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Rebele-se Contra o Racismo!

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Contos Africanos:O MACACO E O HIPOPÓTAMO

Em uma época muito antiga, quando as bananeiras produziam poucas bananas, existiam numerosos macacos.

Havia um deles chamado Travesso, que morava nas margens do rio.

O macaco Travesso possuía um grupo de bananeiras que lhe proporcionavam frutos suficientes para a sua alimentação, o que lhe trazia satisfação e orgulho porque os seus frutos eram os mais saborosos da região.


No rio habitava o hipopótamo Ra-Ra, que era o rei daquelas paragens.

A corpulência desse animal era notável e tão grande a sua boca, que podia tragar seis macacos de uma só vez.

Além disso, gostava imensamente de bananas e, especialmente as da propriedade de Travesso.
Ra-Ra resolveu roubar-lhe as bananas, apesar de não ser um ato muito bonito para um rei.

Ordenou então a todos os papagaios que as trouxessem para a sua residência.

Entretanto, o macaco não arredava pé do seu grupo de bananeiras, a fim de impedir que desaparecessem, furtados, os seus preciosos frutos.
Os papagaios logo encontraram este obstáculo sério e recorreram à astúcia para cumprir as ordens do rei.

Após uma conferência de várias horas estudando diversas soluções para resolver eficientemente o problema do roubo, concordaram em dizer ao macaco que seu irmão estava
muito doente e desejava vê-lo.

Quando Travesso recebeu a notícia, bom irmão que era, foi depressa procurar seu irmão doente.
Verificou logo que aquilo não era verdade.

Seu irmão estava gozando de boa saúde e, suspeitando imediatamente do que se tratava, voltou a toda pressa para perto de suas bananeiras.

Uma surpresa dolorosa o aguardava. Não ficara nem uma banana para semente. Enquanto lamentava sua perda aproximou–se um papagaio, dizendo-lhe:

— Oh!, irmão Travesso! Sabes que Ra-Ra, o hipopótamo, nos obrigou a roubar-te as bananas e depois não nos quis dar uma só!

— Ah! E’ assim? Então espera… Irei à casa de Ra-Ra e tirar-lhe-ei as minhas bananas! — exclamou o macaco.

A serpente» que é um animal invejoso, cheio de defeitos, dos quais o pior é o espírito de intriga, passou por ali por acaso quando o macaco falava e, ato contínuo, foi contar tudo ao hipopótamo.

— Está bem! — disse Ra-Ra. — Em tal caso ordeno ao Travesso que compareça aqui quanto antes.

A Serpente voltou ao lugar em que vivia Travesso e lhe deu a ordem de Ra-Ra, de modo que o macaco se pôs a tremer, pois, não era tão valente como as suas palavras pareciam revelar.

Era preciso obedecer e quando se dispunha a fazer a desagradável visita ao hipopótamo, ocorreu-lhe uma idéia.

Preparou com o maior cuidado uma boa quantidade de visgo, a cola que usava para caçar passarinhos, e untou-se com êle muito bem.

Feito isto encaminhou-se para a casa de Ra-Ra, à margem do rio.

— Disseram-me — disse-lhe o hipopótamo, ao vê-lo — que ameaçaste de vir recobrar tuas bananas. É certo que o disseste?

— De modo algum, senhor — respondeu Travesso. — Tanto minhas frutas como eu mesmo estamos à sua disposição.

O papagaio combinou com o macaco...
— Bem, fico muito satisfeito em ouvir estas palavras. Sem dúvida, quiseram fazer intriga e contaram-me essa mentira. Senta-te. Porém, procura fazê-lo de frente para mim e sem tocar em nenhuma das bananas que estão atrás de ti.

Assim fêz Travesso, apoiando çom força as costas, inteiramente untadas, contra as bananas.
— Disseram-me que sabes muitas histórias. Queres contar-me uma?

O macaco dispôs-se a satisfazer o desejo de seu soberano e lhe contou uma história muito interessante.

Enquanto isso não se esquecia de esfregar o corpo contra as bananas afim de que aderisse às suas costas o maior nòmero delas.

Terminado o conto , Ra-Ra disse-lhe:
— Obrigado. Podes sair, mas toma cuidado para saíres de frente para mim. Assim se deve fazer diante de um rei.
Nada podia favorecer melhor o macaco, que estava com as costas cheias das bananas que a elas se haviam colado.

O macaco viu o hipopótamo
Quando se viu fora da casa do hipopótamo, pôs-se a correr, ocultando-se.
Os papagaios não tardaram a descobrir a astúcia do macaco e foram correndo contar a Ra-Ra.

O hipopótamo, ao tomar conhecimento da notícia, teve tão grande ataque de raiva que virou de barriga para o ar, morrendo instantaneamente.
Então, os animais reuniram-se e, diante da inteligência do macaco, resolveram aclamá-lo soberano.
Ficou muito conhecido por sua esperteza e deram-lhe, então, o nome de Sua Majestade Travesso I, o Esperto.
E o seu governo foi sábio e prudente, durante anos e anos...

Um afro abraço.
(Trad. e Adapt. Leoncio de Sá Ferreira.)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Jennifer Hudson - One Night Only (Office Music Video)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Na Ditadura, Militares e os Heróis Negr@s : A União do Rebanho faz o Leão ir Dormir com Fome. (Provérbio africano)

A ditadura e suas facetas racistas e sexistas.
Com medo de que a luta pela igualdade racial crescesse à luz de movimentos internacionais como o Panteras Negras e se voltasse contra a polícia, a ditadura passou a seguir os passos

de militantes e reuniões do embrionário movimento negro brasileiro
.
Na conferencia municipal do estado do Rio de Janeiro de 2015, eu tive o desprazer e ouvir a uma facilitadora dizer que o movimento negro não estava organizado e não participou da ditadura entra ai vai: - Para
  mais um registro e não esquecer nossos negros  heróis e heroínas desta nação e  pela tentativa de nos manter invisíveis,  nós estamos vivos e crescendo cada vez mais. Nosso respeito ao militante negro Osvaldo Orlando da Costa (Osvaldão), à Helenira Rezende de Souza Nazareth (Preta, Fátima); Dinalva Oliveira Teixeira (Dina), Lucia Maria de Souza (Sônia), Francisco Manoel Chaves (marinheiro),Dra Claete e muitos outros desconhecidos e desaparecidos....

"Quando se pensa em ditadura militar e necessário pensar no quanto este momento deve ter sido tempos de terror para os militantes dos diversos segmentos sociais"

Fazendo uma leitura desta fase política e comparando com a atualidade é possível imaginar o quanto mulheres, negros, homossexuais e militantes de esquerda devem ter sofrido com humilhações e torturas.


A ditadura perseguiu os militantes e as reuniões do movimento negro desde o inicio, como uma forma de não deixar nascer um suposto movimento Panteras Negras, contudo no Brasil não cresceu desta forma, mas conseguiu atacar com as armas que tinham o regime existente.
Além disso, a perseguição contra as mulheres foi brutal e demasiada, mas elas se mantiveram no movimento. Para Maria Amélia de Almeida Teles falar de mulher e ditadura é lembrar-se das crianças sequestradas, abandonadas, torturadas ou nascidas nos centros clandestinos da repressão.

E não esquecer que uma das formas de atingir estas mulheres é através da violência sexual e contra seus filhos:
Registrar que houve o estupro como prática de tortura nos órgãos de repressão durante a ditadura militar é o começo para desvelar os horrores cometidos contra as mulheres e as crianças durante a ditadura. (TELES, 2014)

Documento de 24 de outubro de 1979 mostra como o IV Exército, no Recife, descrevia um

foco de “problemas”. “A partir de 1978 apareceu um novo ponto de interesse da subversão no País, particularmente nos estados do Rio de Janeiro e, com mais ênfase, na Bahia: a exploração do tema racismo, procurando demonstrar a sua existência e colocar o negro brasileiro como motivo de discriminação”, diz o texto de sete páginas.

