para ver o final...” A repressão ao show de Combo não era um fato isolado. Os órgãos da repressão estavam preocupados com o possível direcionamento político do movimento black. Em entrevista à Folha de S.Paulo de dezembro de 2001, o executivo da Philips André Midani confirmou o temor com o engajamento dos artistas negros. “Os militares achavam, com toda a razão, que, se um dia a favela fosse se politizar, se militarizar, era a revolução social neste país. Não sei quem inventou isso, mas se uma vez tive problema, foi quando alguém disse que eu recebia dinheiro do movimento black norte-americano para comandar a subversão nas favelas. Aí passei uns dias ruins.”

A incorporação dos artistas negros aos festivais, no início da década, já havia sido conturbada. E dias ruins quem viveu de fato foi Erlon Chaves, que subiu ao palco para defender “Eu Também Quero Mocotó”, ao lado de sua Banda Veneno, no FIC de 1970. Como parte da performance, duas garotas loiras surgiram no palco e os três se beijaram na boca. Foi o suficiente para Chaves ser preso e torturado pelo Dops. Curiosamente, o mesmo FIC revelou Toni Tornado com “BR-3”. Chaves ainda faria arranjos em Ela (1971), disco de Elis que continha “Black Is Beautiful”, mas nunca mais exibiu a mesma confiança profissional. Tornado também foi alvo de investigações da polícia, que temia que ele disseminasse um movimento semelhante ao dos Panteras Negras – também pesou o namoro com a atriz branca Arlete Sales.

Em 1974, no lançamento de um disco da equipe Soul Grand Prix pela WEA (gravadora criada no Brasil por Midani), um comando da polícia invadiu o Guadalupe Country Clube, no Rio de Janeiro. Portanto, a repressão policial fazia parte da realidade dos nossos funk soul brothers desde sempre. Cabelos black power e sacolas de discos eram revirados à procura de drogas quando se ia ao Clube Renascença e ao Canecão, onde ocorriam os Bailes da Pesada de Ademir Lemos e o DJ Big Boy. Mas, então, não havia uma preocupação formalizada dos militares. A música negra até meados dos anos 70 ia do suingue de Bebeto ao easy listening de Ed Lincoln, passando por Orlandivo, Franco e, claro, o samba-rock de Jorge Ben. A posterior conscientização do subúrbio carioca é que começou a incomodar os órgãos de repressão.

Primavera blackA Phonogram tinha dois tradutores do soul: Tim Maia e Cassiano. Desde 1968, Tim difundia o gênero. Após a viagem mística de sua fase “Racional”, estava de volta ao mercado secular. A sonoridade daqueles renegados álbuns fora extremamente influente na passagem da soul music para o funk. Cassiano privilegiou a suavidade em seus arranjos, conseguindo êxito com “Primavera”. Em 1976, ele estava com Cuban Soul e a pérola “A Lua e Eu” nas mãos. A Polydor cuidava de Gérson Combo e União Black, cujo álbum saiu em 1977.

Diluição-Diferentemente da tropicália, os artistas negros tornaram-se subversivos por exibir orgulho de sua cultura e cor. Não pretendiam, necessariamente, se víncular à luta armada ou, apesar da importação de valores, aos Panteras Negras. Gérson disse que “na época da ditadura era um radical sem consciência”. Pára-quedista, ele viu Caetano e Gil presos no Realengo, em 1968, mas, como definu “cabeça de soldado é feita para obedecer”.

A musicalidade era o ponto de convergência daquela geração e a influência estrangeira surgiu como uma opção à MPB, que não oferecia canais para ela se expressar. Como escreveu Ana Maria Bahiana no Jornal da Música, os blacks “acreditavam que o samba tinha capitulado aos brancos e era coisa de turista”.

