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Rebele-se Contra o Racismo!

domingo, 29 de julho de 2012

Histórias da Olimpiadas II:Piauiense Sarah Menezes - Primeira mulher a ganhar ouro no judô brasileiro em Jogos Olímpicos


 Veja que mundo contraditório. A piauiense Sarah Menezes, moradora do Bairro Bela Vista, periferia de Teresina, capital do estado, é conhecida hoje mundialmente como a primeira mulher judoca brasileira a ganhar um ouro em Jogos Olímpicos. Fazendo parte dos 49 milhões de brasileiras (o) entre 15 e 29 anos, que mora em periferias urbanas, e é negra (o), ela poderia, como tantos outros, estar estampando a capa dos jornais por outras diversas razões. Repressão policial e extermínio nas periferias da juventude negra, higienização étnica devido aos megaeventos, que descarta pessoas que não tem capital para investir nos mesmos – como a própria Olimpíada de Londres que, como tantos outros megaeventos, excluiu a população pobre dos grandes centros onde os jogos acontecem . Porém, hoje, a mídia é obrigada a mostrar essa jovem negra de periferia sob outra ótica, como uma grande lutadora.

Nunca uma judoca brasileira havia disputado uma final olímpica. E há 20 anos, desde a vitória de Rogério Sampaio nos Jogos de Barcelona, o país não conquistava uma medalha de ouro. Pois ontem a piauiense Sarah Menezes, de 22 anos, quebrou esses dois tabus de forma emocionante. E de quebra mais um: o Brasil jamais havia conquistado um ouro no primeiro dia de disputas de uma Olimpíada.
“Minha vida agora vai mudar para melhor, tenho certeza. Mas é preciso que a vida das pessoas que treinam comigo em Teresina também mude”, disse Sarah, falando das dificuldades financeiras que sempre enfrentou para praticar o judô. Ela é integrante do programa Bolsa-Atleta do Ministério do Esporte desde 2006.
Com seu 1,54m, Sarah foi gigante na categoria até 48kg. Segura, madura, confiante, passou pelas cinco adversárias como se fosse uma veterana. E mostrou maturidade e inteligência, porque todas as lutas foram decididas por pontos. “Tive uma estratégia para cada luta. E gostei muito, porque consegui raciocinar, pensar em cada luta. Treinar todo mundo treina, o diferente é quando se consegue colocar em prática o que se planejou no treino.”
Seu maior susto foi nas quartas de final, quando um golpe da chinesa Shugen Wu no último segundo quase a levou à derrota, mas a judoca brasileira disse que seu momento mais complicado foi fora do tatame.
“Quando estava entrando para lutar a semifinal (contra a belga Charline Van Snick) vi que a japonesa (Tomoko Fukumi) perdeu e fiquei tão feliz que por algum tempo perdi a concentração.” A japonesa, que era favorita ao ouro, também perdeu na decisão do bronze e foi embora de mãos abanando.
Na decisão ela enfrentou a romena Alina Dumitru, campeã em Pequim/2008. E foi soberba. Não deu nenhuma chance à rival, dominou a luta do começo ao fim e venceu com um yoko e um wazari (11 a 0).
“Entrei para a decisão como se fosse um treino. Chorei depois da semifinal porque havia garantido uma medalha, por isso lutei sem pressão e com confiança”, acrescentou ela.
Uma festa enorme foi feita pelos pais de Sarah, Rogério e Olindina, em Teresina. Eles se reuniram com amigos e parentes no Centro de Treinamento Sarah Menezes. “Por oito anos minha filha lutou por isso”, disse a mãe, bastante emocionada.
Uma carreata e uma grande recepção já estão sendo organizadas na cidade para o retorno da campeã olímpica, que será dia 5. A promessa é de parar a capital do Piauí.
A EMOÇÃO DA TÉCNICA

Rosicléia Campos não é uma mulher que esconde seus sentimentos. Ontem, na Excel Arena, sua alegria com a medalha de ouro de Sarah Menezes foi contagiante. Com lágrimas nos olhos e um sorriso aberto, a técnica brasileira estava eufórica. “É um sonho realizado.”
No comando do time feminino desde 2005, Rosicléia colaborou muito para transformar a equipe de um grupo desacreditado em um dos mais respeitados da atualidade. E logo no primeiro dia dos Jogos ela alcançou sua meta com sobras. “A ideia era chegar a uma final olímpica, o que já seria nossa melhor participação. Mas veio o ouro. Graças a Deus.”

E o judô feminino do Brasil não deverá parar por aí. Pela posição no ranking, é bem possível que pela primeira vez numa Olimpíada as mulheres tenham um desempenho melhor do que o dos homens.
“Acho que elas estão em um grande momento. Mas os meninos têm muita experiência e isso conta muito.”

Dentro do estádio de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres , 80.000 pessoas vibravam com a cerimônia neste 27 de julho, enquanto do lado de fora, moradores, ex-moradores e ativistas vinham denunciando há algum tempo  a “limpeza” da área, uma das mais empobrecidas do país, feita à base de políticas agressivas de coerção e remoção de pessoas com ''comportamento anti-social'' da área do Parque Olímpico, em favor do “benefício econômico”, segundo reportagem de Roberto Almeida ao siteDireito à Moradia. 