O relatório nunca antes divulgado revela que o “método” utilizado para a obtenção das informações deu-se pela “infiltração em entidades dedicadas ao estudo da cultura negra, por meio de palestras em reuniões e simpósios”, como a IV Semana de Debate sobre a Problemática do Negro Brasileiro, em abril de 1978 na Bahia. A temática das palestras, segundo os militares, tratava de temas como “a tão falada democracia racial não passa de um mito”, “o racismo no Brasil é pior do que no exterior, porque é sutil e velado”, “a existência da Lei Afonso Arinos, contra o racismo, é prova de que ele existe”, “a Abolição da Escravatura foi imposta pelas necessidades da economia capitalista e não por uma preocupação sincera com a situação do negro”.

O documento havia sido solicitado em 11 de junho, por meio da Lei de Acesso à Informação, ao Comando do Exército, que oito dias depois respondeu não possuir arquivos sobre o monitoramento de ativistas negros. A Controladoria-Geral da União (CGU) encontrou, no entanto, o relatório no Arquivo Nacional, em Brasília. Segundo o ouvidor-
adjunto da CGU, Gilberto Waller, esta é a primeira vez que se encontra um documento confidencial elaborado exclusivamente para tratar do tema, quando o que se via até então eram trechos e citações a outros textos. “Vemos que o Estado se preocupou com o movimento negro a ponto de ter classificado as informações”, explica. “Na visão da CGU, em termos de acesso à informação, é um grande ganho conseguir algo de valor histórico tão relevante.”

O relatório, cujo rodapé alerta: “Toda e qualquer pessoa que tome conhecimento de assunto sigiloso fica, automaticamente, responsável pela manutenção de seu sigilo. Art. 12 do decreto no 79.099, de 6 de janeiro de 1977”, cita a mobilização nacional em torno da formação do

movimento contra a discriminação racial. “Os grupos do Movimento Negro de Salvador são: Ialê, Malê, Zumbi, Ilialê, Cultural Afro-Brasileiro. Esses grupos apresentaram, no dia 8 julho de 1978, ‘moção de solidariedade aos integrantes do movimento paulista contra a discriminação racial, pelo ato público antirracista do Viaduto do Chá’”.

O ato, segundo a socióloga Flavia Rios, autora da tese Elite Política Negra no Brasil: Relação entre movimento social, partidos políticos e estado, diz respeito à marcha que saiu naquele dia do Viaduto do Chá em direção ao Teatro Municipal para a criação do Movimento Unificado contra a Discriminação Racial, que mais tarde se tornaria o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial. “Ele é formado por ativistas de várias regiões do País, tem essa característica nacional”, conta a também coautora da biografia sobre a militante negra Lélia Gonzalez. “Havia uma preocupação da ditadura de que ideais do movimento armado Panteras Negras, por exemplo, e da luta dos direitos civis americanos pudessem chegar aqui. Por isso, o regime acompanhou vigilantemente manifestações políticas e encontros.”

O informe até pouco considerado inexistente fala ainda sobre uma “campanha artificial contra a discriminação no Brasil” e lembra que, “em virtude das restrições políticas”, o Movimento Negro de Salvador passou a realizar reuniões paralelas e a adotar organizações celulares, com base nos “centros de luta”, compostos de três integrantes. A capital baiana teria sete desses centros, cuja função era “mobilizar, organizar e conscientizar a população negra nas favelas, nas invasões (de terras urbanas), nos alagados, nos conjuntos habitacionais, nas escolas, nos bairros e nos locais de trabalho, visando a formar uma consciência dos valores da raça”.

Além do encontro nacional do Movimento Negro de Salvador, entre 9 e 10 de setembro de 1978, no Rio de Janeiro, os arapongas descrevem a Terceira Assembleia Nacional do Movimento Negro Unificado, em 4 de novembro de 1978, na capital baiana, com militantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. Citam o Congresso Internacional da Luta contra a Segregação Racial entre 2 e 3 de dezembro de

1978, em São Paulo. E relatam o ciclo de palestras do Núcleo Cultural Afro-Brasileiro, no segundo semestre de 1978 em Salvador, do qual participaram opositores como o deputado federal baiano Marcelo Cordeiro e o paulista Abdias do Nascimento, professor emérito na Universidade de Nova York. Além do acadêmico, são citados militantes monitorados como José Lino Alves de Almeida e Leib Carteado Crescêncio dos Santos, além do senador baiano Rômulo Almeida e “agitadores angolanos no movimento negro, caracterizados como refugiados da guerra civil”.

Em relação ao teor da agenda do Movimento Negro à época, os repressores ressaltam que a pauta era composta de pontos como a necessidade de se contestar o regime, aprofundar o engajamento no movimento pela anistia, projetar no exterior a imagem do “mito da democracia racial brasileira”, buscar dar fim à sua marginalização na sociedade e à maior proporção de negros nas penitenciárias.

1)Reparar os danos causados: oferta de reparações pecuniárias e simbólicas para os perseguidos políticos ou para as famílias dos mortos e desaparecidos;

2) Investigação dos fatos e responsabilização jurídica dos agentes violadores (direito à justiça): investigar, processar, apurando responsabilidades, sobretudo as dos agentes públicos, e punir violadores de direitos humanos;

3) Direito à verdade e acesso a informações:revelar a verdade para vítimas, famílias e toda a sociedade, possibilitando a efetivação do direito à memória por meio de um acesso total e irrestrito aos arquivos e dados produzidos durante a ditadura (direito de acesso à informação e abertura completa dos arquivos públicos);

4) Políticas de memória e fortalecimento das instituições democráticas: cultivar uma memória pública e democrática, constituída desde as narrativas das vítimas e com a participação direta destas. Nesse campo, outras medidas também são importantes, tais como retirar nomes de violadores dos direitos humanos de ruas e lugares públicos; e

5) Reforma das instituições: fazer esforços na mudança da cultura institucional e da dinâmica de atuação dos órgãos do Estado, sobretudo das forças de segurança, dos aparatos judiciais e de outros organismos que foram utilizados pela repressão. Uma medida comum nesse ponto é afastar os criminosos de órgãos relacionados ao exercício da lei e de outras posições de autoridade, processo conhecido como expurgo ou lustração.

( QUINALHA, 2014)

-"Estima-se que aproximadamente 42 dos 434 mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura eram negr@s..."

A Tod@s vocês:
 Presente! 
Presente!
Presente! 

fonte: www.cartacapital.com.br/sociologaelisiasantos.blogspot.com/CUNHA, Luis Cláudio. O papel feio da mídia na ditadura de 1964. Observatório da imprensa.Ed. 574. 26 de janeiro de 2010/QUINALHA, Renan Honório. Uma ditadura contra a liberdade sexual: a Justiça de Transição com recorte LGBT no Brasil. São Carlos/SP:EdUFSCar, 2014).TELES, Maria Amélia de Almeida. Mulheres e Ditadura Militar.10. RIDH | Bauru, v. 2, n. 2, p. 9-18, jun. 2014.SILVA, Juremir Machado da. Jango e as raízes da imprensa golpista. Carta Capital, edição de 28 de março de 2014.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

As facetas de Solano Trindade...

- "Dos escritores negros que deixaram sua marca na literatura brasileira, Solano Trindade foi um dos mais significativos. Isso porque foi o primeiro, e talvez o mais contundente a se dirigir, não impessoalmente a toda a população, mas também, particularmente à população negra, descrevendo os mais graves problemas sociais vividos pelos negros brasileiros, e dos quais se tornou um dos mais ilustres artistas." 

Historia:     - Filho do sapateiro Manuel Abílio Trindade, foi operáriocomerciário e colaborou na imprensa . Solano Trindade nasceu em Recife(PE) em 24 de julho de 1908 —  Faleceu no Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 1974) foi um poeta brasileiro, folclorista,pintor, ator, teatrólogo e cineasta.

