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Rebele-se Contra o Racismo!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A invisibilidade das questões étnica racial e a mídia.



A população negra e a cultura afro-descendente estão sendo sub-representadas na TV públicas
A programação atual das TVs Pública expressa um baixo perfil de reflexão sobre o pluralismo cultural brasileiro. Ela deixa especialmente de incorporar as matrizes etnico-racial negra e indígena, vertentes que imprimiram, na fusão com a cultura européia, a originalidade da cultura brasileira e o grande patrimônio simbólico deste país. Conceitualmente, foram classificados como programas que trataram da temática raça ou cultura negra aqueles que mencionaram direta ou indiretamente os elementos caracterizados como pertencentes à cultura negra brasileira ou estrangeira (religiosidade, comida, música, dança, folclore etc.).Um exemplo é o programa de entrevista com uma banda de rock, classificado na categoria“um pouco”, no que diz respeito à abordagem da cultura negra, porque o líder euro-descendente do grupo citou que produzia “um som” com muita influência do blues. Tais elementos foram suficientes para, positivamente, considerarmos que o programa de alguma forma citou a cultura negra, mesmo que diaspórica, e de passagem.
             O mesmo padrão foi apresentado pela TV Cultura. Em todos os canais foi impossível identificar qualquer apresentador deste gênero que não fosse do segmento racial euro-descendente.
Relembrando.:


Em 1988 foi marcado foi uma série de movimentações sociais resultantes do movimento negro e que, evidentemente, eram noticiados pelos diversos tipos de mídia. Além do movimento internacional liderado pela ONU para o fim da apartheid, no Brasil era comemorado o centenário da abolição da escravatura, a Campanha da Fraternidade tinha como tema o combate ao racismo e a vencedora do carnaval carioca foi à escola de samba Vila Isabel, que falou do movimento negro.


 A nova Constituição brasileira de 1988 passou a considerar o racismo como crime, o que foi regulamentado no ano seguinte, pela a Lei 7.716, do então deputado negro Carlos Alberto Caó.
          Embora o nosso País, segundo os especialistas, seja detentor de uma admirável lei
 de combate à discriminação, em especial à discriminação racial (podemos citar a Constituição Federal, os diferentes tratados internacionais, como por exemplo, a Convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho - OIT  e as leis penais que sinalizam e dão os caminhos de combate à discriminação) persistem sistematicamente as disparidades entre brancos e negros.


 O trecho transcrito faz parte do editorial "Ironia de um congresso", do jornal Folha da Manhã (atual Folha de S.Paulo), publicado num domingo, 12 de janeiro de 1930.
            “Por que motivo os negros, em grande maioria, moram nos cortiços? A resposta assegura-lhe, é muito fácil: a pouca valia que imprimem aos seus trabalhos; a pouca ou nenhuma cultura e a acentuada dolência dos seus passos; a inércia e a falta de vontade e iniciativa para uma reação na trilha do progresso são as causas principais que obrigam os negros às misérias do cortiço."

É muito pouca a participação de profissionais negros na mídia ainda hoje em pleno século XXI e esta não é uma característica apenas do meio televisivo.
A imprensa direcionada a negros, produzida por negros e retomada pela revista Raça,por exemplo data do início do século XX. Sentindo a impermeabilidade da "imprensa branca", um grupo de negros paulistas fundou, em 1915, uma imprensa alternativa. É o que a antropóloga Miriam Nicolau Ferrara, estudiosa do assunto, chama de "imprensa negra". Pela primeira vez o negro tornou-se o alvo de um conjunto de periódicos específicos, que se sucederam durante quase cinqüenta anos, até 1963, quando foram reprimidos pela ditadura.
Os jornais da imprensa negra concentraram o seu noticiário apenas nos acontecimentos da comunidade, divulgando a produção dos seus intelectuais e não priorizando fatos de grande repercussão nacional e internacional (como as duas Grandes Guerras, a Coluna Prestes, entre outros). "Movimentos de militância, como a imprensa negra, foram e são formas de valorizar a cultura negra e de aumentar a sua auto-estima"


O Brasil, institucionalmente falando, avançou significativamente na discussão sobre o tema mais apenas do discurso. O país se reconheceu oficialmente como racista, afirmação até há pouco tempo interditada pelo discurso oficial. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso assumiu publicamente em reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) que o problema secular de desigualdade no País possui um viés marcadamente racial. Ele também afirmou categoricamente que para compreender os extremos da exclusão no Brasil era necessário se remeter à situação de uma mulher negra nordestina, que reúne ao mesmo tempo as dimensões de gênero, raça e pertencimento geográfico.


.Propostas:
·         Que sejam reconhecidas pelo conjunto da categoria as ações contra todo e qualquer tipo de discriminação e em defesa da igualdade étnica desenvolvidas pelo Núcleo de Comunicadores Afro-descendentes do Rio de Janeiro.

·          Que os sindicatos de comunicação acompanhem relatos sobre as questões específicas dos afro-brasileiros e outros segmentos discriminados da população brasileira.

·              Realização de parcerias com instituições entidades e organizações não governamentais venha a auxiliar no desenvolvimento de ações e políticas para atender as demandas históricas da comunidade negra brasileira, com o objetivo de promover a igualdade racial entre os trabalhadores dos meios de comunicação e também para melhorar a qualidade da cobertura jornalística dos temas relacionados com a etnia negra e indígena.

·         A inclusão da auto-declaração étnico-racial nas fichas sindicais, medida que deve ser precedida por uma campanha de esclarecimento junto à categoria.

·             Apoio e execução de políticas (ações afirmativas, cotas) para os meios de comunicação.

·              Monitorar as discussões e aplicação metas  dos organismos nacionais e internacionais (ONU, OEA, Conferências, DHESCs) que regem os princípios dos direitos humanos e relações raciais no Brasil e no resto  do mundo.

 
 A mídia dominante insiste que o racismo no Brasil não tem um caráter sistêmico, abordando a questão sempre pela ótica individual. “A ação da mídia é sempre no sentido de minorar a questão, tirando a seriedade para que não entre na agenda e FALE RIO e um importante instrumento de luta e debate.

Um afro abraço.


Claudia Vitalino

sábado, 23 de junho de 2012

MERCADO DE TRABALHO E O RACISMO III...

O fato de o Brasil ser o segundo país com a maior população negra no mundo não pode ser facilmente compreendido se considerarmos a situação do mercado de trabalho atual. Em todos os estados, especialmente nas regiões metropolitanas do país, existe uma baixa quantidade de negros em setores elitizados. O problema acontece também no ingresso nas universidades. Mesmo com a implementação das cotas, o mecanismo não é o bastante para superar as desigualdades raciais. Apenas 2% das vagas das universidades públicas são ocupadas por afro-descendentes, distribuídas em sua maioria em três cursos: letras, pedagogia e enfermagem. No Brasil o racismo é bastante visível, tanto na vida escolar, como no mercado de trabalho, na religião, enfim, na sociedade em geral. No mercado de trabalho, as oportunidades são bastante reduzida e as maiores ofertas, no caso dos negros, são para serviços braçais e pouco remunerados. Na grande mídia, por exemplo nas TVs reporteres,apresentadores negros são a minoria. Diante dessas informações,concluiu que as profissões de destaque no Brasil são na maioria das vezes exclusivas para brancos, prejudicando assim a inserção do negro em profissões qualificadas. Trabalho e Racismo pra relembrar... Falar sobre o mercado de trabalho no Brasil, a partir da Segunda metade do século XIX, é antes de mais nada nos reportarmos ao longo processo de constituição da ideologia racial implementado por intelectuais e pelas classes dominantes a partir deste período. Isso significa que, esgotada a possibilidade de continuar com o trabalho escravo, tratava-se de “branquear” o país visando o advento de uma sociedade nos moldes ocidentais. Aqui, civilização era tomada como sinônimo de branco e europeu. Esse rumo fica evidenciado através da intervenção do Estado no sentido de financiar a importação de mão-de-obra da Europa para trabalhar nos cafezais e na nascente indústria no Sudeste, especialmente em São Paulo. A marginalização dos negros ocorre dentro de um contexto histórico, processo de abolição da escravidão e formação econômica moderna, onde a estrutura de classes da sociedade nacional está se constituindo e como conseqüência teremos o posicionamento desfavorável dos negros, devido a forma de inserção desigual na estrutura de classes, no que se refere a renda, escolaridade e ocupação. Em outros termos, poderíamos dizer que o Estado a partir da segunda metade do século XIX, pós-1850, e, principalmente, início do século XX, até meados dos anos 40, foi o veículo primordial da formação de um mercado de trabalho fundado na exclusão dos negros e descendentes. Esse mercado de trabalho, estruturado de cima para baixo pelo poder estatal, privilegiava os indivíduos brancos e dificultava o acesso de outros grupos raciais tendo em vista a crença, então em voga por aqui, a respeito da superioridade dos brancos. Essa ideologia racial irá, evidentemente, dificultar a inserção dos negros no nascente mercado de trabalho tendo em vista sua suposta inferioridade e a discriminação racial será, então, uma das marcas visíveis que o negro encontrará na busca por trabalho. Podemos, com certeza, afirmar a existência de uma reserva de mercado em determinadas profissões que privilegia alguns indivíduos em função da cor da pele. Ë o que podemos constatar em amplos setores profissionais na sociedade capitalista brasileira. Enquanto algumas ocupações são deliberadamente preenchidas por brancos, onde estão situados os maiores rendimentos e as melhores oportunidades, outras abrigam aqueles indivíduos com menores possibilidades escolares e profissionais, como é o caso dos negros, auferindo rendimentos inferiores. Estas desigualdades, que se prolongam até o trabalho, estão presentes, também, no interior do processo educacional e observamos isto na baixa escolaridade alcançada por negros em comparação com os brancos; basta conferirmos as estatísticas atuais da FIBGE, Ipea/Ministério do Trabalho ou do Ministério da Educação. De acordo com os dados do Provão/2000- Inep/Mec, dos formandos que fizeram o provão em 2000 nos cursos de Administração, Direito, Medicina Veterinária, Odontologia, Medicina, Jornalismo e Psicologia, dentre outros, mais de 80% é constituído por brancos (respectivamente, 83,3%, 84,1%, 84,9%, 85,8%, 81,6%, 81,5% e 83,3%). Por sua vez, para os mesmos cursos, os negros aparecem nos seguintes percentuais: 1,6%, 2,0%, 1,1%, 0,7%, 1,0%, 2,9% e 1,6%.Esta pesquisa revela, também, a baixa freqüência dos negros nas universidades brasileiras. Enquanto 80% dos universitários são brancos, somente 2,2% são negros (“Provão revela barreira racial no ensino”. Folha de São Paulo, Cotidiano. 14/01/2001) As conseqüências de tudo isso são bem conhecidas: miséria, favelas, violência, perseguição policial... como marcas que registram os estereótipos e preconceitos. Segundo a Folha de São Paulo, no Rio de Janeiro, “70,2% dos mortos são de cor preta ou parda; brancos somam 29,8% das vítimas”, o que leva a conclusão que a “polícia do Rio mata mais negros e pardos” (Folha de São Paulo. Cotidiano. 15/05/2000). A inclusão do negro: Para debater esse assunto, onde foi abordado a inclusão do negro no mercado de trabalho, e consequentemente os desafios de aceitação na sociedade, é necessário um estudo aprofundado desde o resgate histórico até a atualidade. E tratando-se desse tema, encontra-se um dilema, devido ao preconceito racial e cultura discriminatória em nosso País. a inclusão do negro no mercado de trabalho, e consequentemente os desafios de aceitação na sociedade, é necessário um estudo aprofundado desde o resgate histórico até a atualidade. E tratando-se desse tema, encontra-se um dilema, devido ao preconceito racial e cultura discriminatória em nosso País. Motivados pela oportunidade de expor uma provável situação e discriminação no mercado de trabalho, decidimos trabalhar sobre o tema, justamente em virtude dessa possibilidade, que se analisar o processo de admissão do negro. Práticas discriminatórias presentes no cotidiano indicam a permanência do racismo. A sociedade brasileira preserva profundas desigualdades raciais, de rendimentos, educacionais e ocupacionais. O racismo, a discriminação racial tem seus efeitos sobre homens e mulheres negras, sendo que estas sofrem duplamente o preconceito e a discriminação raciais, que procuram “caminhos” para burlar as portas fechadas no mercado de trabalho. A forma como isso ocorre pode ser notada na crescente formação de grupos anti-racistas e pela valorização da cultura negra, bem como pelo surgimento de movimentos negros voltados para a tentativa de exigir do Estado determinadas políticas públicas que venham a beneficiar as populações historicamente discriminadas. Um afro abraço. fonte:http://www.espacoacademico.com.br /www.administradores.com.br/...do-negro-no-mercado-de-trabalho