Foi nesse contexto de Londres que a judoca piauiense Sarah Menezes conquistou, neste sábado (28), a medalha de ouro na categoria peso-ligeiro (até 48kg) ao derrotar a romena Alina Dumitru na final, atleta campeã olímpica em Pequim 2008.  É o primeiro ouro do Brasil nos Jogos de Londres e é também a primeira medalha de ouro do judô feminino do Brasil em Olimpíadas. O melhor resultado era o bronze de Ketleyn Quadros, em Pequim-2008. Nos Jogos de Pequim, Sarah, então com apenas 18 anos, fora derrotada logo em sua primeira luta.
Parabens Brasil e Um afro abraço.

 fonte:armenKemolyhttp://correionago.ning.com/profile/CarmenKemoly/ttp://correionago.ning.com/xn/detail/4512587%3ABlogPost%3A279036

Historia da Olimpiadas:O negro que peitou Hitler


O trabalho  pesados, falta de atrativos, dificuldades financeiras, seja qual for o motivo, a raça negra ainda está distante dos esportes . Fomos atrás de números, estatísticas e razões para que isso ocorra não só no Brasil, mas, no mundo inteiro...Mais algumas histórias é um incentivo a nós que temos poucas referencias.
Boa leitura e um afro abraço.

Jesse Owens não se abateu pelo preconceito racial, levou quatro ouros nas Olimpíadas de Berlim e fez o líder nazista se retirar do Estádio Olímpico em 1936



Por Nanna Pretto

O objetivo dos Jogos Olímpicos de 1936, na Alemanha, era muito mais do que a disputa pelas medalhas de ouro. Naquela época, importava mais a Adolph Hitler demonstrar ao mundo a superioridade da raça ariana, a raça pura, segundo ele. Os alemães só não contavam com o desempenho dos negros americanos. Das 14 medalhas de ouro conquistadas pelos Estados Unidos no atletismo, nove vinham de vitórias negras. Destas, quatro foram mérito de Jesse Owens, atleta nascido no Alabama, que fez Hitler abandonar o Estádio Olímpico, após subir no primeiro lugar do pódio pela terceira vez.

Owens ficou com ouro nos 100 m, 200 m e no revezamento 4 x 100 m. Além disso, teve o primeiro lugar no salto em distância. Pior do que cumprimentar um negro era vê-lo desbancando os alemães. Sim, na conquista do ouro no salto em distância, Owens deixou para trás o alemão Lutz Long, o maior de todos os saltadores em distância da Europa na época. Após a vitória nos 100 m, o terceiro ouro de Owens, o líder nazista deixou o estádio para não cumprimentá-lo.

Apenas nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, o atleta Carl Lewis conseguiu igualar o feito de Owens conquistando para os EUA quatro medalhas de ouro.

Após as conquistas de Owens, as pessoas em Berlim rejeitaram a publicidade nazista e fizeram do negro americano o herói dos Jogos Olímpicos. Em determinados momentos, durante as competições, Hitler, reconhecendo a óbvia superioridade atlética demonstrada por Owens, o chamou de “criado africano dos americanos”, porque ele não aceitava que um não-alemão pudesse possuir tantas qualidades físicas. Ainda mais quando se tratava de alguém da “sub-raça”, como o tirano se referia aos negros. Para Hitler, eles estavam apenas um degrau acima dos judeus. A resposta de Owens às afrontas nazistas veio com vitórias, em especial no salto em distância, quando estabeleceu a marca de 8,06 m, derrotando o alemão Lutz Long e fazendo Hitler abandonar o cenário olímpico.

Ovacionado por mais de 110 mil pessoas em Berlim e parado na rua para dar autógrafos, Owens não sofreu preconceito apenas na Alemanha nazista. Também nos EUA os negros não tinham os mesmo direitos dos brancos.

“Quando eu voltei para minha terra natal, apesar de todas as histórias sobre Hitler, eu não podia entrar no ônibus pela porta da frente e também não podia morar no lugar que eu queria. Eu não fui convidado a apertar as mãos de Hitler, mas também não fui à Casa Branca para apertar as mãos do presidente do meu país”, desabafou na época.

Neto de escravos
James Cleveland “Jesse” Owens, nasceu em 12 de setembro de 1913 na pequena cidade de Decatur, Alabama, mas mudou-se com a família para Cleveland, Ohio, aos 8 anos. Sétimo dos onze filhos de Henry e Emma Owens, JC era neto de escravos e filho de agricultores que pagavam o pedaço de terra com parte da colheita e produção familiar. O dinheiro era curto e o pai dele vivia sempre em busca de um emprego melhor. Ao chegar em Cleveland, JC foi matriculado em uma escola pública. No primeiro dia de aula, quando a professora lhe perguntou o nome, ela entendeu “Jesse”, em vez de JC. O “novo” nome pegou, e a partir daquele dia, o garoto passou a ser chamado de Jesse Owens.
A nova cidade não era bem aquilo que os pais de Owens esperavam e, por conta disso, o garoto fora obrigado a dividir o dia entre a escola e o trabalho. Ele foi entregador de mercadorias e auxiliar de sapateiro. Foi nessa época que Owens descobriu a corrida, esporte que mudaria a vida dele.

“Nós sempre nos divertimos muito. E nunca tivemos nenhum problema. Nós sempre comemos. O fato de a gente não ter um bife? E quem tinha bife?”, desabafou o campeão. 

O talento de Owens foi descoberto por um professor de ginástica na escola. Quando o técnico Charlie Riley viu o desempenho do garoto nas pistas, logo o convidou para fazer parte do time de atletismo. Apesar de Owens não poder comparecer aos treinos após a aula, em função do trabalho de meio período, Riley se para ofereceu treinar o garoto pela manhã. Owens aceitou. “Toda manhã, assim como no Alabama, eu acordava com o sol, tomava café, até mesmo antes da minha mãe e irmãos acordarem e ia para a escola, no inverno, primavera e outono, tanto para correr como para saltar. Fazia isso pelo meu corpo e pelo meu técnico.”

