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Rebele-se Contra o Racismo!

sábado, 15 de fevereiro de 2014

1963 - James Meredith é o primeiro negro a se formar na Universidade do Mississipi

Em 18 de agosto de 1963, o estudante e ativista norte-americano James Meredith tornou-se o primeiro negro a se formar na Universidade do Mississipi, sul dos Estados Unidos. Esse ato
foi considerado uma virada a favor do Movimento pelos Direitos Civis dos EUA. Dois anos antes, ele já havia chamado a atenção do país ao conseguir se inscrever e, com muita dificuldade e sob ameaças, entrar e estudar na instituição, enfrentando a ira e os protestos da elite branca do Estado.

Meredith, hoje com 80 anos, sempre admitiu que sua decisão de exercer seus direitos foi inspirada pelo discurso de posse do então presidente John Fritzgerald Kennedy – sobre a necessidade de cada americano ser um cidadão ativo. Muito mais do que se formar, o objetivo principal do ativista era pressionar o governo a garantir e ampliar os direitos civis à população negra em todo o território.

Meredith nasceu em Kosciusko, no estado segregacionista do Mississipi, de uma família de origem negra e indígena (tribo choctaw, expulsa da região no passado). Depois de estudar em escolas só permitidas para negros, alistou-se nas Forças Armadas e serviu a Aeronáutica de 1951 a 1960.

No final de 1961, quando concluiu seu segundo ano no curso de Ciências Políticas da Universidade de Estadual de Jackson, no mesmo Estado, decidiu pedir transferência para a Universidade do Mississipi que, amparada pela legislação racista do Estado, só aceitava estudantes brancos. Se uma decisão da Suprema Corte de 1954, no caso Brown vs. Education, já havia determinado que tal política não poderia mais ser aceita em instituições de ensino, ela ainda não havia sido colocada em prática naquele estado.

Em carta à universidade, Meredith disse que queria a inscrição “por seu país, por sua raça, por sua família e por si mesmo”. “Estou ciente das possíveis dificuldades envolvidas nessa ação assim como sei que, embora subestimado, estou totalmente preparado para obter uma graduação na Universidade de Mississipi”, escreveu o ativista na ocasião.

Após receber duas negativas entrou na justiça em 31 de maio de 1961 alegando ter sido rejeitado unicamente pela cor de sua pele, já que tinha um currículo escolar adequado e suficiente para ser aceito. A decisão final só saiu através da Suprema Corte que, no mesmo ano, determinou a aplicação de seu pedido.Mesmo com o aval jurídico, o governador do Estado, Ron Barnett, tentou de todas as maneiras barrar sua entrada, forçando a aprovação de uma lei que proibia “qualquer pessoa com antecedentes criminais no estado ser aceita em uma instituição estadual de ensino”. Meredith havia sido condenado no passo por registro eleitoral falso, em razão de especificidades na lei eleitoral do Mississipi que coibiam o voto de eleitores negros.

Com a intervenção do procurador-geral dos EUA, Robert Kennedy, Barnett foi obrigado a concordar, relutantemente, com o pedido de Meredith.

Após a admissão, o ativista foi barrado no portão de entrada no dia 20 de setembro, só conseguindo ingressar fisicamente, sob forte escolta policial, no dia 1.º de outubro. Estudantes brancos e ativistas pró segregação chegaram a cercar o campus naquele dia tentando impedir sua entrada. Robert Kennedy precisou da ajuda das Forças Armadas para desocupar o local e garantir a segurança do ativista. Duas pessoas morreram, incluindo um jornalista francês encontrado morto com um tiro nas costas. Um dos carros responsáveis pela segurança foi incendiado e os dois ocupantes, que saíram de lá ilesos, ainda tiveram de escapar de um tiroteio. 160 dos 500 U.S. Marshalls (agentes pertencentes ao Departamento de Justiça) convocados pelo governo ficaram feridos, além de 40 membros da Guarda Nacional.
Após se formar, continuou seus estudos na Nigéria, voltou aos EUA para organizar marchas pelo direitos civis (como a "Marcha contra o Medo", de Memphis a Jackson, onde chegou a ser baleado).
Na carreira política, sempre militou pelo partido Republicano. Foi duramente criticado por membros do movimento negro ao assessorar, entre 1989 a 1991, o senador ultraconservador Jesse Helms, da Carolina do Norte, que atuara no passado contra a intervenção federal em assuntos que ele considerava de responsabilidade estadual – incluindo integração racial, o Ato de Direitos Civis e o Ato do Direito ao Voto, todos embates caros ao movimento negro. O mesmo Helms tentou impedir que o Senado aprovasse um feriado nacional em homenagem a Martin Luther King. Meredith justificou sua opção ao dizer ter oferecido seus serviços a todos os senadores da República, e apenas Helms abriu as portas para ele.