No final da década de 1920, Solano Trindade torna-se protestante, onde conheceu Maria Margarida Trindade, que era presbiteriana, do seu casamento com Maria Margarida nasceram seis filhos, dois mortos prematuramente e um assassinado pela ditadura militar após o golpe de 1964. Solano teve uma ação importante na igreja, chegou a ser diácono da Igreja Presbiteriana, fazia poemas e citava trechos bíblicos com facilidade, voltado principalmente para o Gólgota e os apóstolos Pedro, Tiago e João evangelista.



- Decepcionado com o distanciamento do protestantismo com as questões sociais, incluindo a discriminação contra os negros, ele deixa a igreja, justificando sua saída com um versículo da própria Bíblia: “Se não amas a teu irmão, a quem vês, como podes amar a Deus, a quem não vês?

No ano de 1934 idealizou o I Congresso Afro-Brasileiro no Recife,Pernambuco, e participou em 1936 do II Congresso Afro-Brasileiro em Salvador, Bahia.
Mudou-se para o Rio de Janeiro, nos anos 40 e logo depois para a São Paulo, onde passou a maior parte de sua vida no convívio de artistas e intelectuais. Participou de um grupo de artistas plásticos com Sakai de Embu onde integrou na produção artística a cultura negra e tradições afro-descendentes. O poeta foi homenageado com o nome em uma escola e uma rua na região central do município.

1936. Solano funda o Centro Cultural Afro-Brasileiro e a Frente Negra Pernambucana, uma extensão da Frente Negra Brasileira. Publica os seus Poemas Negros. Cena 3: Inquieto, Solano viaja para Minas Gerais e depois para o Rio Grande do Sul, onde cria, em Pelotas, um Grupo de Arte Popular. O homem de andar manso, cabeça cheia de planos e energia inabalável foi depois para o Rio de Janeiro. Em 1944 publicou o livro Poemas de uma Vida Simples. Em 1945, junto com Abdias Nascimento, criou o Comitê Democrático Afro-Brasileiro. Com Haroldo Costa fundou o Teatro Folclórico. Atuou em filmes como A hora e a vez de Augusto Matraga e O Santo Milagroso. Na cidade maravilhosa, Solano era freqüentador do Café Vermelhinho, onde se reuniam intelectuais, políticos, jornalistas, escritores e artistas de teatro. Ali era amigo de pessoas como o Barão de Itararé e Santa Rosa. Filiou-se ao Partido Comunista, as reuniões da célula Tiradentes ocorriam na sua casa.

Tragediaria no movimento politico...
Durante a perseguição aos comunistas, empreendida pelo governo Dutra, entram na casa

de Solano. Seu filho, Liberto, está deitado, doente. A polícia vira o colchão, à procura de armas, Exemplares de seus livros são apreendidos. A filha Raquel lembra: "Papai jamais esconderia armas. Sua luta era feita com idéias". Preso, ele não se abala. Raquel e a mãe, Margarida, percorrem as cadeias até encontrá-lo. Quando sai, Solano parece fortalecido. Embora tenha olhos tristonhos, seu otimismo é contagiante, nasce do seu amor pela arte e pela vida. Continua escrevendo, fazendo teatro e espalhando sonhos e esperanças por onde passa. O interesse de Solano pela cultura popular ia além da teoria: não se cansou de fundar grupos teatrais. Preocupava-se com o que chamava de folclore, com as danças populares. Dizia sempre que era necessário pesquisar nas fontes de origem e devolver ao povo em forma de arte. Sua experiência mais bem sucedida neste sentido foi o Teatro Popular Brasileiro, criado por ele, por sua esposa Margarida Trindade e pelo sociólogo Édison Carneiro em 1950. O TPB fazia uma leitura séria de danças como maracatu e bumba-meu-boi. Também promovia cursos de interpretação e dicção. Era formado por operários, estudantes, gente do povo. Convidado a ir à Europa, o TPB mostrou seu trabalho em vários países. De volta ao Brasil, Solano vem a São Paulo e é convidado pelo escultor Assis para apresentar-se no Embu. Leva todo o seu grupo. Dormem no barracão de Assis nos finais de semana, quando mostram sua arte para um número cada vez maior de pessoas. Participam da peça "Gimba", de Gianfrancesco Guarnieri e, em 1967, apresentam-se para um dos criadores da Negritude: Leopold Senghor. 

As faces do artista...
Solano apaixona-se pelo Embu, muda-se para lá e sua casa torna-se uma núcleo artístico. Embora na cidade já houvesse um movimento com artistas como Sakai e Azteca, é a atividade de Solano e Assis que faz surgir a feira de artesanato e revoluciona o local, aumentando o fluxo turístico. Solano chegou a ser conhecido como "o patriarca do Embu". A casa e o coração de Solano estavam sempre prontos para receber as pessoas. Na panela, havia comida para quem chegasse fora de hora. Ironicamente, no final de sua vida, vários desses amigos se afastaram, mas talvez este seja o cruel destino de alguns grandes criadores, de profetas e poetas assinalados. A poesia de Solano o marcou. Orgulhava-se ser chamado de "poeta negro".

 Foi comparado a importantes escritores como o cubano Nicolas Guilhén - de quem foi amigo - e o americano Langston Hughes. Na poesia afirma sua descendência, mostra orgulho: 

"Sou negro 
meus avós foram queimados pelo sol da África 
minh'alma recebeu o batismo dos tambores atabaques, gonguês e agogôs..."

Embora participasse de muitas atividades junto ao TEN, no ano de 1950 Solano fundou, ao lado de sua esposa Margarida Trindade e do intelectual Édson Carneiro, o Teatro Popular Brasileiro (TPB), grupo com sede na UNE, cujo elenco era formado por operários, domésticas e estudantes e que tinha como temática e inspiração algumas das principais manifestações culturais brasileiras, como o bumba-meu-boi, os caboclinhos, o coco e a capoeira. O grupo adaptava para o teatro números de dança e música da cultura popular afro-brasileira e indígena. Cinco anos mais tarde, o poeta criou o grupo de dança Brasiliana, que realizou, com destaque, inúmeras apresentações no exterior.

Em finais da década de cinquenta, Solano resolve fixar as atividades do Teatro Popular Brasileiro na cidade de São Paulo, na tentativa de aproveitar a intensa vida cultural da cidade. Nessa expectativa, muda-se para a cidade de Embu, localizada na grande São Paulo, onde lança o seu livro “Cantares do Meu Povo”. Entre 1961 e 1970, Solano viveu em Embu das Artes. Enquanto esteve por lá, transformou o município em um verdadeiro centro cultural, para onde foram diversos artistas que passaram a viver de arte. Na cidade, o TPB viveu a sua melhor fase, sendo que as apresentações do grupo eram sempre muito concorridas.

Solano foi o grande criador da poesia “assumidamente negra”, segundo muitos críticos. Os livros lançados por ele foram: “Poemas de uma Vida Simples”, 1944, “Seis Tempos de Poesia”, 1958 e “Cantares ao meu Povo”, 1961. Como ator, participou dos filmes “Agulha no Palheiro” (1955), “Mistérios da Ilha de Vênus” (1960) e “O Santo Milagroso” (1966). Trabalhou também como artista plástico, pintando quadros a óleo, sendo que um quadro do artista hoje faz parte do acervo do Museu Afro Brasil.

O artista adoeceu no início da década de 70, sofrendo de pneumonia e arteriosclerose, foi internado em diversos hospitais, até vir a falecer no Rio de Janeiro, em 20 de fevereiro de 1974. Atualmente, sua filha Raquel Trindade e seus netos são os responsáveis pela continuidade da sua obra. A família vive em Embu das Artes, onde há um teatro popular com o nome de Solano Trindade, além de uma escola e uma rua que homenageiam o poeta. No Rio de Janeiro foi criado em 1975 o Centro Cultural Solano Trindade e no ano seguinte, em São Paulo, a Escola de Samba Vai-Vai desfilou pelo sambódromo homenageando a vida desta importante personalidade da nossa cultura.