“Eu sempre amei correr. É uma coisa que você faz por conta própria e tem total controle da situação. Você pode ir a qualquer direção, rápido ou devagar, brigando com o vento do jeito que você achar melhor.”

Disputa contra o preconceito
Muitas escolas e universidades tentaram recrutar Owens. A escolha foi pela Universidade de Ohio. Ali ele conheceu as mais bárbaras competições e não foi somente nas pistas. O preconceito racial, em 1933, era evidente, uma experiência difícil para um atleta iniciante. A Owens era solicitado que morasse fora do campus da faculdade, com outros afro-americanos. Quando viajava com o time, ele era obrigado a realizar as refeições em estabelecimentos destinados aos negros. O mesmo acontecia com os hotéis. Certa vez, um hotel para brancos aceitou hospedar os atletas negros. Desde que eles entrassem e saíssem pelas portas do fundo e usassem as escadas, em vez do elevador.
Como não tinha direito a bolsa de estudos, Owens usava, como sempre, tempo livre em empregos para se sustentar e a jovem esposa, Minnie Ruth Solomon. Foi ascensorista, garçom e trabalhou em livrarias. Todos os esforços valiam para poder praticar e cravar recordes nas competições.

“As batalhas que contam não são aquelas que trazem medalhas de ouro. O esforço é individual. A invisível, porém inevitável, luta que todos nós travamos é o que vale.”

Três recordes em 45min

Owens passou a semana que antecedeu as competições Big Ten, na cidade norte-americana Ann Arbor, do Estado de Michigan, em março de 1935, com uma forte dor nas costas em função de uma queda –ele rolou escada abaixo dias antes do evento. Técnicos e médicos questionavam se ele teria condições psicológicas de competir. Mas o atleta do Alabama recebeu os tratamentos necessários até o dia da prova e mostrou ao técnico Riley que ele estava bem para correr. A permissão foi apenas para as 100 jardas (91,44 m). Owens igualou o recorde mundial com o tempo de 9s4 e foi liberado por Riley para competir nas demais modalidades.

Assim, um ano antes de participar dos Jogos de Berlim, Owens estabeleceu mais três marcas mundiais, nas 220 jardas (em 20s3), 220 jardas com barreira (22s6) e salto em distância (8,13 m). Tudo em um intervalo de tempo de 45 minutos.

As Olimpíadas de Hitler
Após as conquistas universitárias, Owens percebeu que poderia ter sucesso no nível mais alto de competição. Assim, em 1936, lá estava o negro americano, na Alemanha, para participar dos Jogos Olímpicos de Berlim ou das “Olimpíadas de Hitler”, como ficaram conhecidas.

A organização foi a maior vitória dos alemães. O interesse nas Olimpíadas daquele ano era demonstrar a força do governo nazista. A imprensa, na época, relatou que o acontecimento foi fora do comum, acima do que foi visto em Los Angeles ou em quaisquer outros Jogos Olímpicos anteriores. Acima de tudo, as Olimpíadas de Hitler estavam ali para provar ao mundo que a raça ariana tinha o domínio. Mas Owens tinha outros planos. E ao fim dos Jogos, até fãs alemães clamavam pela vitória do negro americano.

“Por um instante, ao menos, eu fui a pessoa mais famosa do mundo.” 
Jesse Owens foi o primeiro americano na história dos Jogos Olímpicos a ganhar quatro medalhas.

Após o grande mérito
“Quando voltei dos Jogos Olímpicos com minhas quatro medalhas, todas as pessoas batiam em minhas costas me cumprimentavam e queriam apertar minhas mãos. Mas ninguém veio me oferecer um emprego.” 

Mesmo com o sucesso, a instabilidade financeira permanecia na família Owens. Infelizmente, naquela época, os Estados Unidos não ofereciam nenhuma ajuda de custo ao atleta, por causa de ele ser negro. Na tentativa de ajudar a família, Owens abandonou os estudos a um ano da formatura para correr profissionalmente. Por um período, ele competiu contra qualquer pessoa e até em disputas com cavalos, cachorros e motocicletas. A liga negra de beisebol sempre convidava Owens para competir contra cavalos puro-sangue em exibições especiais antes dos jogos.

Owens também aceitava convites para discursar em eventos públicos. De fato, ele era tão admirado que começou, por conta própria seus próprios eventos públicos ao abrir em empresa de relações públicas.

A Segunda Guerra Mundial (entre 1939 e 1945) interrompeu a carreira olímpica de Owens. Quando os Jogos voltaram a ser disputados em 1948 em Londres, ele, então com 35 anos, já não corria competitivamente mais.

Em 1976, Owens recebeu do presidente Gerald Ford a mais alta condecoração que um civil norte-americano pode ter: a Medalha da Liberdade. O negro que desbancou Hitler morreu no dia 31 de março de 1980, aos 66 anos, em Tucson, com complicações em função de um câncer no pulmão.

Do casamento com Ruth, em 1935, nasceram as três filhas, Gloria, Beverly e Marlene. Atualmente, Ruth e Marlene cuidam da Fundação Jesse Owens que presta assistência financeira e suporte a jovens carentes.

Os feitos da lenda
- Owens foi o primeiro americano na história olímpica a conseguir quatro medalhas de ouro em uma única olimpíada.
- destacou-se com a marca histórica de três recordes mundiais no intervalo de tempo de 45 minutos, no campeonato americano “Big Ten”.
- O recorde no salto em distância, com a marca de 8,13 m estabelecido no Big Ten permaneceu com Owens por 25 anos.
- Em junho de 2006 a NCAA anunciou Jesse Owens como o terceiro atleta de maior influencia para os estudantes esportistas. O jogador de beisebol Jackie Robinson e o tenista Arthur Ashe ocupam as duas primeiras posições.