Seja como for, a ação repressiva surtiu efeito neutralizador. “Todos recuaram, a proposta black ficou descaracterizada e a consciência, perdida”, acredita Zé Rodrix. Já em 1978, muita coisa mudou. Tim Maia preferiu mergulhar nas discotecas com “Sossego” (título sugestivo). Jorge Ben deu uma guinada para um som mais dançante e menos atrelado à poesia de subúrbio em A Banda do Zé Pretinho. Dom Beto buscou Lincoln Olivetti para lançar Nossa Imaginação desatrelado do movimento. Gérson, depois de Volume II, passou

anos no ostracismo até ser resgatado pela geração hip hop. Seu discurso não resistiu às novas regras do mercado, que, mesmo com o fim do AI-5, redirecionaria os artistas para a disco music, que considerava uma vertente de fácil manipulação e maior potencial de venda. As equipes de som tiveram de buscar no miami bass as sementes do funk carioca. O ímpeto e a atitude original se esvaíram. A cabeça (pensante) do movimento adormeceu e, a partir do advento da discoteca, a música black dirigiu o foco para os quadris para “dançar bem, dançar mal, dançar sem parar”.

"Hoje, parte dos jovens negros assimilam a expressão "Black Power" a um estilo de cabelo ... O histórico e político que existe para a criação da expressão é resistência,cultural  contra o sistema."


São quase 70 anos na luta da afirmação de estética como identidade na diáspora, em que o cabelo e sua naturalidade sobressaem aos padrões de beleza ocidentais para se afirmar como instrumento de resistência e cultura. Nesse contexto, seja na política ou nas artes, o black power foi e é um símbolo que transcende as fronteiras da beleza e significa para o negro o resultado da luta de seus antepassados e também a determinação em manter viva a identidade de quem lutou pelos seus direitos. Na busca de direitos, cabelo é identidade e é também um símbolo de respeito.

Lançar os cabelos cacheados no plano daquilo que é “diferente”, “exótico”, abre espaço para uma tolerância passageira...

-Mais, que pode até durar algumas estações sera? eu duvido...
Aliás, esse espaço é bem pequeno. Aparentemente, nele só cabem os ondulados (perfeitamente desarrumados?!) e cacheados definidos. 
Os cabelos crespos continuam na outra ponta, pouco representados, ainda...
- Esta aberto o fraterno debate...

Um afro abraço.


Claudia Vitalino.

fonte:www.parana-online.com.br/super.abril.com.br/cultura/www.afreaka.com.br/.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Origem que se tem noticia da capoeira : De luta proibida a esporte nacional.

Raízes africanas -     A história da capoeira ficou conhecida no século XVI, na época em que o Brasil era colônia de Portugal. A mão-de-obra escravizada africana foi muito utilizada
no Brasil, principalmente nos engenhos (fazendas produtoras de açúcar) do nordeste brasileiro. Muitos destes escravizados vinham da região de Angola, também colônia portuguesa. Os angolanos, comemorar a iniciação dos jovens à vida adulta com uma cerimônia chamadan'golo (que significa "zebra" em quimbundo). na África, faziam muitas danças ao som de músicas. Durante a cerimônia, os homens competiam numa luta animada pelo toque de atabaques em que ganhava quem conseguisse encostar o pé na cabeça do adversário.      O vencedor tinha o direito de escolher, sem ter de pagar o dote, uma noiva entre as jovens que estavam sendo iniciadas à vida adulta.Com a chegada dos invasores portugueses e a escravização dos povos africanos, a capoeira foi introduzida no Brasil.

No Brasil - Ao chegarem ao Brasil, os africanos perceberam a necessidade de desenvolver formas de proteção contra a violência e repressão dos colonizadores brasileiros. Eram constantemente alvos de práticas violentas e castigos dos senhores de engenho. Quando

fugiam das fazendas, eram perseguidos pelos capitães-do-mato, que tinham uma maneira de captura muito violenta.
Os senhores de engenho proibiam os escravizados de praticar qualquer tipo de luta. Logo, os

escravizados utilizaram o ritmo e os movimentos de suas danças africanas, adaptando a um tipo de luta. Surgia assim a capoeira, uma arte marcial disfarçada de dança. Foi um instrumento importante da resistência cultural e física dos escrizados brasileiros.