sexta-feira, 22 de junho de 2012

"Deuses e Religiões Antigas e suas Histórias II”

Os cultos da Antigüidade, com exceção do zoroastrismo e do judaísmo, os demais, todos politeístas e os deuses, organizados em grupos hierárquicos ou familiares.
Os primeiros indícios de atividade religiosa existem, como origem principal e em primeiro lugar na África-Negra (Kam, um dos filhos de Noé, que originou os Kamitas). Devemos lembrar que Noé não era apenas um líder político, mas também um instrutor religioso, que de alguma maneira carregou a antiga religião da raça de “Adão”. Assim, esta religião primitiva foi transmitida, através de “Kam” aos povos - negro-africano (Kamitas). Que datam, segundo os historiadores de 30.000 a 10.000 ªC. E que, até hoje, persiste e aumenta seus adeptos, como exemplo: no Brasil. Já em outros lugares, pinturas rupestres encontradas na França, datadas de 20.000 a 11.000 ªC., mostram rituais aparentemente ligados à caça, e estatuetas que remontam a 25.000 ªC. surgem uma deusa-mãe ou figura ligada à fertilidade. O desenvolvimento da escrita no Oriente Médio antigo, por volta de 3000 ªC., revela a existência de grande variedade de crenças, rituais e práticas religiosas. Deuses Wicca. Os nomes dos Deuses variam de panteão para panteão, de acordo com a cultura de um povoado ou nação. Para os egípcios, por exemplo, ísis seria a personificação da Grande Mãe, da Senhora, da Deusa, enquanto que, para os celtas, ela seria Cerridwen. O mesmo acontece com os nomes dos deuses: Hermes é o deus mensageiro dos gregos, enquanto que Mercúrio responderia pela mesma "pasta" para os romanos. Ou Hélio seria o deus-sol dos gregos, enquanto que, para os celtas, esse seria chamado de Lugh.
A bruxa é muito particular na sua crença. Ela pode sentir maior afinidade pelo panteão e a tradição egípcia, por exemplo, e cultuar ísis, Bastet, Hathor, Thoth, Osíris, etc, ou se identificar mais com a história greco-romana e reverenciar os deuses deste panteão. A afinidade e atração por divindades de vários panteões é algo muito particular. O Oriente Médio. Os povos do Levante glorificavam vários deuses sob o comando de El, “Criador das Coisas Criadas”, e seu complemento, Asherah (deusa-mãe); Baal (deus da tempestade) é auxiliado por sua irmã e defensora Anat (deusa da fertilidade e da guerra) em sua luta com Yam (senhor dos mares) e com Mot (morte e esterilidade). Uma terceira deusa associada à fertilidade é Astarde, a versão Cananéia de Ishtar, a deusa-mãe semítica. As práticas religiosas parecem ter consistido, em sua maior parte, de sacrifícios de animais e ocasionalmente humanos, encenação de mitos e decretação de casamentos sagrados. Os reis eram considerados “seres divinos”. Já na Mesopotâmia, cada cidade suméria tinha suas próprias divindades, embora muitas tenham sido incorporadas aos tipos dominantes (Nanna – Lua; Utu – Sol; Anu – céu; Ea – tempestade; Enki – Terra; Inanna – a deusa-mãe, equivalente à Ishtar semítica).
As religiões dos acadianos, babilônios e assírios conservaram muitas das características sumérias, adaptadas às suas culturas. Ligados à natureza, os deuses da Mesopotâmia também simbolizavam valores morais e sociais. Os cultos consistiam em oferendas de sacrifícios de animais a imagens divinas. Nos Templos (blocos empilhados, conhecidos como zigurates) era narrado o mito da criação, proclamando a vitória de Marduk (Babilônia) ou Assur (Assíria) sobre Tiamat (águas primordiais). Na Anatólia (atual Turquia), o império Hitita do segundo milênio antes de Cristo deixou poucas informações sobre assuntos religiosos. Muitos de seus mitos eram traduzidos de textos semíticos ou outros. O reinado frígio, que sucedeu os Hititas, era o centro do culto a Cibele – deusa da Terra, cujos sacerdotes eram eunucos. Mais tarde, este se disseminou pela Grécia e por Roma. No segundo milênio antes de Cristo, formou-se o grande império mitânico na Síria e norte da Mesopotâmia, cuja religião incorporava diversas características ou semelhança, somente encontradas nos vedas da Índia. Uma religião semelhante à dos vedas também era praticada na antiga Pérsia. O monoteísmo: (do grego: μόνος, transl. mónos, "único", e θεός, transl. théos, "deus": único deus) é a crença na existência de apenas um só Deus.[1] Diferente do politeísmo que conceitua a natureza de vários deuses, como também diferencia-se do henoteísmo por ser este a crença preferencial em um deus reconhecido entre muitos.
A divindade, nas religiões monoteístas, é onipotente, onisciente e onipresente, não deixando de lado nenhum dos aspectos da vida terrena. Monoteísmo é a crença em um Deus singular, em contraste com o politeísmo, a crença em várias divindades. Politeísmo é, no entanto, conciliável com o monoteísmo inclusivo ou outras formas de monismo; a distinção entre monoteísmo e politeísmo não é clara nem objetiva. O henoteísmo envolve a devoção a um deus único, ao mesmo tempo em que aceita a existência de outros deuses. Embora semelhantes, ele contrasta drasticamente com o monoteísmo, a adoração a uma divindade única independente dos litígios ontológicos referentes à divindade. JUDAÍSMO: É reconhecida como a primeira religião monoteísta da humanidade e cronologicamente a primeira das três religiões oriundas de Abrãao, junto com o cristianismo e o islamismo. O judaísmo acredita em um Deus único, onipotente e onisciente, que criou o mundo e os homens. Esse Deus fez um pacto com os hebreus, tornando-os o seu povo escolhido, e prometeu-lhes uma terra chamada Canaã. O judaísmo possui fortes características étnicas, nas quais nação e religião se mesclam.
História dos judeus: Segundo a Bíblia, Abraão recebe uma revelação de Deus, abandona o politeísmo e muda-se para Canaã, atual Palestina, em torno de 1800 a.C. De Abraão descendem Isaque e o filho deste Jacó. Jacó um dia luta com um anjo de Deus e tem seu nome mudado para Israel. Seus doze filhos dão origem às doze tribos do povo que, naquela época, era chamado de hebreu. Em 1700 a.C., os hebreus vão para o Egito, onde são escravizados por 400 anos. Libertam-se por volta de 1300 a.C., liderados por Moisés, descendente de Abraão, que recebe as tábuas com os Dez Mandamentos no monte Sinai. Por decisão de Deus, peregrinam no deserto por 40 anos, aguardando a indicação da terra prometida, Canaã.
Muitos anos depois de estabelecidos na terra prometida (“Terra Santa”), o rei Davi transforma Jerusalém em centro religioso e seu filho, Salomão, constrói um templo em seu reinado. Depois de Salomão, as tribos dividem-se em dois Reinos, o de Israel, na Samaria, e o de Judá, com capital em Jerusalém. Com a cisão, surge a crença na vinda de um messias (o enviado de Deus para restaurar a unidade do povo judeu e a soberania divina sobre o mundo), que persiste até hoje. O Reino de Israel é devastado em 721 a.C. pelos assírios. Em 586 a.C., o imperador babilônico Nabucodonosor II invade o Reino de Judá, destrói o Templo de Jerusalém e deporta a maioria dos habitantes para a Babilônia, iniciando a diáspora judaica. Os judeus começam a voltar à Palestina em 539 a.C, onde reconstroem o templo e vivem breves períodos de independência, interrompidos por invasões estrangeiras. No ano 6, a região torna-se província de Roma. Em 70, os romanos invadem Jerusalém e arruínam o segundo templo. Em 135, a cidade é destruída, iniciando o segundo momento da diáspora. Apesar de espalhados por todos os continentes, os judeus mantêm a unidade cultural e religiosa. A dispersão só termina em 1948, com a criação do Estado de Israel. Cristianismo. O cristianismo é uma religião monoteísta baseada na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, tais como estes se encontram recolhidos nos Evangelhos, parte integrante do Novo Testamento. Os cristãos acreditam que Jesus é o Messias e como tal referem-se a ele como Jesus Cristo. Com cerca de 2,1 bilhões de adeptos (segundo dados de 2001), o cristianismo é hoje a maior religião mundial. É a religião predominante na Europa, América do Norte, América do Sul, Oceânia e em grande parte de África. O cristianismo começou no século I como uma seita do judaísmo, partilhando por isso textos sagrados com esta religião, em concreto o Tanakh, que os cristãos denominam de Antigo Testamento. À semelhança do judaísmo e do islão, o cristianismo é considerado como uma religião abraâmica.