Concluindo...
Solano continua atual e revolucionário quando busca o entendimento entre a questão étnica e social, enquanto a esquerda perdeu tempo discutindo em qual área deveríamos investir esforços, sua prática estava na vanguarda, não se limitava somente ao discurso panfletário do denuncismo da exclusão de pobres e negros, mas a busca de afirmação num contexto de supremacia da elitista faz-se necessário uma postura de embate, e o impacto que a expressão “negros e carentes” tem na sociedade é certamente o que sempre Solano defendia em suas poesias. A herança escravocrata do discurso de que tudo associado ao

preto era associado ao mal, tal ideía foi internalizada pelos negros, sendo necessário hoje o desenvolvimento das políticas afirmativas. E a escolha do nome “negros e carentes” se propõe a afirmação da negritude, mas, assim como Solano, acreditávamos que a luta não se resumia somente à questão do racismo, mas a necessidade da construção da consciência de classe.

Um afro abraço.

fonte:antigo.acordacultura.org.br/Trindade, Solano. Cantares ao meu Povo. São Paulo: Editora Fulgor, 1961/

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O príncipe medroso...

A África dos contos Desde sempre, os habitantes da África converteram a história em lenda e
as anedotas em contos. A tradição oral do continente fez com que os contos e as lendas passassem de geração a geração, através dos séculos, sem serem escritos. Os griots os contavam, pais e mães, avôs e avós acabavam decorando-os de tanto ouvi-los e continuavam a transmiti-los aos mais jovens. Só no final do século xix e início do xx é que se começou a recolher a mitologia e os contos da África sob a forma de livros. Mesmo hoje, contar contos nas praças dos povoados, nos pátios das casas ou embaixo de uma árvore numa escola rural ainda é uma atividade comum em muitos rincões do continente africano. E os contos continuam bem vivos e mutantes. A mesma história pode ter diversas versões, dependendo de onde é contada e de quem a conta! Esta coletânea propõe uma viagem através de alguns contos da África subsaariana, de oeste a leste, de leste a oeste, chegando também até o sul e passando por algumas ilhas, atravessando lagos, rios e cachoeiras gigantes, desertos e montanhas. E propõe uma aproximação com diferentes tipos de conto: dos mais desconhecidos, como os de princesas e príncipes, até os mais familiares, como as fábulas de animais. — Um conto para quem? — Um conto para todos! — gritaram os que estavam prontos para escutar a vovó contadora de histórias. — E quem o contou? — O camaleão! — gritou um menino. — É verdade. Não existe ninguém que saiba mais histórias que o camaleão. Agora lhes contarei os contos com que ele me presenteou há muito, muito tempo...

Houve, há muito tempo atrás, um Rei que se descobriu precisando do desconhecido. Desesperadamente precisava do que ninguém sabia onde e do que ninguém sabia quando. Seus súditos, solícitos, ofereceram-lhe todos os melhores caminhos conhecidos, mas o Rei queria mais, queria o que ainda estava por acontecer.

Chamou, assim, os mais valentes cavaleiros de todos os Reinos e condados para que o levassem em busca do que ninguém ainda havia enfrentado.

O que se dizia mais corajoso, sendo mesmo chamado Príncipe das Coragens, fez corajosamente espalho em seu cavalo dourado, arrancando aplausos da corte, e se incumbiu de levar o Rei ao que ninguém nomeara ainda. Mas se ninguém lá estivera, não haveria palmas ou aplausos, não haveria fama ou glória. E a coragem do Príncipe delas mesmas viu-se não existir, pois, esvaziado da admiração alheia, o Príncipe diminuído viu-se mesmo correr para as multidões tão conhecidas, deixando o Rei no seu conhecido castelo.

Foi assim que entrou no Reino com a promessa de levar o Rei ao seu destino desconhecido Cara Valente, andarilho de todo esse mundo, que já tinha enfrentado todos os monstros e todos os guerreiros possíveis e falados. Cara Valente, que de cara já espantava pela valentia, seguiu com o Rei rumo ao que ninguém sabia ser. Assim não sendo, não tendo ao certo o que enfrentar, não tendo o que assustar com sua cara tão obviamente valente, Cara Valente se assustou e pela primeira vez na vida, e faltou-lhe a propagada valentia. Foi embora com uma cara de quem foge buscar outros monstros que lhe devolvessem a ousadia, pois ela não existia por si só, só em quando defrontada com o medo dos outros.

E assim foi, cavaleiro por cavaleiro, coragens pereceram diante do que ninguém sabia sequer o quê. O Rei, já desacreditado, morria de infinitas saudades do que ele nunca tinha chegado a ver.

Apresentou-se, porém, numa noite sem estrelas, um cavaleiro diferente. Vinha a pé pela estrada, sem cavalo branco, sem pompa, meio curvado, sem nenhum anúncio ou nenhuma propaganda. Chamavam-no Príncipe Medroso.

– Se tens medo, por que vieste? – perguntou o rei cansado de esperar o que ninguém acreditava existir.

– Exatamente por ter medo empreenderei nessa busca pelo que ninguém nunca encontrou.

– Mas se nem toda valentia resistiu ao que ninguém conhece, como queres enfrentá-lo com seu medo?

– Por saber-me medroso, enfrento-me todo o tempo. Desde o levantar até a hora que me deito travo infinitas batalhas dentro de mim, já tendo lutado mais que todos os cavaleiros dessas terras, e contra mim mesmo.

– És, então, corajoso, pois venceste todas essas batalhas?

– Não, só tenho a coragem suficiente para olhar nos olhos do meu próprio medo e sabê-lo
menor que a minha vontade.

– Achas, pois, que podes ir de encontro ao desconhecido?

– Eu o confronto a todo momento, porque tudo me é desconhecido. Nada entendo, nada sei antes. De tudo tenho medo e tudo enfrento, porque nada conheço.

E assim partiram a pé, Rei e cavaleiro, buscando o caminho para o que nenhum dos dois sabia saber.


Um afro abraço.


fonte:www.companhiadasletras.com.br/

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Racismo na Cara dos EUA...

O mundo é um lugar estranho. Mais de 750 mil refugiados entraram na Europa em 2015, segundo a ONU. O Estado Islâmico matou 3,5 mil pessoas na Síria no mesmo ano, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos. O zika vírus deve atingir quatro milhões de pessoas na América, como aponta um relatório da Organização Mundial de Saúde. Mas apesar dessas várias crises humanitárias, uma marcha foi marcada em Nova Iorque, em frente à Liga de Futebol Americano,  para protestar contra Beyoncé.

O que ela fez? Cantou sua nova música, Formation, um hino que expõe o racismo nos EUA e o extermínio de negros pela polícia, durante o show de intervalo do Super Bowl, a final do campeonato americano, tradicionalmente a maior audiência da TV dos EUA.

Se liga: que esse ano atingiu a marca de 111,9 milhões de americanos – o equivalente a mais de 55% de todos os seres humanos que o IBGE diz viver no Brasil.

O escândalo que a performance de Beyoncé virou não existe fora de contexto. Os EUA vivem hoje sua eleição mais extremista em décadas. No Partido Republicano, a corrida presidencial é liderada pelo magnata Donald Trump, que defende vigilância sobre as mesquitas americanas, tortura para suspeitos de terrorismo, a deportação de 11 milhões de latinos e a construção de um muro separando o México dos EUA. Já no Partido Democrata, o “socialista” Bernie Sanders, que lidera as primárias até aqui, prega a criação de um sistema único de saúde público e ampliar a rede de universidades públicas do pais, o que é um crime para os ianques mais conservadores.

Foi nesse furação que Beyoncé subiu ao palco do Super Bowl com uma roupa que fazia referência a Michael Jackson e aos panteras negras, uma organização que pregava a revolução negra nos EUA. Junto com as dançarinas, todas de cabelo afro, Bey fez um grande “X” que foi lido como homenagem ao líder separatista negro Malcolm X. Tudo isso enquanto rebolava e cantava: “Eu posso ser um Bill Gates negro em progresso, porque eu mato”.