::Ouros Olímpicos

Berlim, 1936100 m10s3
Berlim, 1936200 m20s7
Berlim, 1936Salto em distância8,06m
Berlim, 19364 x 100m39s8


Fonte: Revista O2 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Negro da nossa história:Lima Barreto Escritor e Jornalista


Filho de escravos  ele sofreu esse preconceito em toda sua vida . Logo cedo ficou órfão de mãe. para abolir oficialmente a escravidão, Afonso Henriques de Lima Barreto teve oportunidade de boa instrução escolar, vindo a tornar-se jornalista e um dos mais importantes escritores e militantes da causa do País. Ainda jovem, aprendeu a trabalhar com tipografia e, em 1902, começou a contribuir para a imprensa brasileira, escrevendo para pequenos veículos de comunicação.
Lima Barreto (1881-1922) foi escritor e jornalista brasileiro.  Estudou no Colégio Pedro II e ingressou na Escola Politécnica, no curso de Engenharia. Seu pai enlouquece e é internado, obrigando Lima Barreto a abandonar o curso de Engenharia. Para sustentar a família, empregou-se na Secretaria de Guerra e ao mesmo tempo, escrevia para vários jornais do Rio de Janeiro. Ao produzir uma literatura inteiramente desvinculada dos padrões e do gosto vigente, recebe severas críticas dos letrados tradicionais. Explora em suas obras, as injustiças sociais e as dificuldades das primeiras décadas da República. Com seu espírito inquieto e rebelde, Lima Barreto entrega-se ao álcool.
Afonso Henrique de Lima Barreto (1881-1922) nasceu no Rio de Janeiro no dia 13 de maio. Filho de Joaquim Henriques de Lima Barreto e Amália Augusta, ambos mestiços e pobres. Sofreu preconceito a vida toda. Seu pai era tipógrafo e sua mãe professora primária. Logo cedo ficou órfão de mãe.
Lima Barreto estudou no Liceu Popular Niteroiense e concluiu o curso secundário no Colégio Pedro II, local onde estudava a elite litrária da época. Sempre com a ajuda de seu padrinho, o Visconde de Ouro Preto, ingressou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde iniciou o curso de Engenharia. Em 1904 foi obrigado a abandonar o curso, pois, seu pai havia enlouquecido e o sustento dos três irmão agora era responsabilidade dele.
Em 1904 consegue emprego de escrevente copista na Secretaria de Guerra, ao mesmo tempo que colabora com quase todos os jornais do Rio de Janeiro. Ainda estudante já colaborava para a Revista da Época e para a Quinzena Alegre. Em 1905 passa a escrever no Correio da Manhã, jornal de grande prestígio.
Em 1909 Lima Barreto publica o romance "Recordações do escrivão Isaías Caminha". O texto acompanha a trajetória de um jovem mulato, que vindo do interior sofre sérios preconceitos raciais. Em 1915 escreve "Triste fim de Policarpo Quaresma", e em 1919 escreve "Vida e morte de M.J.Gonzaga de Sá". Esses três romances apresentam nítidos traços autobiográficos.

Com uma linguagem descuidada, suas obras são impregnadas da justa preocupação com os fatos históricos e com os costumes sociais. Lima Barreto torna-se uma especie de cronista e um caricaturista se vingando da hostilidade dos escritores e do público burguês. Poucos aceitam aqueles contos e romances que revelavam a vida cotidiana das classes populares, sem qualquer idealização.
A obra prima de Lima Barreto, não perturbada pela caricatura, foi "Triste fim de Policarpo Quaresma". Nela o autor conta o drama de um velho aposentado, O Policarpo, em sua luta pela salvação do Brasil.
Lima Barreto com seu espírito inquieto e rebelde, seu inconformismo com a mediocridade reinante, se entrega ao álcool. Suas constantes depressões o levam duas vezes para o hospital. Em 01 de novembro de 1922 morre de um ataque cardíaco.

Informações biográficas de Lima Barreto:
Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909) - resumoTriste fim de Policarpo Quaresma (1915) - resumoVida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919)Clara dos Anjos (1948) sátirasOs bruzundangas (1923) - resumoCoisas do Reino do Jambom (1953) contosO Subterrâneo do Morro do Castelo (1905) Histórias e Sonhos (1920)Outras Histórias (1952)Contos Argelinos (1952)A Nova Califórnia (coletânea de contos) aritigos e crônicasBagatelas (1923)Feiras e Mafuás (1953)Marginália (1953)Vida urbana (1953) outrosDiário íntimo (memória - 1953) O cemitério dos vivos (memória - 1953)Impressões de leitura (crítica - 1956)Correspondência ativa e passiva (1956)


Data do Nascimento: 13/05/1881
Morreu aos 41 anos

Data da Morte: 01/11/1922
Um Afro abraço.


Dia Nacional de Prevenção a Acidente de trabalho


27 de JULHO-

O MAIOR BEM DE UMA INSTITUIÇÃO É O SEU CAPITAL HUMANO

Dois dos direitos fundamentais do ser humano são o direito à alimentação e o direito à saúde.
Condição sine qua nom para dignidade de um cidadão, além desses dois direitos fundamentais e básicos, é o direito ao trabalho digno.

Apenas com essa trilogia, é possível caracterizar o SER - CIDADÃO.