Segundo o Novo Testamento, os seguidores de Jesus foram chamados pela primeira vez "cristãos" em Antioquia (Actos 11:26). Egito Os Faraós do Egito antigo eram vistos como “seres divinos” e chamados de “Horus” “Filho de Ra”. Ra era o deus Sol e o senhor dos deuses. Como “Filho de Ra”, o Faraó incorporava o poder solar de dar a vida. Horus era o filho de Ísis¸a Mãe divina, e de Osíris, o deus da inundação, vegetação e dos mortos. Como Horus, o Faraó personificava a renovação da vida e da fertilidade trazidas pela inundação anual da terra pelo Rio Nilo. Para aumentar seus poderes, as divindades locais eram freqüentemente unidas às oficiais; a mais importante era Amon, deus da invisibilidade que, por volta de 2000 ªC., foi associado a Ra e se tornou-se Amon-Ra, cujo o Templo em Tebas torno-se o mais rico do Egito. A efêmera “Revolução de Amama” (c.1.350 ªC.) sob o reinado de Akhenaton promoveu o culto de Aton (a divindade única representada pelo disco solar) em oposição a Amon-Ra. Como os egípcios não conseguiam imaginar que a morte fosse diferente da vida no Egito, a preservação do corpo era essencial para sobrevivência na vida após a morte. Realizavam rituais, alimentos e oferendas; roupas e artigos de luxo acompanhavam o corpo (morto) ao túmulo. Os rituais realizados aos mortos eram julgados pelos deuses do mundo invisível e subterrâneo, mas, munidos, da “Confissão Negativa”, a negação de 49 possíveis ofensas contidas no “Livro dos Mortos” – uma coleção de palavras mágicas e orações – garantiam uma vida após a morte segura e próspera. É bom citar a semelhança existente entre alguns rituais, como por exemplo, os dos mortos dos egípcios e do negro-africano, onde nos rituais africanos (Egún ou Egungun > osso, esqueleto < , mas, não confundir com “Bàbá Eégún” > espíritos, almas reencarnado dos mortos ancestrais que voltam à Terra em determinadas cerimônias ritualísticas), até hoje, realizam-se rituais aos ancestrais, é de sumo importância aos rituais africanos, por ser esta, comprovadamente, uma das mais antiga.
Zoroastrismo No nordeste da Pérsia, no final do segundo milênio (por volta de 1.200 ªC.), um reformador religioso chamado Zaratustra (Zoroastro) pregava uma simplificação da antiga cosmologia politeísta. A vida pressupunha uma escolha entre “Aura Masda” (espírito sábio) e Angra Mainyu (espírito destruidor), personificando o bem e o mal. Aura Masda era assistido por anjos, os amesha spentas (espíritos bons). O destino da pessoa após a morte (céu ou inferno) era determinado por sua própria escolha. O Zoroastrismo, aparentemente a mais antiga “religião de salvação”, tornou-se a religião nacional do império aquemêndia. O dualismo masdeísta (visão do mundo como uma luta entre o bem e o mal) pode ter influenciado o pensamento grego e judaico antigo e ainda sobrevive na religião dos parses da Índia. Grécia. Os textos na escritura Linear B da civilização micênica, primeiros escritos religiosos na Europa, mostram a importância de Poseidon, deus dos mares, e da “Senhora” (presumidamente uma deusa-mãe). Já outras divindades, como Zeus e Hera, são citadas. Na poesia de Homero, os deuses eram imortais e imutáveis e viviam no Monte Olimpo, embora se portassem como seres humanos, nem sempre bem-comportados. Podiam mudar de forma, interferir na vida dos homens e até alterar o destino destes (mas não sua natureza) em troca de oferendas (presentes) e orações. Os deuses do Olimpo foram incorporados ao trabalho das sociedades secretas e aos cultos de cura e adivinhação (por exemplo, o oráculo de Delfos). Por volta do séc. VI ªC., faziam parte dos cultos oficiais das cidades-estados gregas. No entanto, a religião da Grécia antiga tinha pouca relação com a moralidade, e as considerações morais, metafísicas e científicas dos filósofos de Atenas dos séculos V e IV ªC. desafiavam a religião popular com idéias diferentes sobre Deus. As conquistas de Alexandre, o Grande disseminaram o idioma e as idéias dos gregos por todo o Oriente Médio. A civilização helenística realizou uma fusão entre as culturas grega e oriental. O culto aos deuses do Olimpo se disseminou, assim como a adoração de Ísis, do Egito, e de Cibele, da Frígia.
Roma. A religião romana baseou-se provavelmente na etrusca e se relacionava ao calendário agrícola, dando origem a duas formas de manifestação religiosa: a devoção doméstica reconhecia os deuses do lar (lares e penates), enquanto o culto do Estado, comandado pelo sumo-sacerdote (o pontifex maximus) e outras autoridades, assegurava o bem-estar da coletividade. Quando Roma se deparou com a cultura grega, as divindades do Estado foram identificadas com seus equivalentes do “Olimpo”. À medida que o império se expandia, seus exércitos traziam religiões estrangeiras para Roma. A mais importante, até a adoração do cristianismo no séc. IV foi o mitraísmo, baseado na adoração de Mitra ou Mitras (o deus persa da luz, verdade e justiça), cujo sacrifício de um touro cósmico era aclamado por seus devotos em sacrifícios ritualísticos. Um culto de mistérios exclusivamente masculinos, o mitraísmo chegou a Roma no séc. 1 ªC. e se tornou muito popular no exército. A religião oficial resistia às inovações ou admitia sua existência apenas quando comprovadamente importantes. Homenagens divinas póstumas foram prestadas a “Julio César”, a “Augusto”, a muitos de seus sucessores e a vários membros da família imperial. Nas províncias orientais do Império Romano, os imperadores vivos eram saudados como deuses. Há outras divindades, não incluídas aqui, que também eram importantes na religião popular: Dionísio (Baco), associado ao vinho e às colheitas e adorado em rituais orgíacos. E Asclépio (Esculápio), fonte de cura, principalmente, através das ervas sagradas e medicinais. A analogia entre a Religião Africana (Òrìxas) e os Deuses do Monte Olimpo!!! Mais uma vez, se comprova a origem religiosa de Noé e seus filhos, em diversos povos do Mundo. Será que estas religiões existissem como existe até hoje a Africana, seriam tão discriminadas como as de origem Africana em nosso País!? Faça sua reflexão! Porque? Uma tem sua origem “branca” e a outra sua origem é “negra”. Por tais motivos, devemos sempre respeitar qualquer credo religioso antigo, independente de cor ou de origem, porque, a base religiosa vem de Noé e seus filhos e, logicamente, extensivos aos seus descendentes.
Deuses Africanos- Matriz Africana... Os Orixás, são divindades originárias da África, mais especificamente Nigéria e que vieram para o Brasil junto com os africanos para cá deportados como escravos. Os orixás representam as forças da natureza ou os fenômenos a ela relacionados. Muitos pesquisadores afirmam que na realidade os Oríxás são ancestrais míticos, ou seja, seres humanos que teriam realizados feitos incríveis na Terra e por isso deificado pelo seu clã, famiília ou povo. A religiosidade africana reconhece a existência do Deus da Criação, mas não define o deus. Os povos afirmam que Deus é invisível, que é uma outra maneira de afirmar que não conhece o deus em nenhuma forma física. Subseqüentemente, em nenhuma parte da África nós encontramos as imagens ou as representações físicas desse deus, criador do universo.. No geral, os povos africanos consideram que o universo, está divido em duas porções: o visível e o invisível. Os seres humanos vivem no nível visível, o deus e os seres espirituais vivem no nível invisível. Há uma ligação entre os dois mundos. O deus e os seres espirituais que fazem sua presença no nível físico; e as pessoas se projetam para o nível espiritual através de deus e os divinizados. O religiosidade africana é muito sensível na questão sobre a dimensão espiritual. Os seres espirituais explicam o "espaço antológico" entre seres humanos e Deus. Estes podem ser reconhecidos de formas diferentes, de que principais são: os divinizados e espíritos. Os divinizados foram criados por Deus, e alguns são também personificados de fenômenos e de objetos naturais principais tais como montanhas, lagos, rios, terremotos, trovão, etc.. Os espíritos podem ser considerados em duas categorias: divinos celestiais (céu) e do mundo. Os espíritos "divinos" são aqueles associados com os fenômenos e os objetos "divinos" tais como o sol, as estrelas, cometas, chuva e tempestades. E os "da terra" são em parte aqueles associados com os fenômenos e os objetos da terra, e em parte aqueles que são das pessoas após a morte (Egungun). Quando os africanos desembarcaram no Brasil encontraram uma nova realidade, um novo continente e tiveram que adaptar muitas de suas práticas e então a Religião dos Orixás assumiu um novo nome : Candomblé, uma religiosidade essencialmente brasileira, resultante da realidade religiosa africana no Brasil. Dos mais de 400 Orixás existentes na África somente o culto a 16 deles sobreviveu no Brasil. Muitos dos mitos relacionados a estas 16 divindades sobreviventes foram deturpados, muitos deles absorveram inúmeros aspectos de outros Deuses cujo culto não sobreviveu no Novo Mundo, etc. Ou seja, o candomblé é nada mais que uma reconstrução da religiosidade Nigeriana dos Orixás.
Embora muitos aspectos religiosos possam ser semelhante em algumas ou muitas coisas, mas é necessário deixar bem claro que ter coisas em comum não significa de nennhuma forma "ser a mesma coisa" Um afro abraço. fonte: resumos extraídos de enciclopédias/.wikipedia.org/wiki/Tradição

terça-feira, 12 de junho de 2012

Limitação e Estereotipação: "O Negro e a Midia III"