Todo o discurso de empoderamento negro causou reação. Uma campanha de boicote à cantora, à Liga de Futebol Americana e à Pepsi, que patrocinou o show, foi criada. A principal

voz conservadora contra a artista foi a do ex-prefeito de Nova Iorque Rudy Giuliani, famoso pela ampla campanha de combate à violência, para quem ela desrespeitou a polícia.

Voltando um pouco:
Antes da promulgação dos Direitos Civis, havia um odioso racismo nos Estados Unidos, principalmente nos estados do Sul. Hoje ainda há, mas num grau muito menor do que na década de 60 do século passado.

Tal como o Apartheid, o racismo era legalizado em alguns estados como a Geórgia, mas hoje, em todos os estados, não há mais leis racistas.

Isso não impede a existência de casos de preconceito racial no domínio dos costumes, mas estes estão diminuindo, como mostra a mídia.
No entanto, a grande mídia esquerdista exagera e distorce os fatos mostrando o racismo como uma verdadeira praga nacional.


- Os suspeitos  abordados eram negros e pobres O que sempre diz mais sobre o nosso tipo de sociedade á cor não pode ser índole pessoal.

É preciso acrescentar que os negros são atualmente 12% da população americana, mas cometem 7.000 assassinatos por ano. E o que é mais grave: 75% dos negros abandonam seus filhos  que passam a engrossar o contingente de meninos de rua... 
- Na maior potencia mundial? Porque será?

 Fato:Em 2013, nas alegações finais do julgamento do segurança George Zimmerman, que seria absolvido das acusações de homicídio em segundo grau e de homicídio involuntário do adolescente Trayvon Martin (na noite de 26 de fevereiro de 2012, em Stanford, Flórida), o advogado de defesa, Mark 0'Mara, colocou dois bonecos de cartão em tamanho real, em frente da bancada do júri. Um dos bonecos representava Zimmerman, 29 anos, medindo 1,70 m e pesando mais de 90 kg, e o outro Martin, 17 anos, com 1,75 m de altura e 71 kg de peso.


Se você acha que o racismo não é mais um tema tão relevante, como chegou a ser dito sobre Beyoncé nos EUA, deixe eu lhe contar um história. Como centenas de pessoas, eu participei do Carnaval   festa  extremamente democrática por ser gratuita e todo mundo poder participar...

A superavaliação da idade das crianças negras começa antes mesmo dos l2 anosUm estudo publicado em 2014 no Journal of Personality and Social Psychology que, há tempos, publicou estudos racistas sobre crianças negras - associou a maior utilização da força pela policia contra crianças negras à percepção generalizada de que, aos 10 anos, estas são menos inocentes do que as crianças de outras etnias. O estudo citava igualmente o Serviço de Dados sobre a Educação, segundo o qual,nas escolas, os alunos negros têm mais probabilidades de serem severamente castigados do que os alunos com pele de outra cor que cometam as mesmas infrações.

"Logico que a minha experiência empírica  que é a da maioria dos foliões negros não prova nada sobre como a violência tem cor no Brasil. Mas se você quiser um dado concreto, em maio do ano passado a Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República divulgou um relatório segundo o qual um jovem negro tem 2,5 vezes mais chances de ser assassinado do que um branco no País."

Parte dos argumentos usados contra Beyoncé dizem que ela deveria se ocupar mais como

uma entertainment, do que em fazer política. Claro, uma das coisas que fazem a música pop ser tão importante para o imaginário popular é que ela pode nos fazer cantar e dançar, extravasando a realidade. Mas ela tem outro lado tão bonito quanto de nos fazer enxergar nossos preconceitos e injustiças, provocando nossa sociedade a avançar. E é por isso que essa coluna sobre música pop pode falar sobre racismo pra lhe lembrar que não faz diferença se você é preto ou branco, menino ou menina.

- Se trata  apenas de uma música de exaltação? - Com os quase cinco minutos de clipe, Beyoncé deixa mais claro aonde quer chegar com Formation.


 Mixados com os símbolos do orgulho negro estão os símbolos da vergonha do histórico racismo americano. Beyoncé veste os trajes das amas brancas dos tempos de escravidão. Beyoncé se refere aos brancos como “albino alligators” (jacarés albinos). Beyoncé exibe um garotinho negro dançando com graça diante de um pelotão de policiais brancos. Beyoncé estende uma capa de jornal com o rosto de Martin Luther King. Beyoncé estampa uma parede com a pichação “Stop shooting us!”, numa alusão ao movimento “Black lives matter”, que combate a violência policial contra negros nos Estados Unidos. A rapper transexual Big Freedia também empresta sua voz vigorosa só para lembrar dos negros que não são heterossexuais. A própria data de lançamento do clipe - um dia depois do aniversário de Trayvor Martin, o garoto negro que foi assassinado na Flórida em 2012 basicamente por usar um capuz - não foi aleatória. Beyoncé cobriu, com o clipe, todos os pontos sensíveis à discussão racial nos Estados Unidos - discussão que, nem de longe, foi encerrada com a eleição de Barack Obama ou com os protestos de Ferguson.

-"O movimento negro ainda tem muito o que lutar pra acabar com o racismo nos EUA ou até mesmo aqui no Brasil , esse fato está muito transparente . - Parece que ao mesmo tempo de tantas   conquistas  e avanços foram feitos,  mais ainda estamos tão longe do que é necessário para que tod@s tenha realmente direitos iguais, independente da sua cor de pele. Se Martin Luther King Jr  ainda fosse vivo certamente  estaria na rua, revoltado, marchando de Ferguson a não sei onde com todas estas mortes sem sentido".


Um afro abraço.

Claudia Vitalino.

fonte:Temporarily Unavailable/www.brasilpost.com.br/epoca.globo.com/

Os Desafios do Negro para Mundo um Lugar Melhor...

Em meio a uma sociedade intolerante e excludente, a iniciativa de alguns indivíduos foi fundamental para que houvesse mais igualdade independentemente de sexo, raça e cor. Neste contexto, alguns personagens negros conseguiram fazer coisas incríveis e tornar o mundo um lugar melhor, provando que o preconceito não passa de ignorância e falta de informação.

"O Movimento Negro é um movimento social composto por negros de diversas origens étnicas, que defendem a igualdade civil entre as pessoas, independentemente de sua ascendência racial, mesmo afirmando que a raça humana é uma só..."
Assim como em outros movimentos sociais, o movimento negro é liderado por indivíduos que percebem a relevância da igualdade racial para o desenvolvimento: a grande motivação do movimento negro é republicana e seu maior argumento advém das próprias estatísticas governamentais: negros são a maioria em presídios, favelas, escolas públicas, becos, filas de restaurante de frango frito e entre os estratos menos favorecidos da população, mesmo com as iniciativas adotadas pelos governos desde o processo de redemocratização.

Na América Latina- Felizmente começa a entoar um canto que é fruto de mais de 500 anos de resistência e luta das comunidades negras: o de desnaturalizar para sempre as teorias que pregam a inferioridade racial e as desigualdades sociais e raciais.

Essas teorias, difundidas no passado e que legitimavam o sistema escravista em todos os nossos países, ainda, dois séculos depois de oficialmente abolido esse sistema, se manifestam de formas ora sutis, ora brutais em todos os países, especialmente naqueles em que a população negra representa uma parcela significativa da população nacional.

Existem fatores estruturais determinantes das condições de vida das populações negras na América Latina, pois, embora o seu tamanho e posição social variem de forma considerável entre um país e outro, têm traços comuns em todo o continente. A população negra tem situação desfavorável no mercado de trabalho, é mais atingida pelo vírus HIV, tem menos acesso às universidades e à qualificação profissional e detém as maiores taxas de analfabetismo. A mortalidade infantil e materna é muito maior entre os negros, assim como o número de negros mortos por doenças e homicídios: o dobro em relação à população branca.