 O que é um trabalho digno? Para que o trabalho seja digno, não basta, apenas ser uma atividade remunerada satisfatoriamente, mas sim, uma atividade onde sejam mantidas e preservadas as integridades físicas e morais do trabalhador.


A Segurança da atividade laboral é primordial para essa dignidade.
Segurança do e no trabalho pode ser entendida como o conjunto de medidas que são adotadas visando minimizar riscos de acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade e a capacidade de trabalho do trabalhador. 

A Segurança do e no Trabalho tem como base as análises de risco que, nada mais são do que ações preventivas com base nos riscos eminentes ou potenciais.

No passado recente, a mão de obra escrava negra possibilitou emergir os pilares básicos do país e dinamizou por quase quatro séculos a expansão e o desenvolvimento econômico do Velho e do Novo Mundo. Milhões de vidas de homens e mulheres traficados de diferentes regiões africanas foram consumidos no perverso processo de acumulação de riquezas do Império Colonial Português e de demais nações que partilharam da exploração e do tráfico negreiro. Durante cinco séculos, afirmou-se a supremacia branca e a subjugação dos povos originais (os índios) e dos povos africanos.

Historicamente, criou-se uma perversa hierarquia entre pessoas de peles, sexos e culturas distintas. Pessoas que viram suas singularidades transformadas em diferenças inferiorizadas. Sobreposições de discriminações que se naturalizaram no inconsciente coletivo.
O que herdaram as novas gerações de mulheres negras e homens negros no Brasil? Herdaram somente a força e a resistência dos seus ancestrais. Os negros ainda permanecem  majoritariamente na condição de filhos bastardos de uma pátria-mãe  pouco gentil, sem jamais usufruir do berço esplendido reservado a um seleto grupo de eurodescendentes. 
O perfil da distribuição da população brasileira, segundo posições sociais hoje, atesta que o caso do racismo, da tentativa sistemática de inferiorização do segmento populacional negro no Brasil não é uma história que ficou no passado.

Nasce neste final de milênio um novo perfil de trabalhador: polivalente, capaz de exercer funções diversificadas, o que exige investimentos em profissionalização de excelência. Por que as empresas ao investirem na modernização profissional de alguns trabalhadores, comumente, marginalizam os negros? Uma das explicações seria a combinação entre especialização técnica e administração de quadros, ou seja, a importância de treinamento para a chefia. Ora, haver negros chefiando brancos poderia desestabilizar uma cultura que institucionalizou lugares hierárquicos designando aos negros posições tidas como inferiores. É parte da idiossincracia cultural brasileira, em especial, a nordestina, expressões como ‘ponha-se no seu lugar’ ou ‘sabe com quem está falando?’ afirmando a legitimação  de poderes, de hierarquias  por ‘superioridade’ assumida.
O quadro de resistência, protesto e recusa do quadro aqui descrito por parte de negros e negras no Brasil é complexo e antigo, passando por diversas formas, como os quilombos, as expressões da religiosidade afro-brasileira, como o candomblé, e as entidades políticas que se organizaram para combater o racismo. Algumas marcam a linha da inclusão, conquista de direitos no plano legal, ações afirmativas, programas por acesso à educação e à saúde, e combate à associação da imagem das mulheres e homens negros aos estereótipos colonizadores. Outras se movimentam  mais no campo da cultura, ressaltando a contribuição singular dos povos negros para o que se assume como naturalmente brasileiro. Todas essas frentes são importantes e necessárias para a construção de uma outra história.

O Brasil foi o primeiro país a ter serviço obrigatório de segurança e medicina do trabalho em empresas com mais de 100 funcionários. Com o objetivo de diminuir cada vez mais os acidentes de trabalho, desde 1972, o dia 27 de julho passou a ser o Dia Nacional da Prevenção de Acidentes no Trabalho.


Acidente do trabalho é aquele que ocorre durante o serviço, ou no trajeto entre a residência e o local de trabalho, provocando lesão corporal ou perturbação funcional e pode resultar em morte, perda ou redução da capacidade para o trabalho. Seja em caráter permanente ou temporário, o acidente de trabalho inclui também as doenças ocupacionais. As causas de um acidente podem ser naturais ou por falta de medidas de proteção.
Cumprir as rotinas de segurança tornou-se fundamental para que ocorra a prevenção a acidentes de trabalho entre funcionários e criem meios para melhorar e humanizar o ambiente corporativo, o que torna os profissionais mais saudáveis, respeitados, motivados e produtivos

Era um período de fragilidade no tocante à segurança dos trabalhadores no Brasil. O número de acidentes de trabalho era tamanho que começaram a surgir pressões exigindo políticas de prevenção, inclusive com ameaças do Banco Mundial de retirar empréstimos ao país, caso o quadro continuasse.
Hoje, 30 anos depois, não se pode pensar em uma empresa que não esteja preocupada com os índices de acidentes de trabalho. A segurança dentro da empresa é sinônimo de qualidade para a mesma e de bem-estar para os trabalhadores. Financeiramente, também é vantajosa: treinamento e infra-estrutura de segurança exigem investimentos, mas por outro lado evitam gastos com processos, indenizações e tratamentos de saúde em casos que poderiam ter sido evitados.
* Se liga:Acidentes de trabalhos também são aqueles que, apesar de não estar o profissional em regime de CLT ou de qualquer outro regime, o TRABALHO é árduo, importantíssimo e, também passivo de acidentes.
* Ainda não tem pesquisas e dados sobre segurança e trabalhador negro...
Um afro abraço.

 fonte:www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/acidentes/home.html/189.3.47.200 .



quinta-feira, 26 de julho de 2012

"UM VIAGEM AO UNIVERSO DO AXÉ"

 1ºSEMINÁRIO DE RELIGIÃO DE MATRIZ AFRICANA E                   AFROBRASILEIRA DA UNEGRO RJ.