-A prática da capoeira ocorria em terreiros próximos às senzalas (galpões que serviam de dormitório para os escravos) e tinha como funções principais à manutenção da cultura, o alívio do estresse do trabalho e a manutenção da saúde física. Muitas vezes, as lutas ocorriam em campos com pequenos arbustos, chamados na época de capoeira ou capoeirão. Do nome deste lugar surgiu o nome desta luta.
Até o ano de 1930, a prática da capoeira ficou proibida no Brasil, pois era vista como uma prática violenta e subversiva. A polícia recebia orientações para prender os capoeiristas que praticavam esta luta. Em 1930, um importante capoeirista brasileiro, mestre Bimba, apresentou a luta para o então presidente Getúlio Vargas. O presidente gostou tanto desta arte que a transformou em esporte nacional brasileiro.

Três estilos da capoeira ou capoeiragem.
É uma expressão cultural brasileira que mistura arte marcial, esporte, cultura popular e música. Desenvolvida no Brasil principalmente por descendentes de escravos africanos, é caracterizada por golpes e movimentos ágeis e complexos, utilizando primariamente chutes e rasteiras, além de cabeçadas, joelhadas, cotoveladas, acrobacias em solo ou aéreas...

A capoeira possui três estilos que se diferenciam nos movimentos e no ritmo musical de acompanhamento. O estilo mais antigo, criado na época da escravidão, é a capoeira angola. As principais características deste estilo são: ritmo musical lento, golpes jogados mais baixos (próximos ao solo) e muita malícia. O estilo regional caracteriza-se pela
mistura da malícia da capoeira angola com o jogo rápido de movimentos, ao som do berimbau. Os golpes são rápidos e secos, sendo que as acrobacias não são utilizadas. Já o terceiro tipo de capoeira é o contemporâneo, que une um pouco dos dois primeiros estilos. Este último estilo de capoeira é o mais praticado na atualidade.

Etimologia
Existem duas possibilidades comumente aventadas para se explicar a origem do termo "capoeira":
derivaria do cesto homônimo utilizado pelos escravos para transportar as aves capadas até os mercados onde elas seriam comercializadas: os escravos, no caminho até os mercados, se distrairiam com movimentos de luta, originando, assim, a denominação "capoeira" para os movimentos praticados; derivaria do termo tupi kapu'era, que significa "o que foi mata", através da junção dos termos ka'a ("mata") e pûera ("que foi". Refere-se às áreas de mata rasteira do interior do Brasil onde era praticada agricultura indígena. Acredita-se que a capoeira tenha obtido o nome a partir destas áreas que cercavam as grandes propriedades

rurais de base escravocrata. Capoeiristas fugitivos da escravidão e desconhecedores do ambiente ao seu redor frequentemente usavam a vegetação rasteira para se esconderem da perseguição dos capitães do mato.

Você sabia?
     -  Em 26 de novembro de 2014, durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), declarou a roda de capoeira como sendo um patrimônio

imaterial da humanidade. De acordo com a organização, a capoeira representa a luta e resistência dos negros brasileiros contra a escravidão durante os períodos colonial e imperial de nossa história.

Se liga:    Hoje em dia, a capoeira se tornou não apenas uma arte ou um aspecto cultural, mas uma verdadeira exportadora da cultura brasileira para o exterior. Presente em dezenas de países em todos os continentes, todo ano a capoeira atrai ao Brasil milhares de alunos estrangeiros e, frequentemente, capoeiristas estrangeiros se esforçam em aprender a

língua portuguesa em um esforço para melhor se envolver com a arte. Mestres e contra-mestres  respeitados são constantemente convidados a dar aulas especiais no exterior ou até mesmo a estabelecer seu próprio grupo. Apresentações de capoeira, geralmente administradas em forma de espetáculo, acrobáticas e com pouca marcialidade, são realizadas no mundo inteiro.

- É comemorado em 3 de agosto o Dia do Capoeirista.
Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

fonte:www.suapesquisa.com/www.copacabanarunners.net/https://pt.wikipedia.org/wiki/