Existe uma ameaça permanente de destruição da cultura negra e de suas manifestações religiosas, assim como de sua expulsão dos lugares de moradia e sustento, os quilombos, negando-lhes o direito à vida. Em todo o continente, apesar das peculiaridades inerentes a

cada região, há uma violência declarada, especialmente contra a mulher e a juventude negra, como a negar a toda essa população o fortalecimento de sua identidade étnica. A luta por essa identidade passa pela defesa de direitos e a denúncia da naturalização do racismo na sua formulação ideológica contemporânea.

A naturalização do racismo se manifesta quando as condições de discriminação, construídas historicamente são consideradas “coisas do passado”. Isso conduz a um fatalismo, que traz em si a omissão e a apatia, a pseudo paciência ou conformação: “sempre foi assim, vai continuar assim”, que nega às pessoas negras a construção de projetos de vida como homens e mulheres iguais. Esta naturalização é um fenômeno que contribui ainda para sepultar valores como o multiculturalismo e o sentido de humanidade que são fundamentais no mundo civilizado.

Existem dois setores básicos da sociedade nos quais o processo de desnaturalização tem que ser enfrentado com coragem e ousadia: o mundo do trabalho e o mundo da educação. A construção da cidadania passa necessariamente pela garantia do direito ao trabalho e a oportunidade de acesso a um sistema educacional de qualidade, que se constituem em um caminho para o direito à vida.

O movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos foi a campanha por direitos civis e igualdade para a comunidade afroamericana nos Estados Unidos. Os negros foram escravizados nos EUA, de 1619, trazidos da África por colonos ingleses, até 1863, com o fim da Guerra Civil, a Proclamação de Emancipação e o início da Reconstrução Americana. A escravidão foi a base da economia dos estados do Sul, e marcou profundamente as relações sociais nessa região.

Temos como exemplo desta nova fase a Marcha de Washington, em 28 de agosto de 1963, que exigia não só direitos políticos, mas também emprego e liberdade, social, cultural e política. As organizações de luta pelos direitos dos negros utilizavam uma “cultura de protesto”, que se servia de canções, comícios e práticas de solidariedade para criar comunidades coesas e diminuir o medo da repressão branca. Neste contexto, diversos negros, principalmente os mais jovens, passam a buscar na cultura africana um traço de identidade, criando para a sua comunidade hábitos, ritmos, e maneiras próprias de pensar e se vestir.

Líderes como Martin Luther King, Malcolm X e grupos como os Panteras Negras, tiveram diferentes estratégias de ação. Enquanto Luther King tinha uma política fortemente moral e religiosa que apelava para a retórica americana do valor da liberdade e a justiça social bíblica, baseada na não violência e na desobediência civil, Malcolm X apelava para o nacionalismo negro, e os Panteras Negras para o seu direito de auto defesa. A cada novo protesto ou movimento que surgia, a repressão por parte da polícia e de parte da comunidade branca se dava de maneira muito violenta: militantes eram atacados, espancados e presos; igrejas negras sofriam atentados e ativistas eram assassinados.

Estes eventos tiveram ampla cobertura da mídia e, diversas vezes, foram utilizados e divulgados em rede nacional. A cobertura desses eventos chocou a nação e teve grande

impacto na sociedade a favor dos negros. Com a generalização dos protestos, que passaram a ter nível nacional, jovens negros invadindo cinemas, freqüentando escolas, cafeterias e outras áreas reservadas para brancos, além das rebeliões urbanas e do mal estar causado na sociedade com a divulgação destes eventos, o governo foi forçado a agir.

Entre 1964 e 1967, o presidente Lyndon Johnson estabeleceu uma série de atos legislativos que proibiam aos poucos a discriminação contra os negros. Apesar da segregação formal ter acabado, os negros continuaram vítimas de exclusão, principalmente econômica, o que fez com que seus protestos perdurassem por, pelo menos, mais uma década. O Hip Hop, surgido no fim da década de 1970, é mais um exemplo da resistência negra e da afirmação de sua cultura.
Criado por jovens negros para protestar contra a violência, a discriminação e a desigualdade social a que estavam submetidos, este movimento tem ecos até hoje em nossa sociedade. Com suas letras criadas pelos MC´s, a mixagem do som sob a responsabilidade do DJ, o Break, com seu gingado particular e o Grafitti marcando os muros das cidades, o Hip Hop é uma das mais fortes expressões da cultura jovem negra em todo o mundo.

A luta de Mandela e nossa luta...
O mundo viu no apartheid, onde a segregação racial era lei de Estado na África do Sul, uma das facetas mais deploráveis e condenáveis do homem: a de se buscar na cor das pessoas formas de se excluir uma determinada etnia. O sul-africano Nelson Mandela, mais conhecido como o Madiba, apelido que remete ao seu clã, deixou um legado à África do Sul e ao mundo. Por quê? Ele era um entusiasta de algo que jamais deveria ser motivo de preocupação: o convívio pacífico entre brancos e negros. Mandela cresceu, viveu e foi preso em seu próprio país, onde os negros eram estrangeiros em seu próprio país.


De 1948 a 1994, a África do Sul viveu sob o apartheid, política implementada pelo Partido Nacional que delimitou, por exemplo, lugares para brancos e negros na sociedade. O absurdo chegou ao ponto de se ter espaços públicos separados - como praças e, inclusive, o casamento inter-racial. No entanto, antes mesmo do Apartheid, a África do Sul já sofria com práticas racistas - originárias do sistema colonial -, mesmo depois de já extinta a escravidão nas colônias britânicas.

Ainda na década de 50, Mandela e o seu colega Oliver Tambo abriram, em sociedade, o primeiro escritório de advocacia voltado a defender os direitos dos negros. E de fato era preciso que alguém fizesse algo. Serviços públicos, como saúde e educação, que deveriam ser ofertados pelo Estado sem distinção eram oferecidos de acordo com a cor da pele. Nesse cenário de discrepâncias e de um Estado negligente e, acima de tudo, racista Mandela enveredou para a luta armada. Como integrante do Congresso Nacional Africano (CNA) - grupo multirracial que lutava contra o apartheid -, Mandela foi até a Etiópia e recebeu treinamento de guerrilha para lutar contra a segregação racial de um Estado policial e racista.


-Mandela foi o principal líder do MK, braço armado do CNA, partido de oposição ao governista Partido Nacional, que sustentava a política do Apartheid. A exemplo de tantos outros líderes africanos recebeu treinamento para a guerrilha e terrorismo - fabricação de

bombas, minas terrestres - em países da órbita soviética _ pontua o escritor e professor da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, Percival Puggina.

Em 1964, Mandela é julgado e condenado, por sabotagem, à prisão perpétua, quando ficou encarcerado por quase 30 anos na prisão. Ainda na década de 80, o mundo pede pela libertação do sul-africano, o que ocorreria apenas em 1990. No mesmo ano, o Conselho Nacional da África (CNA) - onde Mandela militava - é restituído e, quatro anos depois, em 1994 é eleito pelo CNA (com 62%) presidente da África do Sul, aos 75 anos. Maior feito de Mandela foi em buscar a reconciliação entre brancos e negros e, com isso, impedir uma guerra civil, destaca o chefe do Departamento de História da UFSM Vitor Biasoli.


No Brasil, "temos um racismo velado", ainda velado...
Sempre há risco na inovação, mas sem a coragem não se chega a lugar algum. O risco, acredito, é o da contestação, do não enquadramento. Mas a diferença de opinião tem que ser
(e é) respeitada em nossa empresa. Todas as opiniões são bem-vindas, toda crítica é ouvida e procuramos entendê-la em sua essência, mas não abrimos mão de um ambiente de trabalho que acolhe a todos e valoriza cada indivíduo.
O Politiza traz um inquietante questionamento: E, aqui, no Brasil somos ou não racistas? É bem verdade que, felizmente, o racismo nunca contou com o apoio do Estado. Porém, o racismo no país é presente e recorrente no dia a dia. Exemplo disso, são as piadas maldosas ditas por muitos brasileiros envolvendo afrodescendentes.