A direção estadual de materiz africana da Unegro RJ e a ong. I.A.O, tem o prazer de convidar Unegrinos,  e povo de santo e seus familiares, para um grande mergulho no universo do axé, magia, encantamento e hierarquia.

Estamos realizando o terceiro encontro de religião de matriz africana da Unegro na zona oeste  do RJ´.
O primeiro foi em dezembro de 2007, intitulado o primeiro encontro de negros e negras em Sepetiba, com o tema " Uma tarde na bahia";

O segundo foi em setembro de 2009, intitulado, o 1º seminário zonal  da zona oeste.
O terceiro, será dia 05- 08- 12, às 8:30 hs no clube Reconcavo de Sepetiba, na rua- São Tarcisio 437 Sepetiba RJ, intitulado " Uma viagem ao universo do axé ", tendo como objetivo, apresentar de forma coerente e viável, debates realizados por sarcedotes, sacerdotizas, ogans e estudiosos das religiões africanas, tema de importancia significativa ao povo de axé, como por exemplo:
Mini curso de direitos e deveres das casas de axé, doenças mais comum a população negra, prevenção e proteção do meio ambiente, ancestralidade, folhas intolerância religiosa, ori, ebós, entretenimentos entre outros.

PROGRAMAÇÃO:















 08:30 hs Abertura
1ª mesa:
Patologias  mais comum a população negra.
Sueli Garcia- Yalorixá

Prevenção e não contaminação do meio ambiente
Edson Carvalho- diretor do Sindicato dos Metalúrgicos RJ

Encantaria Cigana do povo do Oriente.
Katia- Sacerdotiza

Catimbó
mameto kanabogi

10:20 intervalo
homenagens
agradecimentos
11:00hs

2º mesa
Midia escrita, falada e virtual das religiões de
Paulo Mendonça- Publicitário, jornalista.

 matriz Africana e afrobrasileira.
Politicas Publicas.
Ana Felippe-Memorial Lelia Gonsales-

Ebó: importancia, tipos, etc,...
Antonio Carlos- Babalorixá

Ori: divisão, individualidade, destino, culto, etc, ...
Nelson de Azanssun- Doté

folhas: ritual, propiedades, importância, correlações.:
Jaçanan- Ogan

13:hs Almoço

14:30 hs
3ª mesa
Intolerancia Religiosa:
Ivanir- Babalawoo.

Mini- curso de direitos e deveres das casas de Axé:
Sandra Garcia- Advogada

Centenário da Umbanda no Brasil:
Joãozinho de Xango- Babalorixá

Ancestralidade: Hierarquia, culto,etc, ...:
  Professor Marcos Penna-Babalorixá.
17:00 hs Termino do Seminário

Entretenimento:
show co Carolla Vidgal
Samba de roda de Afoxée Capoeira

Dia- 05-08-2012
Local: Rua São Tarcísio 437 Sepetiba-RJ
Venda de convites e inscrições:
Contatos:
Cacau do Oxosse: 84195933
Pretinha de Iansã: 99207651

Entretenimento:
show co Carolla Vidgal
Samba de roda de Afoxé.

Dia- 05-08-2012
Local: Rua São Tarcísio 437 Sepetiba-RJ
Venda de convites e inscrições:
Contatos:
Cacau do Oxosse: 84195933
Pretinha de Iansã: 99207651


Dia- 05-08-2012
Local: Rua São Tarcísio 437 Sepetiba-RJ
Venda de convites e inscrições:
Contatos:
Cacau do Oxosse: 84195933
Pretinha de Iansã: 99207651 

















A união faz a força,
da natureza originou-se os orixas,
dos reinos criou-se o axé.

  Meu mojubá.
Fiquem na paz do caçador.
Cacau do oxossi.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

UNEGRO DE LUTO MORRE:Wilson Miranda*



 O JORNALISTA Wilson Miranda*
SUA ULTIMA MATÉRIA PARA UNEGRO

Em assembléia realizada neste último fim de semana, dias 27 e 28, foi aprovada a fundação da Unegro no Distrito Federal, uma proposta de vários profissionais atuantes no movimento negro, como sindicalistas, jornalista.

Houve um consenso, durante a reunião, de que os negros radicados em Brasília devem retomar a lutas, já que o Distrito Federal, que polariza todos os seguimentos, não tem observado as principais questões pertinentes à raça negra.

Na verdade, este grupo responde ao anseio de uma grande parcela da população para organizar a Unegro no DF. Com a iniciativa formal, a entidade pretende aglutinar todos os movimentos negros locais.

Durante a assembléia, o designer gráfico Sérgio Pedro, conhecido pela sua militância no movimento sindical, foi eleito para ser o coordenador geral; Francisco Gilvan, coordenador de Administração e Finanças; Wilson Miranda (Brother), coordenador de Comunicação e Imprensa; Santa Alves, coordenadora de Assuntos de Gênero; Eliane Pereira, coordenadora de Relações Institucionais e Jurídicas; José Raimundo, coordenador de Assuntos Culturais, Religiosos e Comunitários; César Romero, coordenador de Assuntos Educacionais e Esportivos. Suplentes: Zeneide Alves; Rogério Pereira; Marcos Antonio. Conselho Fiscal: José dos Reis (Zezito); Maria de Jesus; Rodrigo de Paula; Eduardo Pitombo; Robson Câmara e Ana Paula.
* WILSON MIRANDA 
Coordenador de Comunicação e Imprensa UNEGRO/DF.