Pele bem alva, cabelos longos e lisos, traços europeus: É bem comum encontrar na mídia esse fenótipo considerado hoje padrão de beleza. Os afro descendentes ,com traços largos e cabelos crespos não aparece na mídia. De maneira geral e quase corriqueira a nossa etnia sempre desempenhou papéis secundários neste meio. Em filmes e novelas, os negros sempre fazem papel de motorista, empregada, o pagodeiro do bairro, etc. Agora a mídia é preconceituosa ou não? Primeiro:A nível mundial temos poucos negros desempenhando papéis de apresentadores, protagonistas, âncoras de telejornais e aparecendo em capas de revistas. A modelo Naomi Campbell e a jornalista Glória Maria seriam raras exceções - e já até viraram chavões - quando se fala de quem venceu o preconceito na mídia. Os negros, da mesma forma que os brancos e demais etnias, são dotados de suas particularidades. Não particularidades comportamentais exclusivas dos negros, mas sim particularidades típicas dos seres humanos. Quando digo particularidades, refiro-me física e mentalmente.Dois caucasianos não são iguais nem em físico e muito menos em comportamento e por mais que existam semelhanças, cada um possui sua própria personalidade e identidade. Com os negros não é diferente. Voltando um pouco na historia... A imprensa direcionada a negros, produzida por negros e retomada pela revista Raça, data do início do século XX. Sentindo a impermeabilidade da "imprensa branca", um grupo de negros paulistas fundou, em 1915, uma imprensa alternativa. É o que a antropóloga Miriam Nicolau Ferrara, estudiosa do assunto, chama de "imprensa negra". Pela primeira vez o negro tornou-se o alvo de um conjunto de periódicos específicos, que se sucederam durante quase cinqüenta anos, até 1963, quando foram reprimidos pela ditadura. No entanto, que no mundo da mídia (novelas, filmes, séries e publicidade em geral) há apenas algumas poucas figuras que representam, em físico e em comportamento, o homem negro e a mulher negra. Não é um fenômeno exclusivo do Brasil. Ocorre em todo o mundo. a participação do negro na mídia tenha aumentado consideravelmente no decorrer das últimas décadas, principalmente a partir de 1988, quando a nova Constituição passou a enxergar o racismo como crime pois foi marcado foi uma série de movimentações sociais resultantes do movimento negro e que, evidentemente, eram noticiados pelos diversos tipos de mídia. Além do movimento internacional liderado pela ONU para o fim do apartheid, no Brasil era comemorado o centenário da abolição da escravatura, a Campanha da Fraternidade tinha como tema o combate ao racismo e a vencedora do carnaval carioca foi a escola de samba Vila Isabel, que falou do movimento negro. "A nova Constituição brasileira, também de 1988, passou a considerar o racismo como crime, o que foi regulamentado no ano seguinte, pela a Lei 7.716, do deputado negro Carlos Alberto Caó (por isso conhecida como "lei Caó")" Ainda assim a participação do negro é superficial e, pior, estereotipada.Não podemos esquecer, logico o retrato que a mídia estadunidense faz dos seus negros. Eles sempre aparecem de forma extremamente afetada, caricata e em geral fazendo bobagens por aí. Temos uma infinidade de filmes do tipo “Policial Branco e Sério junto com Negro e Tonto” no qual o negro passa o filme gritando, se estrepando e tentando, desesperadamente, nos fazer rir. Chris Tucker, Eddie Murphy e Martin Lawrence são os melhores exemplos de tudo isso. Já Will Smith, Denzel Washington e alguns outros atores parecem ter conseguido fugir desse estereótipo, embora vez ou outra os encarnem em algum filme ou outro No Brasil, cabe ressaltar que o cenário atual no qual o negro possui “visibilidade” é um espaço que só faz perpetuar preconceitos e estigmas. É difícil fazer um prognóstico dessa situação, mas ao que tudo indica ela não tende a melhorar tão cedo. A cada ano que passa novas camadas de racismo mascarado envolvem essa redoma de desrespeito ao negro como humano. A reduzida cobertura de temas relacionados aos negros pela grande mídia foi percebida em 1996 pela revista Raça Brasil, o primeiro meio de comunicação impresso, de grande alcance, direcionado ao público negro. No seu lançamento, a revista atingiu uma tiragem de 280 mil exemplares, um fenômeno editorial (atualmente, a tiragem é de 50 mil exemplares). "O Brasil é um país racista, nós observamos e vivemos isso", afirma Conceição Lourenço, editora da Raça, cuja redação é composta só por negros. Ela considera que as revistas atuais não atendem os negros porque não são direcionadas a eles. "Isso é percebido principalmente na área de estética", completa. Um afro abraço. fonte:reflexaogeral.blogspot.com/2011/http://www.comciencia.br

domingo, 10 de junho de 2012

"O Dia da Raça II..."