- O negro pobre é mais pobre do que o branco pobre. É preciso muita política de inclusão social. Em tudo isso, há, sim, uma questão de pele. É preciso reparar essa dívida histórica.


Para enfrentar essa profunda desigualdade racial, o relatório defende a necessidade urgente de implantar no Brasil políticas universalistas e focalizadas, incluindo ações afirmativas. O Pnud avalia que as políticas de cotas têm por objetivo minimizar o peso das condições socioeconômicas no ingresso nas universidades ou no serviço público, mas ressalva que esse tipo de medida é apenas uma das formas de implementação de ações afirmativas. Apesar de reconhecer a importância do estado na luta contra o racismo, o relatório destaca que esse objetivo só será atingido se for adotado pela sociedade brasileira como um todo.

Se liga:A lei de cotas é necessária para alertar as pessoas sobre as desigualdades que nosso país enfrenta. Ela pode ser importante como um processo transitório que leva à mudança de paradigmas e comportamentos a longo prazo. O ideal seria não termos essa preocupação e que a presença de pessoas com deficiência ou negras fosse natural e fluida nas escolas e nos postos de trabalho. Mas não é.


Um afro abraço.

fonte:unegro/www.ipea.gov.br/desafios/

Vila Isabel 1988 1/14- Kizomba, Festa da Raça

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Muhammad Ali-Haj, nascido Cassius Marcellus Clay Jr. (Louisville, 17 de janeiro de 1942), é um ex-pugilista norte-americano, considerado um dos maiores ​​da história do esporte. Foi eleito "O Desportista do Século" pela revista americana Sports Illustrated em 1999

Nascido no estado do Kentucky, começou vencendo os Jogos Olímpicos de 1960. Conquistou o título de campeão dos pesos pesados ao derrotar Sonny Liston em 1964. Perdeu o título em 1967 e foi proibido de atuar por três anos e meio por ter se recusado a lutar no Vietnã. Recuperou o posto ao ser reabilitado, mas logo perdeu para Joe Frazier. Ganhou de novo o título em 1974 ao vencer George Foreman em luta realizada no Zaire (retratada no
documentário "Quando éramos Reis"), perdeu-o em 1978 para Leon Spinks e em seguida retomou-o de Spinks. Retirou-se do boxe quando ainda era campeão.

Infância e carreira amadora
Cassius Marcellus Clay, Jr., nasceu em 17 de janeiro de 1942 em Louisville, Kentucky. O mais velho de dois meninos, ele foi nomeado por seu pai, Cassius Marcellus Clay, Sr., que foi nomeado após o político abolicionista de mesmo nome. Seu pai pintava outdoors, e sua mãe, Odessa O'Grady Clay, foi uma empregada doméstica. No entanto, o Cassius Sr. era um metodista, aceitou que Odessa convertesse Cassius Jr. e seu irmão Rudolph "Rudy" Clay (depois renomeado Rahman Ali) como batistas. Ele era descendente de escravos americanos na América sulista, e é predominantemente descendente de afroamericanos, com ancestrais irlandeses e ingleses.

Clay teve seu primeiro contato com o boxe do chefe de polícia e técnico de boxe Joe E. Martin em Louisville, que o encontrou com 12 anos batendo em um ladrão que estava roubando sua bicicleta. Ele disse ao oficial que ele estava fazendo "whup" no ladrão. O oficial lhe disse para aprender boxe. Nos seus últimos quatro anos de carreira amadora Clay tinha treinado com Chuck Bodak.

"Clay ganhou seis títulos Golden Gloves de Kentucky, dois títulos Golden Gloves nacionais,
título nacional do Amateur Athletic Union, e a medalha de ouro do Meio-Pesado nas Olimpíadas de Verão de 1960 em Roma. O recorde amador de Clay foi 100 vitórias com apenas cinco derrotas."

Foi o único boxeador que até hoje suportou 12 assaltos com o maxilar quebrado (luta com Ken Norton, em 1973). Converteu-se ao Islamismo (mudando de nome paraMuhammad Ali-Haj) e lutou contra o racismo. Muhammad Ali pode ser considerado o primeiro esportista a aliar marketing com política. Exemplo disso foi seu desempenho antes da luta com George Foreman no Zaire. Ali utilizou todo seu conhecimento do pan-africanismo para se colocar como o lutador da África, enquanto Foreman ficou como simbolo da alienação negra
americana, episódio este retratado no filme "Quando Éramos Reis", de 1974. Ali entrou para história da década de 60 quando se negou a lutar na Guerra do Vietnã. "Nenhum vietcongue me chamou de crioulo, porque eu lutaria contra ele?".
Por diversas vezes anunciou-se a luta entre Ali, o campeão mundial dos profissionais, contra o cubano Teófilo Stevenson, campeão mundial dos amadores e campeão olímpico, mas devido a problemas técnicos e políticos essa luta jamais ocorreu.


"Em 2001, Will Smith interpretou Muhammad Ali no filme Ali."

Em 2010, Muhammad junto com a cantora Christina Aguilera fizeram a propaganda em prol das vítimas do terremoto que destruiu o Haiti.
Se tornando lenda

"Ali tem a doença de Parkinson, diagnosticada no início da década de 1980. Em 2010, Ali foi a Israel para tratar a doença. O trabalho é feito com células tronco adultas. Os testes até então realizados com ratos tiveram sucesso, mas sua eficácia em seres humanos ainda será testada".

Muhammad Ali protagonizou lutas históricas, contra vários oponentes como, George Foreman, Sonny Liston e Joe Frazier, pugilista pelo qual Ali sofreu sua primeira derrota, em 1971, mas tendo vencido a revanche. Outra grande luta foi contra George Foreman, no antigo Zaire, a luta foi apelidada de "The Rumble in the Jungle", tendo Ali vencido por nocaute no sétimo round e reconquistado seu título. Muhammad Ali é considerado por muitos, o melhor pugilista de todos os tempos, e é ídolo em todo o mundo, Ali tamém foi indicado pela revista "The Ring Magazine" como o pugilista do ano mais vezes do que qualquer outro boxeador; Ali é um dos integrantes do "International Boxing Hall of Fame", onde estão os maiores boxeadores da história do esporte. Ali também tem uma rua em Louisville com seu nome, chamada de "Muhammad Ali Boulevard". Em 2005, recebeu a "Presidential Medal of Freedom", uma medalha que o governo americano presenteia seus cidadãos que fizeram muito pela nação.

 Ali parou, mas ficou o mito. Dominado pelo Mal de Parkinson, trava luta até hoje para dar-lhe o nocaute - a doença não tem cura, mas Ali investe alto em tratamento com células-tronco, que ainda não deram resultado. Mesmo assim, vem pelos anos deixando fãs e até ídolos de boca aberta. Como no segundo round das lembranças, que vai para 1996. Olimpíada de Atlanta. Na quadra, o Dream Team 2 americano de basquete, que já não tinha mais Michael Jordan e Magic Johnson, contava ainda com metade daquela equipe notável dos Jogos de Barcelona. Astros como Charles Barkley, como exemplo, conhecidos pela soberba,simplesmente ficaram estáticos, de boca aberta, tímidos, quando Ali, já com a doença, entrou na quadra para receber de volta a medalha de ouro olímpica conquistada em 1960, em Roma, que lhe fora também tirada por questões políticas.
Os ídolos americanos batem palmas para Ali. Os brasileiros também. O pugilista Éder Jofre, bicampeão mundial no peso-galo e no peso-pena, glória nacional, de quem Ali foi admirador, e o lutador supercampeão Anderson Silva, do MMA, febre do momento que ocupa um espaço já do boxe tempos atrás, se rendem também à técnica e à liderança do maior de todos os tempos.