"A UNEGRO reverencia e aplaude um daqueles que ajudaram a contruir a nossa entidade e a transformaram num instrumento de luta supra partidario para a valorização e emancipação de negras e negros na sociedade brasileira, Estamos triste mais acalentados com a certeza que voce travou uma boa batalha e foi vitórioso POIS cada unegrin@ tem um pouco de seu legado;sendo assim: 
VOCE ESTARÁ SEMPRE PRESENTE!"
Um afro abraço.
Claudia Vitalino- Presidente da UNEGRO/RJ.

fonte:vermelho/UNEGRO/DF.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha


25 de julho .

Em julho de 1992, mulheres negras de 70 países participaram do 1º Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, em Santo Domingo, na República Dominicana. O último dia do evento, 25 de julho, foi marcado como o "Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe", para celebrar e refletir sobre o papel das mulheres negras nestes continentes. Estipulou-se que este dia seria o marco internacional da luta e da resistência da mulher negra. Desde então, sociedade civil e governo têm atuado para consolidar e dar visibilidade a esta data, tendo em conta a condição de opressão de gênero e racial/étnica em que vivem estas mulheres, explícita em muitas situações cotidianas.


O objetivo da comemoração de 25 de julho é ampliar e fortalecer às organizações de mulheres negras do estado, construir estratégias para a inserção de temáticas voltadas para o enfrentamento ao racismo, sexismo, discriminação, preconceito e demais desigualdades raciais e sociais. É um dia para ampliar parcerias, dar visibilidade à luta, às ações, promoção, valorização e debate sobre a identidade da mulher negra brasileira.


A ausência da História Africana é uma das lacunas de grande importância nos sistemas educacionais brasileiros. Esta ausência tem quatro conseqüências sobre a população brasileira. Tomando o ambiente brasileiro como de exclusões étnicas, os quais denominamos de racismos, existe um processo de criação de credos sobre a inferioridade do negro, do africano e dos afrodescendentes. Desta forma a ausência de uma história Africana, em primeiro lugar, retira a oportunidade dos Afrodescendentes em construírem uma identidade positiva sobre as nossas origens. Segundo, a ausência abre espaço para hipóteses preconceituosas, desinformadas ou racistas sobre as nossas origens, criando assim terreno fértil para produção e difusão de idéias erradas e racistas sobre as origens da população negra. Alimenta um universo do Africano e Afrodescendente como ignorante, inculto, incivilizado. Os seres vindos da tribo dos homens nus. É o eixo central determinante dos conceitos inferiorizantes sobre nós negros no país. Em terceiro lugar a ausência da história Africana coloca a apresentação dos continentes e das diversas culturas a nível mundial, em desigualdade de informação sobre os conteúdos apresentados pela educação. Visto termos uma ampla abordagem da história européia, a ausência da história africana nos currículos, induz a idéia de que ela não existe. Que ela não faz parte do conhecimento a ser transmitido.

A Quarta conseqüência direta está sobre o entendimento da história brasileira e da formação do povo brasileiro. A História do Brasil, após 1500, é uma conseqüência das histórias Indígenas, Africanas e Européias. As tecnologias, costumes, culturas, propostas políticas trazidas pelos Africanos ficam difíceis de serem reconhecidas e integradas devidamente na história nacional pelo desconhecimento da base Africana. Muitas das realizações do povo africano no Brasil, ficam sub-dimensionadas ou não reconhecidas, dado o tamanho da ignorância reinante no país sobre as nossas origens africanas. Não é possível uma história brasileira justa e honesta sem o conhecimento da história Africana.
Neste texto vamos discutir alguns elementos da introdução à história africana na educação brasileira, tendo como pano de fundo a existência recente dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNS).

Etnia e Raça
No interior dos Movimentos Sociais e Sindicais tem surgido um debate sobre a natureza dos enfoques. Debate que me parece de um grande retrocesso e construído por força de conservadorismos rearticulados. Hoje parecem presos à necessidade de definirmos se as questões tratadas são de etnia ou de raça. Avançamos nos Movimentos Negros, por quase duas décadas, com um enfoque amplo no campo da etnia e agora grupos se rearticulam em torno da idéia de raça. Contrariando assim a amplitude do enfoque dado pelos Movimentos Negros, onde a definição de negro foi flexível ao ponto de dar opção aos indivíduos sobre o critério da auto identificação, portanto uma opção nitidamente étnica.
As idéias de raça, construídas sobre fenótipos produziram grandes catástrofes sociais, traduziram-se no fortalecimento de sistema autoritários, como o nazismo alemão ou o aparthaid na África do Sul. As idéias sobre raça são simplificadoras da complexidade humana e social, a simplicidade dos fenótipos.
As idéias de raça eliminam o sustentáculo da história dos indivíduos e das populações que são as culturas produzidas. Os enfoques no campo da raça, pelos movimentos sociais, vão eliminar a amplitude necessária para o trato das questões sociais gerais. Produzem um debate de ações limitadas apenas no campo do combate aos racismos. Eliminando as necessidades de uma percepção dos processos históricos e culturais contidos nas Africanidades e nas Afro-descendências.
Com base no conceito de raça teremos uma estratégia limitada ás alusões dos fenótipos, do combate às manifestações no campo limitado dos racismos, entendidos estes racismos na sua forma mais estreita e menos genérica.
O enfoque amplo , apropriado e necessário é o da etnia. Neste articulam-se as lutas de classe , as particularidades de gênero, os processos da cultura e da história. Reafirmo o que tenho dito em outras ocasiões e que não tem sido compreendido, que racismos não tem nada a ver com raça, que são processos amplos e combinados de dominação. Sendo assim, a palavra racismo não é a mais adequada mas tem sido a utilizada. Atualmente estou utilizando o conceito de etnocontroles excludentes para a generalização das ações que são denominadas de racismos.