O 10 de Junho em Portugal é adoptado e adaptado pelo regime instaurado em 1933, e passa a ser conhecido como o Dia da Raça. Vários nomes têm sido atribuídos à data de 10 de Junho, tais como, Dia da Raça, Dia de Portugal, Dia de Camões, Dia das Comunidades. Qualquer dessas designações, para mim, tem cabimento. O certo, porém, é que alguns fundamentalistas de esquerda logo se insurgiram contra o Presidente da República pelo facto de ele, descontraidamente, numa interpelação feita por um jornalista, na rua, se ter referido ao Dia da Raça, pretendendo aqueles atribuir a essa designação um sentido pejorativo (casta, etnia…), que não estava na mente daquele. Ao contrário, estava, sim, um sentido de capacidade, ambição… Na verdade, foi a “raça” dos portugueses de antanho que deram novos mundos ao mundo. Se esses portugueses tivessem sido da “raça” dos actuais contestatários àquela designação, certamente que Portugal já não existia há muito. Talvez fossemos hoje uma província de Espanha. Felizmente, porém, que muitos portugueses há que nem sequer se dão ao trabalho de se preocuparem com esse tipo de atitudes de uns tantos que se encontram bem instalados no ar condicionado de S. Bento onde a “bica” é baratinha. Faz parte daqueles muitos portugueses, certamente, o modesto Senhor, de profissão Alfaiate, que o Chefe de Estado condecorou, a par do nosso conterrâneo Augusto Gonçalves, para quem vão os meus sinceros parabéns. Isto numa cerimónia em que, ainda bem, foram exaltadas as garbosas Forças Armadas e se ouviu o Hino Nacional e o “Alleluia” cantados, com “raça”, pelos jovens da Academia de Música de Viana do Castelo, bem acompanhados pela sua Orquestra Filarmónica. Os críticos da palavra do Chefe de Estado são, afinal, sempre os mesmos, os que têm imensas preocupações com o que se passou nos perto de 50 anos de ditadura, e ficam cegos com aquilo que de bom se passou nesse tempo, porque a verdade é que nem tudo foi reprovável, quer se queira quer não. Basta referir um pequeno pormenor: a ditadura mandou construir uma ponte a ligar as duas margens do Tejo, em Lisboa, sob forte contestação de movimentos esquerdistas da altura (não foi assim, sr. Arq. Nuno Portas?). Essa ponte foi construída com dinheiro português, por operários portugueses, ficou operacional com 6 meses de antecedência relativamente ao prazo estipulado e sem derrapagem financeira… e foi baptizada como Ponte Salazar. Conceito de Raça: A raça é um conceito que obedece diversos parâmetros para classificar diferentes populações de uma mesma espécie biológica de acordo com suas características genéticas ou fenotípicas; é comum falar-se das raças de cães ou de outros animais. A expressão raças humanas refere-se a um antigo conceito antropológico, fortemente criticado e em desuso, mesmo nesta disciplina, desde meados da década de 1950, que classifica populações ou grupos populacionais com base em vários conjuntos de características somáticas e crenças sobre ancestralidade comum. As categorias mais amplamente usadas neste sentido restrito, baseiam-se em traços visíveis, tais como cor da pele, conformação do crânio e do rosto e tipo de cabelo, bem como a auto-identificação. Conceito: Concepções de raça (em taxonomia, raça é o mesmo que subespécie), bem como as formas específicas de agrupá-las, variam de cultura em cultura e através do tempo, e são frequentemente controvertidas por razões científicas, sociais e políticas. A controvérsia, finalmente, gira em torno da questão de se as raças são ou não tipos naturais ou socialmente construídos, e o grau no qual diferenças observadas em capacidade e realizações, categorizadas em bases raciais, são um produto de fatores herdados (isto é, genéticos) ou de fatores ambientais, sociais e culturais. Alguns argumentam que embora "raça" seja um conceito taxonômico válido em outras espécies, não pode ser aplicada a humanos. Muitos cientistas têm argumentado que definições de raça são imprecisas, arbitrárias, oriundas do costume, possuem muitas exceções, têm muitas gradações e que o número de raças descritas varia de acordo com a cultura que está fazendo as diferenciações raciais; assim, rejeitaram a noção de que qualquer definição de raça pertinente a humanos possa ter rigor taxonômico e validade. Hoje em dia, a maioria dos cientistas estudam as variações genotípicas e fenotípicas humanas usando conceitos tais como "população" e "gradação clinal". Muitos antropólogos debatem se enquanto os aspectos nos quais as caracterizações raciais são feitas podem ser baseados em fatores genéticos, a idéia de raça em si, e a divisão real de pessoas em grupos de características hereditárias selecionadas, seriam construções sociais. A antropologia, entre os séculos XVII e XX, usou igualmente várias classificações de grupos humanos no que é conhecido como "raças humanas" mas, desde que se utilizaram os métodos genéticos para estudar populações humanas, essas classificações e o próprio conceito de "raças humanas" deixaram de ser utilizados, persistindo o uso do termo apenas na política, quando se pede "igualdade racial" ou na legislação quando se fala em "preconceito de raça", como a lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010, que instituiu, no Brasil, o “Estatuto da Igualdade Racial”. Um conceito alternativo e sinônimo é o de "etnia". Foi o Conde de Gobineau que popularizou, em meados do século XIX, um novo significado, em seu ensaio racista Essai sur l'inégalité des races humaines ("Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas", 1853-1855), no qual toma partido a favor da tese poligenista segundo a qual a humanidade poderia ser dividida em várias raças distintas, as quais seriam, outros sim, passíveis de serem tratadas numa base hierárquica. O racialismo ou racismo científico, tornou-se a partir daí a ideologia predominante nos meios eruditos, na antropologia física etc, em conjunto com o evolucionismo, com o darwinismo social e com as teorias eugênicas desenvolvidas por Francis Galton. A tentativa de prover um discurso científico para os preconceitos racistas (aquilo que Canguilhem denominaria "ideologia científica"), seria fortemente desacreditado após o genocídio dos judeus da Europa praticado pela Alemanha Nazista. A segmentação artificial em "raças humanas" disseminou-se amplamente na época do nacionalismo inflamado, que deu lugar à proclamação de ideologias racistas em nome da ciência. Certos trabalhos, tais como o Dictionnaire de la bêtise et des erreurs de jugement, de Bechtel e Carrière, mostram que estes preconceitos eram exercidos simultaneamente entre vários países europeus. Médicos franceses, por exemplo, "explicavam" que os Alemães urinavam pelos pés! Franz Boas.Na segunda metade do século XX, esta ideia foi pouco a pouco sendo abandonada sob três influências: ambiguidade do termo e ausência de base científica (demonstradas graças ao avanço da biologia e da genética); papel desempenhado por estas ideias nos quinze anos do regime nazista; obras de Claude Lévi-Strauss e Franz Boas, os quais transformaram a antropologia e lançaram luz sobre os fenômenos do etnocentrismo inerentes à toda cultura. Em meados dos anos 1950, a UNESCO recomendou que o conceito de "raça humana", não-científico e que levava à confusão, fosse substituído por grupos étnicos, o qual insiste fortemente nas dimensões culturais dentro da população humana (língua, religião, costumes, hábitos etc). Todavia, as tentativas racistas persistem, como bem o demonstram os recentes debates sobre a publicação de "The Bell Curve" (1994), de Richard Herrnstein e Charles Murray, que afirmam ter estabelecido uma correlação científica entre "raça" (no caso, negros e brancos) e inteligência. Estes preconceitos racistas também são encontrados entre certos partidários da sociobiologia, que visam demonstrar a origem genética dos comportamentos sociais e dentro da nova direita francesa. O termo raça aparecia normalmente nos livros científicos e, (como os livros de geografia de Aroldo de Azevedo e a coleção "História das Raças Humanas" de Gilberto Galvão, que dá detalhado todas as raças, com fotografias), até a década de 1970, a partir de então, começou a desaparecer por receio de racismo, especialmente com o advento do politicamente correto na década de 1980. [carece de fontes?]. A ciência já demonstrou através do Projeto Genoma que o conceito de raça não pode realmente ser utilizado por não existirem genes raciais na espécie humana, isto corrobora com teses anteriores que indicavam a inexistência de isolamento genético dentre as populações. Raça na espécie humana é um conceito social, não é conceito científico. Uma pesquisa do IBGE, divulgada em 22 de julho de 2011, revelou que a maioria dos brasileiros acredita que a cor e a raça do indivíduo influenciam o trabalho e a vida cotidiana das pessoas. O termo "raça" ainda é aceito normalmente para designar as variedades de animais domésticos e animais de criação como o gado (nelore, gir e zebu),discutem-se os conceitos biológicos de raça, várias definições históricas destes conceitos e um resumo da história e utilização das classificações de raças humanas. Hoje em dia, o termo continua a alimentar debates "à volta" da biologia, embora a maioria dos cientistas prefiram o conceito de população para qualificar um grupo humano, seja ele qual for. Também tende a desaparecer de outras ciências, como antropologia e etnologia, a favor da noção predominantemente cultural de grupo étnico. Se falará, assim, de populações geográficas em biologia e diferenças entre culturas em antropologia e etnologia. O conceito de raça não possui hoje, nenhuma utilidade no que toca à humanidade. No entanto, continua a ser empregado no mundo anglo-saxão e não desapareceu completamente do texto legislativo francês. Isto põe em questão o fenômeno da "raça" enquanto construção social, problema que está no âmago dos race studies feitos nos Estados Unidos (estudos relacionados às críticas ao pós-colonialismo) e aos gender studies (que estudam o gênero como uma construção social). A cultura como principal critério de diferenciação: Os etnólogos estimam que, postas de lado as supostas diferenças genéticas e fenotípicas, as populações humanas são principalmente diferenciadas pelos seus usos e costumes, que são transmitidos de geração em geração. A espécie humana se caracteriza então por uma forte dimensão cultural. É por isso que o conceito de etnia é hoje em dia preferido ao conceito de raça em etnologia. As diferenças culturais permitem definir um grande número de etnias. As noções de nação assim como de comunidade religiosa se abstraem da noção de raça e de etnia: o que conta para defini-las é muito menos o que seus membros são, e muito mais o que eles desejam em comum. "A palavra "raça" não deve ser utilizada para dizer que existe diversidade humana. A palavra "raça" não tem base científica. Ela foi usada para exagerar os efeitos das diferenças aparentes, ou seja, físicas. Não se pode basear nas diferenças físicas -- a cor da pele, o tamanho, os traços do rosto -- para dividir a humanidade de maneira hierárquica, ou seja, considerando que existem homens superiores em relação a outros homens, que seriam postos em uma classe inferior. Eu te proponho não mais utilizar a palavra "raça". Ao longo de sua história, sem o saber, o homem praticou uma espécie de seleção natural para aperfeiçoar as raças de animais (criação) e as espécies de plantas (agricultura). Assim, ele não parou de realizar operações de seleção genética e de fixação de raças para as espécies animais e vegetais, algo que não tem nada a ver com a ideia de transpor tais práticas para o gênero humano. Ainda assim, isto foi tentado (para sua própria espécie) em certos momentos, sob o Terceiro Reich. Cumpre assinalar, como assinala o biólogo Stephen Jay Gould, que fatores culturais que favorecem ou, ao contrário, dissuadem certas uniões conjugais, são, por sua própria natureza, circunstâncias que levam ao desenvolvimento, a longo prazo, de um processo de "raciação". Por outro lado, segundo Jacques Ruffié, do Collège de France, os grupos humanos vêm convergindo nos últimos seis milhões de anos. O homem moderno (homo sapiens) conheceu curtos períodos de isolamento de grupos étnicos, mas também um sem número de mesclas. Somente grupos isolados e numericamente muito pequenos (bascos e nepaleses, por exemplo) conseguiram diferenciar-se suficientemente em relação a outros grupos e manifestar populações estáveis desde um ponto de vista taxonômico, ou seja, apresentar diferenças genéticas significativas e hereditárias. O processo de globalização e mestiçagem das culturas e dos indivíduos reduziu fortemente a possibilidade de tais modos de vida isolados e autônomos. Na prática, a duração de uma sociedade (e consequentemente de uma cultura) humana parece, com efeito, bastante curta em relação ao tempo que seria necessário à separação de características físicas. No ser humano, o impacto da cultura não parece assim ser suficientemente grande para explicar uma diferenciação entre raças. fonte:UNESCO/UNEGRO/Aurélio Século XXI: Como conceito antropológico, sofreu numerosas e fortes críticas, pois a diversidade genética da humanidade parece apresentar-se num contínuo, e não com uma distribuição em grupos isoláveis, e as explicações que recorrem à noção de raça não respondem satisfatoriamente às questões colocadas pelas variações culturais. 2.↑ Declaração da AAPA sobre Aspectos Biológicos de Raça America Association of Physical Anthropologists (AAPA) 3.↑ Bamshad, Michael and Steve E. Olson. "Does Race Exist?", Scientific American Magazine (10 de novembro de 2003/Wikipédia, a enciclopédia livre.

sábado, 9 de junho de 2012

Contos Africanos II: "A Jabulana e o Leão"