Em 2002, durante a celebração dos 40 anos de sua admissão, seu filho, Joseph, já falecido, também obteve graduação em Administração, ficando em primeiro lugar no curso daquele ano. Na ocasião,

James disse: “Não há prova maior para mostrar a falibilidade da supremacia branca do que
não apenas meu filho ter se formado aqui, mas o fato de ter obtido o primeiro lugar no curso. Bem, acho que isso vinga minha vida toda”. James tem uma estátua em sua homenagem na universidade.

Um afro abraço.

fonte:www.espacoacademico.com.br

domingo, 9 de fevereiro de 2014

CLEMENTINA DE JESUS (Clementina de Jesus da Silva)

   No dia 7 de fevereiro de 1901 nascia, na cidade da Valença (RJ)

Filha de um violeiro e capoeirista, desde criança ouvia os cantos de trabalho, jongos, benditos, ladainhas e partidos-altos cantados pela mãe. Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro RJ, passando a adolescência no bairro de Osvaldo Cruz. Aos 12 anos, desfilava no Bloco Moreninhas das Campinas. Três anos depois, já cantava no coro de uma das muitas igrejas do bairro de Oswaldo Cruz. Por essa época, freqüentava as rodas de samba na casa de Dona Maria Nenê. Mais tarde, passou a frequentar oGrêmio Recreativo e Escola de Samba Portela. No ano de 1940 casou-se com Albino Pé Grande e foi morar no morro da Mangueira.Durante 20 anos trabalhou como empregada doméstica, cantando só para os amigos, sendo descoberta aos 63 anos por Hermínio Bello de Carvalho. Sua primeira aparição como cantora profissional se deu em 1964, quando, a convite de Hermínio, participou do show "O menestrel" (c/ Turíbio Santos). No ano seguinte, integrou o musical "Rosa de Ouro", apresentado no Teatro Jovem do Rio de Janeiro e dirigido por Hermínio Bello de Carvalho e Kleber Santos, ao lado da veterana Araci Cortes e do Conjunto Rosa de Ouro, que tinha como integrantes, entre outros, Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Nelson Sargento. Do show foi editado o LP: "Rosa de Ouro", em 1965, com Benguelê" (Pixinguinha e Gastão Vianna), "Boi não berra" (domínio público), "Sementes do samba" (Hélio Cabral), "Nasceste de uma semente" (José Ramos) e "Bate canela". Para esse disco Élton Medeiros compôs em sua homenagem o partido-alto "Clementina cadê você?". O show seguiu em turnê pela Bahia e em teatros São Paulo. Viajou para Dacar e Senegal, representando o Brasil no Festival de Arte Negra, acompanhada de Elizeth Cardoso, Élton Medeiros e Paulinho da Viola no ano de 1966. É também de 1966 seu primeiro disco solo, "Clementina de Jesus", pela Odeon, onde interpreta sambas como "Piedade", "Cangoma e "Tute de madame", as três do folclore popular. "Em 1967 saiu "Rosa de Ouro Volume II", ao lado de Araci Cortes e do Conjunto Rosa de Ouro, em que Clementina interpreta, entre outras, "Mulato calado",