- Acho que o Ali é o rei do boxe e a referência pública negra no esporte. Depois dele vieram Michael Jordan, Magic Johnson e tantos outros. Ele abriu as portas para todos nós. E tinha uma garra e um estilo inconfundíveis, que me inspiram. A luta do século, contra Foreman, é
uma aula de superação. Além disso, era ambicioso e um visionário - afirmou por e-mail Anderson Silva, dono do cinturão do pesos-médios e considerado hoje o maior lutador do MMA.

Um afro braço.

fonte:http://www.mensagenscomamor.com/enciclopédia livre.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O samba se renova mantendo a Raiz comemora 100 anos em 2016.

- É neste contexto social e cultural que o século XX começa no Rio: a então capital da nova República, receptora de milhares de negros que migravam da Bahia, serviu de catalisadora de diversos movimentos artísticos e culturas africanas. 
Eram os primeiros anos após o fim da escravidão (1888) e o centro da cidade fervilhava com uma classe média emergente de trabalhadores negros que finalmente podiam vender seu trabalho. Os artistas dessa época, proibidos pela polícia de mostrar sua música em público, buscavam refúgio nas casas das tias baianas, mulheres que ganhavam a vida vendendo sua culinária ou costura. Após celebrações de rituais do Candomblé (e posteriormente da Umbanda), se reuniam para, entre versos e batuques, criar, resistir e forjar o samba carioca

."Eu sou o samba/ A voz do morro sou eu mesmo sim senhor/ Quero mostrar ao mundo que tenho valor/ Eu sou o samba/ Sou natural daqui do Rio de Janeiro/ Sou eu quem levo a alegria/ Para milhões de corações brasileiros". ( A voz do morro, de autoria de Zé Keti )"

Em 2016 é a vitoria das escolas de samba de tradição da cidade do Rio de Janeiro..
Mangueira comemora 50  de existência e de
 Bethânia  e vence com a força dos Orixás...
Em segundo Tijuca,Portela em terceiro....
Sangueiro também favorito em quarto os mensageiros dos Orixás e seu Malandro...


O nosso samba, um gênero tão brasileiro, só foi oficializado há 100 anos. Em novembro de 1916, Ernesto dos Santos, o Donga, registrou o primeiro samba na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, “Pelo Telefone”, e entrou para a história. Polêmicas à parte (dizem que a música era uma criação coletiva, feita na casa da Tia Ciata), o episódio foi muito importante para o processo de profissionalização dos compositores do gênero.

100 anos de samba é comemorado durante o Carnaval 2016...

Começava o século XX. O maxixe que o compositor Ernesto Nazareth (1863-1934) preferia chamar de tango e a modinha já não estavam mais a sós. Surgia uma nova dança, um novo ritmo que receberia o nome de samba.

_'Trata-se de um sincretismo musical em que, originalmente estão presentes a polca europeia, que lhe forneceu os movimentos iniciais, a habanera, influenciando o ritmo, o lundu e o batuque, com o sincopado e a coreografia, e o jeitinho brasileiro de cantar e encantar, como disse Mário de Andrade".

Samba carnavalesco- Marchinhas e Sambas feitas para dançar e cantar nos bailes carnavalescos. exemplos : Abre alas, Apaga a vela, Aurora, Balancê, Cabeleira do Zezé,

Bandeira Branca, Chiquita Bacana, Colombina, Cidade Maravilhosa entre outras.

No carnaval, indiscutivelmente a maior festa brasileira, o samba faz escola e apresenta ao mundo a sua grandiosidade.

Um retrospectiva histórica do Samba :

Década de 1910

Em 1916, Donga registrou o primeiro samba, “Pelo Telefone”, da Biblioteca Nacional. A música mostra o cotidiano no Rio de Janeiro daquela época e faz duas homenagens: ao jornalista Mauro de Almeida, “O Peru dos Pés Frios”, e ao boêmio Noberto do Amaral Júnior, o “Morcego”:

Década de 1920José Barbosa da Silva, o Sinhô, ficou conhecido como o “rei do samba”. O cantor e compositor carioca teve vários sucessos, entre eles “Quem São Eles?”, “Fala Baixo” e “Jura”. A última foi regravada por Zeca Pagodinho. Um dos registros emblemáticos é a versão de Aracy Cortes, em 1929:

Década de 1930A música deu início à famosa polêmica entre Wilson e Noel Rosa, em 1933. O Poeta da Vila não gostou nenhum pouco da exaltação à malandragem e compôs ”Rapaz Folgado”. O quiproquó rendeu vários sucessos, como “Mocinho da Vila”, “Conversa Fiada” e “Feitiço da Vila”.

Década de 1940A dupla Ataulfo Alves e Mário Lago — conhecida pelo sucesso “Ai Que Saudade da Amélia” — também ganhou destaque com o samba “Atire a Primeira Pedra”, de 1944. A composição está no musical “É com Esse que Eu Vou”.

Década de 1950Foi o auge do samba-canção. Dolores Duran foi uma das principais representantes dessa ramificação do samba, que também teve como destaque Lupicínio Rodrigues. “A Noite do Meu Bem”, conhecida na voz de Dolores, é o título do livro recém-lançado que resgata as memórias daquele período.

Década de 1960O Zicartola (foto no alto da página), bar e restaurante do mestre Cartola e da esposa dele, dona Zica, foi um marco na trajetória do samba. O estabelecimento funcionou apenas de 1963 a 1965, mas reuniu, nesse pouco tempo, o anfitrião, Nelson Cavaquinho e Zé Keti, entre outros bambas. O local também promoveu o encontro desses artistas com uma nova geração, como Paulinho da Viola e Nara Leão.

Década de 1970Enfim, foi a vez das mulheres conquistarem o topo nas paradas radiofônicas. O trio de cantoras – formado por Alcione, Beth Carvalho e Clara Nunes – conquistou todo o país. “Não Deixe o Samba Morrer”, “Vou Festejar” e “Conto de Areia” são, até hoje, músicas que não podem faltar nas rodas de samba.

Década de 1980O LP de estreia do grupo Fundo de Quintal, “Samba É Fundo de Quintal” (1980), chamou a atenção por trazer novidades para o gênero. O uso do banjo, do tantã e do repique de mão nas batucadas era inédito até então. Criado no Cacique de Ramos, o grupo teve integrantes que se tornaram compositores de destaque, como Almir Guineto, Arlindo Cruz, Jorge Aragão e Sombrinha.

Década de 1990Por volta de 1998, surgiu na Lapa carioca um movimento que revitalizou o local. Antes abandonado, o lugar tornou-se passagem obrigatória para quem gosta de samba. Teresa Cristina e Grupo Semente, Pedro Miranda, Marcos Sacramento e Moyseis Marques são alguns frutos desse renascimento da Lapa.

Década de 2000

Após a explosão do pagode, muitos artistas decidiram ir contra a maré e resgatar o samba tradicional. Entre eles, está o grupo carioca Casuarina, que tem uma carreira marcada por hits autorais e por regravações de importantes compositores, como Roberto Silva e Aluísio Machado.

Década de 2010

Tempos modernos, internet e samba sem fronteiras. Os representantes do gênero de outros estados ganharam mais reconhecimento. Em Recife, Karynna Spinelli chama atenção pelo repertório afro. Parente de Ary Barroso, Alexandre Rezende dá continuação ao legado mineiro. Em Brasília,Renata Jambeiro comprova que o cerrado também é solo fértil para as batucadas.

"Não importa que seja a trajetória mais a população negra foi uma vitória. Depois da abolição da escravidão, este é o momento mais importante para o negro. Significou que a palavra samba, de origem africana, ao estar registrada na Biblioteca Nacional, passou a fazer parte da cultura do país, e não apenas para nos  negro mais para o povo brasileiro", - Paulo Lins, escritor."

Claudia Vitalino.

Um afro abraço.

fontes:www.cultura.rj.gov.br\museudosamba.org.br/