Uma lenda africana diz que o homem chegou à Terra escorregando pelo pescoço de uma girafa, vindo do céu; mais isto e outra historia... Jabulani e o Leão.
Há muitas e muitas luas, no tempo em que as pessoas conversavam com os animais, vivia um menino chamado Jabulani. Ele fazia parte dos suázipovo muito corajoso que mora em uma região da África cheia de altas montanhas e florestas. Na língua do seu povo, Jabulani significa “aquele que traz felicidade”. E foi exatamente isso que sua mãe e seu pai sentiram quando ele chegou ao mundo, em uma manhã quente de janeiro: Jabulani seria alguém especial que traria muito amor a todos. Desde pequeno, Jabulani gostava de ajudar todo mundo. Sentia uma felicidade imensa no coração quando isso acontecia. Para ele, era como se uma pequena mágica ocorresse: ajudar fazia a outra pessoa se sentir melhor, possibilitava que algo bom acontecesse, tornava Jabulani e o mundo mais felizes. Seu avô dizia que esta era uma das mágicas mais poderosas que o ser humano sabia e podia fazer. Um belo dia, Jabulani andava contente da vida pela floresta, depois de brincar com seus amigos. Quando atravessava uma pequena clareira, ouviu uma voz muito triste, pedindo: - Socorro, alguém me ajude, por favor... Preciso sair daqui! Depois de muito procurar de onde vinha aquela voz tão chorosa, Jabulani descobriu. Ali, no meio do mato, havia uma velha armadilha escondida por um caçador. Dentro, quem estava? Um leão enorme, muito chateado. - Senhor leão, eu sou Jabulani – apresentou-se com prontidão o menino. - O que aconteceu com o senhor?
- Oh, até que enfim alguém apareceu neste triste lugar – o leão suspirou aliviado. – Menino, estou preso aqui quase um dia inteiro. Tenho muita sede e fome. Por favor, me ajude a sair – e fez uma cara de dar dó. Jabulani gostava muito de ajudar, mas não era bobo não. Sabia que tinha de tomar cuidado e, se soltasse o leão, ele poderia atacá-lo e comê-lo com uma dentada só. - Senhor leão, entendo sua situação, mas tenho medo. Como me disse que está com muita fome, quem me garante que o senhor não vai sair da armadilha e me comer? - Eu não faria uma coisa dessas com você, meu rapaz! Como eu poderia atacar o meu salvador? Isso não seria certo. Eu prometo que não farei mal a você. Jabulani pensou, pensou e pensou, e decidiu confiar no leão. Afinal, ele havia prometido. E promessa é promessa! - Ta bom, ta bom! Eu vou confiar na promessa do senhor – Jabulani chegou perto da armadilha e puxou a corda que mantinha a porta fechada. O leão saiu da armadilha, suspirou, espreguiçou-se e esticou as patas, afinal, ele havia ficado muito tempo preso em um lugar pequeno e as pernas estavam dormentes. Depois disso, virou-se lentamente e olhou bem fundo nos olhos do menino. - Jabulani, preciso beber um bom gole de água no rio antes de comer você! Jabulani não acreditou no que o leão falava, achou que ele estava mangando. Não podia ser verdade. - O senhor está brincando? Só pode ser isso, não é? – perguntou o menino com um sorriso de medo no cantinho da boca. O leão olhou bem sério: - Não, não estou não. Você vai beber água comigo e depois vou te comer. Estou com muita fome. - Mas o senhor prometeu que não faria isso comigo! O senhor prometeu – gritou Jabulani.
O leão coçou a cabeça e respondeu: - Prometi, sim, você tem razão. Mas promessa feita por alguém que está com muita fome, na hora do desespero, não conta. Por isso, acho que é justo comer você! Assustado, Jabulani tomou coragem e falou bem alto, com toda a força dos seus pequenos pulmões: - Não é justo, não! Eu ajudei o senhor! Não se pode fazer isso com alguém que nos ajuda. Vamos perguntar a opinião dos outros animais da floresta e saber quem tem razão. O leão estava com fome, mais não queria ser injusto. Não queria ficar com dor na consciência. Por isso, era melhor ouvir a opinião dos outros. - Tudo bem, tudo bem. Se algum deles achar que minha decisão não é correta, eu o deixarei partir. Mas façamos a coisa rapidamente, porque minha barriga está roncando demais. Quando estavam subindo a ladeira, depois de beber água no rio, Jabulani e o leão encontraram um velho burrinho magro e sem dente, tentando arrancar um capim seco. - Senhor burro, boa tarde! Precisamos ouvir sua opinião sobre um caso de vida ou morte. - Pois não. Diga menino! Então Jabulani contou toda a história para o burro: como havia encontrado e salvado o leão e como agora ele, muito ingrato, queria comê-lo. - O senhor acha justo? O burrinho ficou em silêncio, pensando no que iria responder. Depois de um tempo que pareceu grande, mas tão grande para Jabulani, o burrinho tossiu, limpou a garganta e respondeu:
- Acho justo sim, muito justo que o leão coma você. Afinal, ele está com fome e vocês, seres humanos, não pensam duas vezes antes de sacrificar um animal quando assim o desejam – e olhou para Jabulani com uma mistura de raiva e tristeza. – Vejam a minha situação. Trabalhei a vida toda para um homem que cuidou de mim enquanto fui útil para ele. Eu carregava dia e noite nas minhas costas tudo o que ele precisava. Mas depois que fiquei velho e mal consigo me alimentar sozinho ele me abandonou aqui na floresta para que eu morra de fome. Você acha isso justo? Jabulani abaixou a cabeça e disse um “não” bem baixinho. Ele não achava justo o que tinham feito contra o burrinho, mas por que ele tinha de morrer por causa dos erros de outros homens? Então o leão se virou para Jabulani e falou: - Veja, ele me deu razão. Vamos acabar logo com isso – e levantou as garras para atacar o menino. - De jeito algum, o burro é somente “um” animal. Vamos perguntar para outros. Contrariado, o leão concordou resmungando e Jabulani suspirou de alívio. Depois eles encontraram uma vaca pastando. Jabulani e o leão a cumprimentaram e o menino logo contou a ela o caso todo da armadilha. A vaca fez um “Mmuu” bem bravo e falou: - Os seres humanos são muito egoístas, só pensam neles. Para mim, são todos iguais! Nós, vacas, damos o nosso melhor leite para vocês. Puxamos o arado para que vocês possam plantar as sementes. E o que vocês fazem quando chegamos á velhice? Nos matam, nos comem e usam o nosso couro para a roupa. Por isso, acho que o leão está correto em te comer. Nada mais justo do que um animal com fome comer sua presa. Vocês, seres humanos, agem da mesma forma ou até muito pior conosco, animais. Jabulani pensou: “Acho que estou perdido e nunca mais vou voltar para minha casa, nunca mais vou ver meu pai, minha mãe, meus irmãos, meus amigos... Nunca mais!” Sem esperanças, Jabulani ainda contou a história da armadilha para um grupo de veados, depois para dois pássaros, uma hiena e três coelhos. E todos concordaram que o leão devia comê-lo! Quando o leão já estava se preparando para saborear o garoto, eis que aparece, como quem não quer nada, um pequeno chacal. - Deixe-me perguntar para ele, senhor leão. Só para ele. - Pois será o último e não insista mais – decretou o leão. Então, Jabulani chegou perto do chacal e contou toda a história. O chacal fez várias perguntas e, com cara de bobo, disse para os dois: - Não sei se entendi direito. Para dar minha opinião, precisaria ver melhor como as coisas aconteceram. Levem-me até a armadilha! E foi assim que Jabulani e o leão fizeram. Quando chegaram ao lugar o chacal perguntou:
- Sei não – coçou a cabeça. – Não consigo entender com o leão entrou nesta armadilha. Ela parece tão pequena para um leão tão grande e forte. Cansado e com muita fome, o leão nem pensou: - Ta bom, ta bom... Vamos logo com isso. Eu vou entrar lá para você ver – e de um pulo entrou na armadilha. Então, Jabulani correu e com um único movimento soltou a corda. A grade da armadilha se fechou rapidamente. Confuso, o leão não entendeu o que havia ocorrido. Com o coração apertado, Jabulani deu uma última olhada para o leão presto e foi embora para cara. E o chacal desapareceu como um fantasma na mata. Um afro abraço. fonte:www.slideshare.net/erikavecci1/contos-africanos.