A mulher negra ao longo de sua história foi a “espinha dorsal” de sua família, que muitas vezes constitui-se dela mesma e dos filhos. Quando a mulher negra teve companheiro, especialmente na pós-abolição, significou alguém a mais para ser sustentado. O Brasil, que se favoreceu do trabalho escravo ao longo de mais de quatro séculos, colocou à margem o seu principal agente construtor, o negro, que passou a viver na miséria, sem trabalho, sem possibilidade de sobrevivência em condições dignas. Com o incentivo do governo brasileiro à imigração estrangeira e à tentativa de extirpar o negro da sociedade brasileira, houve maciça tentativa de embranquecer o Brasil.
Provavelmente o mais cruel de todos os males foi retirar da população negra a sua dignidade enquanto raça remetendo a questão da negritude aos porões da sociedade. O próprio negro, em alguns casos, não se reconhece, e uma das principais lutas do movimento negro e de estudiosos comprometidos com a defesa da dignidade humana é contribuir  para o resgate da cidadania do negro.
A pobreza e a marginalidade a que é submetida a mulher negra reforça o preconceito e a interiorização da condição de inferioridade, que em muitos casos inibe a reação e luta contra a discriminação sofrida. O ingresso no mercado de trabalho do negro ainda criança e a submissão a salários baixíssimos reforçam o estigma da inferioridade em que muitos negros vivem. Contudo, não podemos deixar de considerar que esse horizonte não é absoluto e mesmo com toda a barbárie do racismo há uma parcela de mulheres negras que conseguiram vencer as adversidades e chegar à universidade, utilizando-a como ponte para o sucesso profissional.
Embora o contexto adverso, algumas mulheres negras vivem a experiência da mobilidade social processada em “ritmo lento”, pois além da origem escrava, ser negra no Brasil constitui um real empecilho na trajetória da busca da cidadania e da  ascensão social. Bernardo (1998), em seu trabalho sobre a memória de velhas negras na cidade de São Paulo, mostra como é difícil a mobilidade ascensional da negra - especialmente na conquista de um emprego melhor, pois a maioria das negras trabalhava na informalidade, ou como empregadas domésticas.
As mulheres negras que conquistam melhores cargos no mercado de trabalho despendem uma força muito maior que outros setores da sociedade, sendo que algumas provavelmente pagam um preço alto pela conquista, muitas vezes, abdicando do lazer, da realização da maternidade, do namoro ou casamento. Pois, além da necessidade de comprovar a competência profissional, têm de lidar com o preconceito e a discriminação racial que lhes exigem maiores esforços para a conquista do ideal pretendido. A questão de gênero é, em si, um complicador, mas, quando somada à da raça, significa as maiores dificuldades para os seus agentes.
Paul Singer (1998) afirma que, à medida que a mulher negra ascende, aumentam as dificuldades especialmente devido à concorrência Em serviços domésticos que não representam prestígio não há concorrência e conseqüentemente as mulheres negras têm livre acesso e é nesse campo que se encontra o maior número delas. A população negra trabalha, geralmente, em posições menos qualificadas e recebe os mais baixos salários.
A mulher negra, portanto, tem que dispor de uma grande energia para superar as dificuldades que se impõe na busca da sua cidadania. Poucas mulheres negras conseguem ascender socialmente. Contudo, é possível constatar que está ocorrendo um aumento do número de mulheres negras nas universidades nos últimos anos. Talvez a partir desse contexto se possa vislumbrar uma realidade menos opressora para os negros, especialmente para a mulher negra.
Conforme o Censo Demográfico de 2000, somos 169,5 milhões de brasileiros, dos quais 50,79% do sexo feminino. Os negros já perfaziam 45,3% do total da população. As mulheres negras equivalem a 49% da população negra, correspondendo a 37.602.461 habitantes. “Esses índices populacionais revelam que ao tratar da população afro-descendente não podemos falar de” minorias

As mulheres negras contribuíram de forma inquestionável para a construção socioeconômica e cultural de nosso país e foram decisivas para as conquistas de direitos das brasileiras. Sua luta contra o racismo e o desmascaramento do mito da democracia racial tem conquistado o envolvimento e o comprometimento de outros setores da sociedade civil organizada. A mulher negra está exposta à miséria, à pobreza, à violência, ao analfabetismo, à precariedade de atendimento nos serviços assistenciais, educacionais e de saúde.
 
Trata-se de uma maioria sem acesso aos bens e serviços existentes em nossa sociedade e, em muito, exposta à violência de gênero e racial. Entre as conseqüências extremas desta situação está o seu aniquilamento físico, político e social, que chega a atingir, profundamente, as novas gerações. “A situação de máxima exclusão pode ser percebida quando analisamos a inserção da população feminina em diferentes campos: social, político e econômico”

Contudo, cabe ressaltar a experiência de mulheres negras na luta pela superação do preconceito e discriminação racial no ingresso no mercado de trabalho. Algumas mulheres atribuem a “façanha” da conquista do emprego do sucesso profissional a um espírito de luta e coragem, fruto de muito esforço pessoal, e outras ainda, ao apoio de entidades do movimento negro.
Um afro abraço.

fonte:ww.espacoacademico.com.br/022/22csilva.htm/ww.generoracaetnia.org.br/.../257-25-de-julho-–-dia-internacional-...