(Benjamin Batista Coelho - Marina Batista). Nesta mesma época, participou de concertos na Aldeia de Arcozelo e em dueto com Helcio Milito, apresentou na Sala Cecília Meirelles, do Rio de Janeiro, a "Missa de São Benedito" de autoria de José Maria Neves. No ano seguinte, em 1967, prestou seu histórico depoimento para o MIS (Museu da Imagem e do Som), no qual foi entrevistada por Hermínio Bello de Carvalho e Ricardo Cravo Albin. Em 1968, com João da Baiana e Pixinguinha gravou o disco "Gente da antiga", lançado pela Odeon. Neste mesmo ano, ao lado de Nora Ney e Cyro Monteiro, lançou o LP "Mudando de conversa", gravação do show homônimo, ao lado de Cyro Monteiro e Nora Ney, realizado no Teatro Santa Rosa, no Rio de Janeiro, com roteiro e direção de Hermínio Bello de Carvalho. desse mesmo ano é o disco "Fala Mangueira", com Carlos Cachaça, Cartola, Nélson Cavaquinho e Odette Amaral. No ano de 1970, gravou seu segundo disco solo, "Clementina cadê você?", lançado pelo MIS (Museu da Imagem e do Som) do Rio de Janeiro. Neste disco interpretou, entre outras, "Sei lá, Mangueira" de autoria de Paulinho da Vila e Hermínio Bello de Carvalho e ainda "Vai de saudade" (Candeia e Davi do Pandeiro). No ano de 1973, cinco meses depois de ter tido uma trombose que, conforme parecia, ameaçava encerrar sua carreira artística, lançou pela Odeon o LP "Marinheiro só". Produzido por Caetano Veloso, o LP trouxe do folclore popular a faixa "Marinheiro só", com adaptação de Caetano Veloso. Ainda neste mesmo disco, foram incluídas duas composições de Paulinho da Viola: "Na linha do mar", uma de suas interpretações de maior êxito, e "Essa nega pede demais", mais o partido-alto "Moro na roça" (Zagaia - Folclore / adpt de Xangô da Mangueira). Nesse disco, a própria Clementina fez três adaptações de cantos populares: "Fui pedir às almas santas", "Atraca, atraca" e "Incelença". Ainda em 1973, fez uma participação especial no disco"Milagre dos peixes", de Milton Nascimento, na faixa "Escravo de Jó" (Milton Nascimento e Fernando Brant). No ano de 1976, lançou o LP "Clementina de Jesus - convida Carlos Cachaça", onde registrou, entre outras, os sambas "Incompatibilidade de gênios" (Aldir Blanc - João Bosco) e "Não quero mais amar a ninguém" (Zé da Zilda - Carlos Cachaça - Cartola). No ano seguinte, em 1977, participou
como convidada de Clara Nunes no LP "As forças da natureza", no qual interpretou em dueto com a anfitriã a faixa "PCJ-Partido da Clementina de Jesus" de autoria de Candeia, feita em sua homenagem. Em 1979 gravou seu derradeiro disco, "Clemetina e convidados", pela Emi-Odeon, onde se destacou os sambas "Embala eu" (Albaléria), em dueto com Clara Nunes e "Na hora da sede" (Luiz Américo - João de Barro). No ano de 1982 a Escola de Samba Lins Imperial se apresentou com enredo em sua homenagem: "Clementina - Uma Rainha Negra". No ano seguinte, recebeu no Teatro Municipal do Rio de Janeiro uma homenagem. Ainda em 1983, participou do LP "Canto dos escravos", com Doca e Geraldo Filme, interpretando cânticos dos escravos de Minas Gerais, lançado pela gravadora Eldorado. Em 1985, recebeu do governo francês, através do Ministro da Cultura Jack Lang, a Comenda da Ordem das Artes e Letras, com a presença de Jorge Amado, Caetano Veloso e Milton Nascimento. Seu último show foi no mês de maio no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, no ano de 1987, vindo a falecer em julho deste mesmo ano. No ano 2000, às vésperas da comemoração de aniversário de 100 anos de nascimento, foi
produzida por Hermínio Bello de Carvalho e João Carlos Carino uma caixa com nove CDs reunindo quase toda a obra gravada em LPs na Odeon, com exceção do disco produzido no MIS (Museu da Imagem e do Som). Ficou conhecida como a Rainha Ginga ou Quelé. A primeira homenagem foi dada devido a sua importância e grandeza na música popular, e a segundo devido à corruptela carinhosa de seu nome.).

Depois de trabalhar quase 20 anos como empregada doméstica, ela deu início à carreira musical aos 63 anos.  Clementina faleceu no dia 19 de julho de 1987, no Rio de Janeiro, em função de um derrame.
Claudia Vitalino.
Um afro abraço.


fonte:http://www.cantorasdobrasil.com.br