Adoção:"UMA PROVA DE AMOR"II

No Brasil, mais de 5 mil crianças e jovens estão aptos para adoção Cerca de 40 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos em todo o país. Número de pretendentes a pais passa de 28 mil. A palavra adoção tem origem no latim (adoptatio), e associa-se a considerar, olhar para, escolher, perfilhar (Weber, 1999). Houaiss (2001) situa a origem da palavra no século XV. Para a Língua Portuguesa, adotar “é um verbo transitivo direto” (AURÉLIO, 2004), uma palavra genérica, que de acordo com a situação pode assumir vários significados, como: optar, escolher, assumir, aceitar, acolher, admitir, reconhecer, entre outros. Para efeitos jurídicos, adotar significa acolher, mediante ação legal e, por vontade própria, como filho legítimo, uma pessoa desamparada pelos pais biológicos, conferindo-lhes todos os direitos de um filho natural. Além do significado desses conceitos, está o significado da ação – o valor que a adoção representa na vida dos indivíduos envolvidos. Passa por uma extensa possibilidade de questões, de olhares, de discursos, de informações, de análises. Todo filho, biológico ou não, precisa ser adotado pelos pais. A relação familiar precisa ser dotada de preceitos claros, ligados à ética, à cidadania a ao respeito. No Brasil, a história da adoção teve início no século XX. O assunto foi tratado, pela primeira vez, no Código Civil Brasileiro, em 1916. (GOMIDE, 1999) afirma que a adoção no Brasil foi tratada tradicionalmente como via de mão única, ou seja, buscava-se apenas atender aos anseios de adotantes. Após essa iniciativa, teve-se ainda a aprovação em 1957, da Lei nº. 3.133; em 1965, da Lei nº. 4.655; e em 1979 da Lei nº. 6.697, que estabeleceu o Código Brasileiro de Menores. É apenas em função do bem-estar da criança que a adoção passou a ser aplicada. A proteção da criança foi priorizada em função de qualquer outro fator que envolvia a adoção, inclusive a impossibilidade dos adotantes em ter filhos. Hoje no Distrito Federal há 51 crianças negras habilitadas para adoção, todas com mais de 5 anos. Entre as 410 famílias que aguardam na fila, apenas 17 admitem uma criança com esse perfil. Permanece o padrão que busca recém-nascidos de cor branca e sem irmãos. O tempo de espera na fila da adoção por uma criança com o perfil "clássico" é em média de oito anos. Se os pretendentes aceitaram crianças negras, com irmãos e mais velhas, o prazo pode cair para três meses, informa. "Fosse a voz do sangue tudo, não haveria tantos filhos bios largados no mundo, e nem estou falando dos "pobrezinhos abandonados". Estou falando daquela criança de família classe média cujos pais delegam todo o cuidado à empregadas; daquelas cujos pais não tem tempo para reuniões na escola ou festinhas; daqueles que tem filho pra por a foto na carteira apenas. Fosse a voz do sangue garantia de vida feliz em família não haveria tantos consultórios com gente buscando ajuda. Não haveria tantas "ovelhas negras" nas famílias (e cabe aqui um parentese, pq na mais pura voz do preconceito, sempre que em uma "família de bem" surge um dependente de alcool, drogas, ou até mal comportamento, vem a piadinha "ele foi trocado na maternidade" "tem certeza que ele não foi adotado"). Campanha: Apesar das campanhas promovidas por entidades e governos sobre a necessidade de se ampliar o perfil da criança procurada, houve pouco avanço”. explica o supervisor da 1ª Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal, Walter Gomes,. “O que verificamos no dia a dia é que as famílias continuam apresentando enorme resistência à adoção de crianças negras. A questão da cor ainda continua sendo um obstáculo de difícil desconstrução.” Hoje no Distrito Federal tem aroximadamente 51 crianças negras habilitadas para adoção, todas com mais de cinco anos. Entre as 410 famílias que aguardam na fila, apenas 17 admitem uma criança com esse perfil. Permanece o padrão que busca recém-nascidos de cor branca e sem irmãos. “O principal argumento das famílias para rejeitar a adoção de negros é a possibilidade de que eles venham a sofrer preconceito pela diferença da cor da pele”. Todavia, esse argumento é de natureza projetiva, ou seja, são famílias que já carregam o preconceito, e esse é um argumento que não se mantém diante de uma análise bem objetiva, ressalta Gomes. “O tempo de espera na fila da adoção por uma criança com o perfil ‘clássico’ é em média de oito anos. Se os pretendentes aceitaram crianças negras, com irmãos e mais velhas, o prazo pode cair para três meses”. Nova lei de adoção quer impedir que crianças e adolescentes permaneçam em abrigos Impedir que crianças e adolescentes permaneçam vários anos em abrigos, tirando a chance delas encontrarem um lar adotivo ou retornarem para o convívio dos parentes é o principal objetivo da nova lei de adoção, que entra em vigor no dia três de novembro. A institucionalização por tempo indeterminado reduz, dia a dia, a possibilidade da criança encontrar uma nova família, já que a preferência dos casais brasileiros continua sendo por bebês ou meninas de até dois anos de idade. Na avaliação do promotor da Vara da Infância e Juventude de Cuiabá, José Antônio Borges, a Justiça e o Estado precisam ser rápidos na solução desses problemas. A nova lei propõe um modelo que dispensa os abrigos e prevê a instituição de famílias acolhedoras. Essas famílias cuidariam das crianças até que elas encontrassem um novo lar. Para o promotor, a proposta é interessante, mas ele ainda tem reservas sobre a sua funcionalidade. Se de um lado a proposta é positiva porque pode transformar famílias acolhedoras em futuros lares adotivos, do outro pode originar problemas futuros, criados pelos laços de amizade e amor que possam vir a unir as famílias às crianças, que podem não desejar mais voltar para a casa da família biológica, na maior parte das vezes mais humilde. De acordo com o chefe do Serviço de Adoção da 1ª Vara da Infância e da Juventude do DF, Walter Gomes Sousa, não faltam famílias já cadastradas e habilitadas à espera de um filho adotivo. São 419 casais na fila de adoção, quase três vezes mais do que o número de crianças que precisam de um novo lar. Mas, segundo ele, o problema é que 99% destas pessoas querem um bebê recém-nascido, ao passo que a maior parte destas crianças têm mais de cinco anos de idade. Crianças negras são recusadas por famílias candidatas à adoção: A intolerância às diferenças raciais ainda se configura na atitude de adotantes que expressam suas preferências, geralmente por crianças brancas. O preconceito continua instaurado em todos os setores da sociedade, sendo assim, não poderia se mostrar diferente na adoção de crianças e adolescentes afro-descendentes. * Três anos após a criação do Cadastro Nacional de Adoção, as crianças negras ainda são preteridas por famílias que desejam adotar um filho. A adoção inter-racial continua sendo um tabu: das 26 mil famílias que aguardam na fila da adoção, mais de um terço aceita apenas crianças brancas. Enquanto isso, as crianças negras (pretas e pardas) são mais da metade das que estão aptas para serem adotadas e aguardam por uma família. * Quando indagados acerca da cor/etnia da criança desejada, apenas 1,4% dos cadastrados revelaram que, particularmente, esse fator não era importante. Para a autora, esse aspecto conduz a hipótese de que, os traços raciais dos sujeitos são considerados como um poderoso instrumento de elegibilidade no âmbito das adoções”. "A sensibilização das famílias para que aumente o número de adoções interraciais. “O racismo, no nosso dia a dia, é verificado nos comportamentos, nas atitudes. No contexto da adoção não tem como você lutar para que esse preconceito seja dissolvido, se não for por meio da afirmatividade afetiva. No universo do amor, não existe diferença, não existe cor." * Apesar das campanhas promovidas por entidades e governos sobre a necessidade de se ampliar o perfil da criança procurada, o supervisor da 1ª Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal, Walter Gomes, diz que houve pouco avanço. "O que verificamos no dia a dia é que as famílias continuam apresentando enorme resistência [à adoção de crianças negras]. A questão da cor ainda continua sendo um obstáculo de difícil desconstrução." As dificuldades encontradas nas famílias que adotaram crianças negras não são maiores ou mais significativas do que as encontradas no seio de uma família com filhos biológicos, sejam eles brancos ou negros. A desconstrução desses preconceitos fez-se durante todo o processo da pesquisa e do conhecimento das histórias e a vontade de ser pais. A formação de famílias multirraciais demonstra que a constituição de uma família passa pela convivência, diálogo e amor, afinal o que realmente importa para a formação de uma família... Um afro abraço. Fonte: Andi/fotos:internet/Adoção Brasilwww.adocaobrasil.com.br.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Afro descendente e a profição de:" Doméstica"

Segundo o Ministério do Trabalho, cozinheiro, governanta, babá, lavadeira, faxineira, vigia, motorista particular, enfermeira do lar, jardineiro, copeira são os profissionais considerados domésticos, desde que o local onde trabalham não seja comercial.
Indo pro inicio desta história...: Seus principais protagonistas eram os médicos, que orientavam as famílias a abandonar os hábitos de terem em suas casas escravas domésticas e de deixarem aos cuidados das amas-de-leite a amamentação de seus filhos. Através da lei de 6 de outubro de 1886 (Código de Posturas da Cidade), regula-se o trabalho dos criados de servir e das amas-de-leite. Essa lei tinha como objetivo uma fiscalização severa dos serviços domésticos para evitar abusos de ambas as partes e, assim, determinar que todo indivíduo que quisesse exercer a profissão deveria, sob pena de multa ou prisão inscrever-se no Livro de Registros da Secretaria da Polícia, atestando ser a pessoa abonada e livre. Entretanto, naquele período (final do século XIX), o desejo da elite dominante era de que o trabalho doméstico fosse realizado por brancos estrangeiros: "Como amigo dos nossos patrícios e interessado na paz das famílias da nossa terra, não devemos deixar de aconselhar-lhes que substituam, ou ao menos que diminuam o número desses muitos inimigos que se nutrem em nosso seio. Criados livres, morigerados e bons, como os que podemos encontrar entre as famílias alemãs que emigram para as nossas praias, são os que ora nos convém para, não só resguardarmos do perigo que nos está eminente, como também nos fora da influência danosa que sobre nós tem produzido os escravos" (...) Mas atenda-se bem nossas idéias: nós queremos criados só para o interior doméstico, afim de que se não comuniquem com o escravo e se não envergonhem do serviço que fazem, porque o vêm ser feito por essa gente objecta; queremos, por ora, negros escravos ou livres, para o serviço externo, mas que não venham residir em nosso seio de família e emprestar-nos suas idéias acanhadas perniciosas e aviltadas pela imoral escravidão" (Giacomini, 1988, p. 22). Os poucos estudos existentes a esse respeito não possibilitam estabelecermos aqui a abrangência desse projeto. Os dados obtidos pela pesquisa realizada pela Confederação Católica em 1948 (Kawall, 1949) revelam que a categoria do emprego doméstico era constituída, quase exclusivamente, por brasileiras(os): 93%. O restante era de origem portuguesa (3%) e de outros países (4%), Espanha, Polônia, Itália e Alemanha.
Ao analisar esses dados, Kawall (1949) acrescenta que, em 1933, havia um número maior de estrangeiros que se dedicavam aos serviços domésticos; contudo, a insuficiência de dados não lhe possibilitou afirmar se essas pessoas "teriam voltado para seus países natais, ou se melhoraram a sua situação econômica e mudaram de emprego". Nos trabalhos pesquisados, são poucos os que fazem referência direta ou indireta à questão étnica; as referências se restringem aos comentários estatísticos e, quando não, fazem descrições imbuídas de preconceito e racismo, como o que verificamos: "O movimento de empregadas de cor (na agência de colocação oficial) aumentou muito com a supressão da imigração, e agora ainda mais com a guerra. Entretanto, nem sempre as de cor são preferidas pelas patroas. (São estas) que se revoltam quando percebem a diferença, que aliás é notável. Atribuímos essa preferência pelas brancas, porque geralmente as de cor não têm espírito de iniciativa no trabalho. Precisam ser vigiadas, orientadas, pois ao contrário não executam bem o serviço (...). É de lastimar a falta de caridade ou delicadeza de certas senhoras que chegam a dizer, na cara da empregada: não me serve, prefiro branca" (Lima Ribeiro, 1943). Nas agências particulares, a preferência das patroas também era para a doméstica branca; mas algumas aceitavam negras para o serviço de cozinheira. Entre as justificativas para a recusa referiam-se à moral das pessoas negras, fazendo referência à sua freqüência nas sociedades recreativas, dançantes; pouco "aconselhável", conforme o comentário feito pela autora: "Precisamos esclarecer aqui, que se tratando de pessoa de cor, as sociedades recreativas de que falava eram também freqüentadas por esse elemento (...) Os nomes das tais sociedades são bastante sugestivos, principalmente pelo contraste de seus freqüentadores: Flor de Inocência, no Bairro da Liberdade; Rosa de Inocência, Lírio Branco, etc". (Lima Ribeiro, 1943, p. 54). Pela Lei 5.859 de 11 de dezembro de 1972, que ampara a profissão, doméstico é toda e qualquer pessoa, homem ou mulher, que presta serviços de modo contínuo em local residencial, sem fins lucrativos para o empregador. O caseiro também é considerado doméstico se o local onde trabalha não possui fins lucrativos. Já o zelador e o porteiro de condomínios residenciais ou comerciais não são considerados empregados domésticos. Quanto ao sexo predominante na profissão, as mulheres saem na frente se comparada aos homens,mais de 70% dos trabalhadores domésticos não têm carteira assinada Numa profissão em que as mulheres correspondem a mais de 90% do contingente nacional, a falta de direitos, exploração e informalidade são uma realidade que precisa ser transformada Na última semana, a Câmara dos Deputados realizou um seminário para discutir a situação dos trabalhadores domésticos no Brasil. De acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) essa é uma categoria com mais de 7,2 milhões de trabalhadores no Brasil. Poderia facilmente ser considerada uma das maiores categorias de trabalhadores do País, sendo certamente a mais discriminada e sem direitos. A origem dessa restrição de direitos e a explicação para a perpetuação dessa situação até hoje são de gênero e raça. As mulheres representam 95% dos trabalhadores domésticos e por resquícios da escravidão, a grande maioria delas é negra.
Por estar de fora da cadeia produtiva da sociedade, apenas há muito pouco tempo esse tipo de trabalho foi considerado uma profissão e seus trabalhadores uma categoria. No entanto, nem mesmo a “Constituição Cidadã”, de 1988 reconheceu que teriam os mesmos direitos que os demais trabalhadores. Ao contrário, no Artigo 7º após listar em mais de XXX Incisos os diversos e necessários direitos dos trabalhadores, estabeleceu em “Parágrafo único” apenas uma parte desses direitos para as trabalhadoras domésticas, deixando a margem da legislação trabalhista milhões de mulheres. Segundo declarou a ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Delaíde Alves Miranda Arantes, o recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), por exemplo, é opcional para a categoria. “Essa é a única lei de que tenho conhecimento no mundo de aplicação optativa”, ressaltou. Assim como a jornada de trabalho, que não é estabelecida. Domésticas recebem menos que o miserável salário mínimo: Não é à toa, portanto, que hoje apenas 29% das trabalhadoras domésticas no Brasil possuem carteira assinada. Ou seja, a única possibilidade de ter, ainda que parcialmente, seus direitos trabalhistas garantidos lhes é negada. A média de remuneração também indica a superexploração. De acordo com os últimos dados disponíveis, a média salarial da categoria está abaixo do salário mínimo. Em 2009, essa média foi de R$ 386,45, quando o mínimo era de R$ 475. Segundo os dados, a desigualdade racial é expressiva nesse grupo de trabalhadores. Em 2009, enquanto as trabalhadoras brancas recebiam, em média, R$ 421, às negras eram pagos R$ 365, na média. Tudo isso permite que haja espaço para situações ainda mais absurdas de discriminação e preconceito. Na última semana, uma empresa de São Paulo foi denunciada por selecionar empregadas domésticas com base no quesito cor da pele. O critério de raça para contratação de pessoal é algo absurdo que deve ser banido.
A realidade das empregadas domésticas é a expressão mais incontestável da discriminação e desigualdades impostas a todas as mulheres, que atinge de maneira ainda mais cruel às mulheres negras que estão em primeiro lugar como as mais exploradas, com as priores oportunidades de emprego e condições de trabalho recebendo os menores salários etc. No Brasil, verifica-se que as relações sociais de produção são marcadas por um caráter racista e sexista em relação às origens étnicas e sexuais, no qual o negro e a mulher passam por um processo de pseudo-integração, mas que os coloca à margem da participação sócio-política-econômica. E neste contexto é que se localiza a importância da prática de Dª. Laudelina, enquanto militante e intelectual negra na mediação da conscientização e organização de grupos dentro da população negra e pobre e das organizações de mulheres negras. MULHERES NEGRAS NO CONTEXTO DO EMPREGO DOMÉSTICO: BREVE DIGRESSÃO HISTÓRICA Na história do negro versus mercado de trabalho, a exclusão não se situa, simplesmente, no sistema escravocrata, mas se institucionaliza, por razões políticas, ideológicas e racistas, no período que marca a transição do trabalho escravo para o trabalho livre. Célia Maria M. Azevedo (1985), ao realizar seu estudo, tenta questionar os argumentos contidos nas teses de Florestan Fernandes, Otávio Ianni e Celso Furtado, chegando a conclusões diferentes dos referidos cientistas. Para a autora, a transição do trabalho escravo para o trabalho livre deu-se sobre bases racistas, momento em que a inferioridade do negro foi sendo construída científica e politicamente, para justificar a sua exclusão do mercado de trabalho. O alardeado no senso comum – de que, no início do século XX, as mulheres negras assumiram a responsabilidade pela manutenção da família – já foi constatado por alguns estudos. E para nos auxiliar no entendimento de como se deu a inserção das mulheres negras no mercado de trabalho, faremos um breve levantamento de sua relação com o emprego doméstico. Nos estudos realizados por Saffiotti (1978), Barros (1985), Vieira (1987), Azeredo (1989), Roy (1989) e Kofes (1990) percebe-se que, ainda que as autoras trabalhassem caminhos distintos para pesquisar o tema, algumas conclusões são comuns e estas se referem à maneira pela qual a mulher trabalhadora doméstica negra ou branca se vê dentro do contexto mais amplo. Estas conclusões se equiparam ao processo de mistificação (Memmi, 1977) no qual, as idéias particulares da classe dominante se transformam em idéias universais de todos e para todos os membros da sociedade (Lacerda Sobrinho, 1989) Para elas o trabalho que realizam é transitório e se encontram nele pela necessidade de complementar o orçamento familiar, ou por terem consciência da dificuldade e despreparo profissional que as impede o exercício de outra profissão. As domésticas solteiras esperam a oportunidade de emprego no comércio ou na indústria, enquanto que as casadas à época guardavam o momento de exercer a atividade doméstica dentro de sua própria casa.
Em se tratando da especificidade étnico-racial nos ancoramos em três trabalhos da década de 80 do século passado que tratam especificamente da questão: Muniz de Souza (1987), Vieira (1987), Azeredo (1989). Verifica-se que embora o universo destas pesquisas sejam distintos, as representações se assemelham, isto é, os dois primeiros trabalhos limitam-se aos depoimentos das mulheres negras domésticas vinculadas às associações. Especificamente, Azeredo coleta os dados junto às empregadas negras e brancas (provavelmente desvinculadas das associações da categoria), bem como aos depoimentos das respectivas patroas. Nos três trabalhos identifica-se a existência dos preconceitos e discriminações étnicas e sociais de forma declarada e/ou sutil. Os depoimentos das empregadas revelaram ambigüidades determinadas pelas introjecções dos preconceitos étnicos e de classe. Vivenciam o racismo, todavia torna-se para essas dificil defini-lo. No trabalho de Vieira (1987) detectamos que a questão étnica no universo da empregada doméstica, se constitui em fator secundário, não sendo considerada uma preocupação principal, relegada ao segundo plano na pauta de reivindicações definidas pela categoria, favorecendo a luta de classe. Muniz de Souza (1982) chega a conclusões semelhantes às de Vieira no que concerne à participação das mulheres associadas às instâncias organizativas da categoria e nos movimentos negros. As contradições presentes entre a Constituição Federal de 1988 e a política neoliberal tornam-se cada dia mais evidente. Os direitos sociais e trabalhistas garantidos não com a lógica neoliberal. Neste sentido, a discussão da temática trabalho que sempre foi ponto de pauta para população negra tem que mudar a perspectiva prismática.
Na verdade, este tema ocupa um espaço significativo na reflexão dos movimentos sociais, seja enquanto categoria temática e/ou como uma categoria de análise da realidade. As razões para a introdução desta temática no universo teórico dos movimentos remetem às profundas transformações por que passa o mundo contemporâneo e aos problemas decorrentes de um processo freqüentemente denominado reestruturação produtiva. Neste processo, um intenso desenvolvimento das forças produtivas vem acompanhado de crises que assolam economias muito distintas, atingindo desde aquelas mais industrializadas até as mais atrasadas, o que acaba por provocar um desemprego crescente ao mesmo tempo que ampliam a precarização dos contratos de trabalho. O impacto da reestruturação produtiva no trabalho doméstico remunerado é um tema que deve ser aprofundado com novas pesquisas. Mas levantamos a hipótese que as empregadas domésticas sofrem os rebatatimentos da flexibilização do trabalho no seu salário, na forma de contratação e pelo aumento das modalidades das profissionais que são diaristas. É necessário reverter essa situação. Mas isso só será possível através da luta organizadas das mulheres, pela ampliação e equiparação dos direitos das domésticas com os direitos dos demais trabalhadores; salário mínimo vital de R$ 2.500,00; a redução da semana de trabalho para 35h, sem redução de salários; o fim dos critérios racistas para a contratação de pessoal; o fim de todo o tipo de discriminação racial e de gênero; salários iguais para funções iguais!
Um afro abraço. Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/Bibliografia/www.cnte.org.br/.../9790-mulher-negra-ARENDT, Hannah - A Condição Humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1989.AZEVEDO, Célia Maria M. de - O Negro Livre no Imaginário das Elites. Dissertação de Mestrado, UNICAMP, 1985. BATALLA, Guilherme Bonfil - La Teoría del Control Cultural en el Estudio de Procesos Étnicos. Papilos de la Casa Chata, México: 1987, ano 2 nº 3. BARTH, F. - Los Grupos Étnicos y Sus Fronteras. México: FCE, 1976. Barrington Moore Jr. - Injustiça: As Bases da Obediência e da Revolta. São Paulo, 1987.